{"id":28269,"date":"2018-03-18T02:05:31","date_gmt":"2018-03-18T02:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28269"},"modified":"2018-03-18T02:05:31","modified_gmt":"2018-03-18T02:05:31","slug":"espanha-se-mobiliza-pelas-mulheres-com-greve-inedita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/espanha-se-mobiliza-pelas-mulheres-com-greve-inedita\/","title":{"rendered":"Espanha se mobiliza pelas mulheres com greve in\u00e9dita"},"content":{"rendered":"<p>Milh\u00f5es de pessoas na Espanha participavam nesta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, de uma greve geral sem precedentes convocada em defesa de seus direitos e marcada por marchas, piquetes e cancelamentos de trens.<\/p>\n<p>Segundo os dois maiores sindicatos do pa\u00eds, Comisiones Obreras (CCOO, na sigla em espanhol) e UGT, 5,9 milh\u00f5es de pessoas aderiram \u00e0 greve esta manh\u00e3 com paralisa\u00e7\u00f5es de duas horas por turno de trabalho.<\/p>\n<p>Outros dez sindicatos menores convocaram uma paralisa\u00e7\u00e3o de 24 horas, na primeira greve geral deste tipo convocada na Espanha.<\/p>\n<p>No fim da tarde, mar\u00e9s de mulheres vestindo na maioria roupas de cor lil\u00e1s e em um ambiente festivo lotaram as ruas do centro de Madri e Barcelona, depois de, durante o dia, terem se sucedido manifesta\u00e7\u00f5es em Valencia, Sevilha, Bilbao e Parlma de Mallorca.<\/p>\n<p>Na capital catal\u00e3, a pol\u00edcia municipal contabilizou 200 mil manifestantes, que aos gritos de viva a luta feminista lotaram a ampla avenida do Paseo de Gracia.<\/p>\n<p>Isto de hoje deve ser um ponto de partida para mudar as coisas, disse \u00e0 AFP durante a passeata Mar\u00eda \u00c1ngels Pina, professora de 60 anos com um la\u00e7o lil\u00e1s na lapela. A igualdade ainda est\u00e1 muito longe, acrescentou.<\/p>\n<p>N\u00f3s sofremos uma tripla discrimina\u00e7\u00e3o: por sermos mulheres, por sermos de origem estrangeira e por sermos mu\u00e7ulmanas, expressou horas antes em outra manifesta\u00e7\u00e3o em Barcelona Amira Malainne, estudante de 23 anos, acompanhada de umas amigas de origem magrebina, usando hijabs lil\u00e1s, a cor que identifica a causa feminista.<\/p>\n<p>Exibindo um cartaz onde se lia Sem n\u00f3s o mundo para na marcha de Madri, Pilar Lahoz, administradora de uma cooperativa, queixou-se por n\u00e3o ter podido trocar de trabalho porque ao dizer que pensa em ter filhos \u00e9 descartada.<\/p>\n<p>Embora avancemos, resta muito por fazer, lamentou.<\/p>\n<p>&#8211; Mobiliza\u00e7\u00e3o mundial &#8211;<\/p>\n<p>Em dois dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o do grupo PRISA, o jornal El Pa\u00eds e a esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio Cadena SER, as rep\u00f3rteres faziam greve e a apresentadora Ana Rosa Quintana n\u00e3o transmitiu o programa da Telecinco que carrega seu nome.<\/p>\n<p>Grupos feministas tamb\u00e9m convocaram as mulheres a n\u00e3o consumir, nem fazer trabalhos dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Durante o dia, os metr\u00f4s de Madri e Barcelona tiveram menos passageiros, e uns 300 trajetos de trem foram suspensos por causa da greve. Nos trens de alta velocidade o servi\u00e7o foi garantido em 72%.<\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es acontecem em todo o mundo, com in\u00fameros atos, greves e marchas planejadas na Am\u00e9rica Latina (M\u00e9xico, Chile, Argentina, Brasil, Col\u00f4mbia, entre outros pa\u00edses). No Twitter, a hashtag #DiadaMulher em v\u00e1rios idiomas liderava os trending topics.<\/p>\n<p>Um dos dados mais repetidos na Espanha \u00e9 que as mulheres recebem 14,2% a menos do que os homens, uma diferen\u00e7a, no entanto, inferior \u00e0 m\u00e9dia da UE (16,2%), de acordo com dados da ag\u00eancia europeia Eurostat.<\/p>\n<p>Ou a diferen\u00e7a na taxa de emprego, que \u00e9 de 65% para mulheres com filhos, 21 pontos a menos do que para homens, ainda de acordo com dados oficiais.<\/p>\n<p>O dia de hoje serve para promover um debate e conscientizar todos, declarou o presidente do governo, Mariano Rajoy, em um ato de seu Partido Popular (PP) em Val\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; Objetivo: igualdade salarial &#8211;<\/p>\n<p>O exemplo de tantas mulheres an\u00f4nimas me faz lutar mais e me empurra para frente, afirmou a presidente da c\u00e2mara baixa do Parlamento, Ana Pastor, em uma mensagem recebida pelo canal de televis\u00e3o La Sexta.<\/p>\n<p>Pilar Cazorla, representante de um coletivo de camareiras de hot\u00e9is conhecido como Las Kellys, denunciou que as empregadas ganham entre dois e tr\u00eas euros por quarto e est\u00e3o sujeitas a um grande estresse.<\/p>\n<p>Para um mesmo trabalho na mesma empresa, os sal\u00e1rios devem ser os mesmos &#8211; o que \u00e9 \u00f3bvio -, e quem n\u00e3o faz isso est\u00e1 errado e pagar\u00e1, disse o presidente do C\u00edrculo de Empreendedores, Javier Vega de Seoane.<\/p>\n<p>A Espanha tem tido destaque na luta feminista em raz\u00e3o de uma lei contra a viol\u00eancia sexista adotada em 2004, que foi pioneira e celebrada pelo Conselho da Europa como um modelo. No ano passado, 49 mulheres foram mortas por seus parceiros, ou ex-parceiros, cinco a mais do que em 2016.<\/p>\n<p>O dia de hoje foi precedido por uma pol\u00eamica interna no PP. A ministra da Agricultura, Isabel Garc\u00eda Tejerina, e a presidente da regi\u00e3o de Madri, Cristina Cifuentes, disseram que fariam uma greve japonesa nesta quinta-feira, consistindo em trabalhar mais. Rajoy n\u00e3o as autorizou, dizendo que n\u00e3o se reconhece nessa iniciativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milh\u00f5es de pessoas na Espanha participavam nesta quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, de uma greve geral sem precedentes convocada em defesa de seus direitos e marcada por marchas, piquetes e cancelamentos de trens. 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