{"id":28225,"date":"2018-03-18T01:49:39","date_gmt":"2018-03-18T01:49:39","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28225"},"modified":"2018-03-18T01:49:39","modified_gmt":"2018-03-18T01:49:39","slug":"brasilia-e-sp-atos-em-defesa-de-direitos-marcam-o-dia-internacional-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/brasilia-e-sp-atos-em-defesa-de-direitos-marcam-o-dia-internacional-da-mulher\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia e SP: atos em defesa de direitos marcam o Dia Internacional da Mulher"},"content":{"rendered":"<p>Manifestantes promoveram atos em Bras\u00edlia e em S\u00e3o Paulo para marcar o Dia Internacional da Mulher e em defesa de direitos.<\/p>\n<p>Apesar da chuva forte, milhares de mulheres que foram \u00e0 Esplanada dos Minist\u00e9rios protestar pela igualdade de g\u00eanero, pela democracia e por direitos sociais, pol\u00edticos e reprodutivos. Ap\u00f3s concentra\u00e7\u00e3o no p\u00e1tio do Museu Nacional da Rep\u00fablica, elas seguiram em passeata at\u00e9 a Alameda dos Estados, em frente ao Congresso Nacional.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o do ato Mulheres Unificadas do DF e Entorno estima que cerca de 5 mil pessoas, maioria mulheres, participou do ato, organizado por mais de 60 entidades ligadas \u00e0 luta feminina.<\/p>\n<p>Em nome da Marcha Mundial das Mulheres, uma das organizadoras do protesto, Tha\u00edsa Magalh\u00e3es comemorou que pelo segundo ano seguido conseguiram unificar \u201ctodos os movimentos de mulheres feministas e de esquerda\u201d para defender as pautas do movimento feminista n\u00e3o s\u00f3 no dia 8 de mar\u00e7o, mas o ano inteiro.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com o avan\u00e7ar da falta de democracia no pa\u00eds, que afeta especialmente as mulheres, pelo fato de elas estarem na ponta mais fraca da economia e do mercado de trabalho, muitas em regime de trabalho sem carteira assinada, por exemplo. A perda de direitos trabalhistas, como j\u00e1 vimos, e projetos como a proposta de reforma da Previd\u00eancia, fazem com que elas sejam as que mais perdem\u201d, disse.<\/p>\n<p>Tha\u00edsa tamb\u00e9m falou da import\u00e2ncia do combate a viol\u00eancia contra a mulher. \u201cEstamos assistindo assustadas aqui no DF o crescimento do n\u00famero de estupros e de viol\u00eancia contra as mulheres e ao mesmo tempo uma diminui\u00e7\u00e3o no investimento dos aparelhos de acolhimento das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica tamb\u00e9m foi debatida no ato. A pesquisadora Sheila Campos, da Rede de Novas Pesquisas sobre Feminismo e Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia e do movimento Partida Feminista, destacou que apesar de serem mais de metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira, as mulheres est\u00e3o longe de ocupar metade dos espa\u00e7os de poder.<\/p>\n<p>\u201cMulheres precisam se incentivar e se apoiar para se candidatar e se eleger para cargos p\u00fablicos. Meninas e adolescentes precisam ser incentivadas a usar a sua voz, seja como representantes nas escolas, no bairro, para que falem nos espa\u00e7os p\u00fablicos. \u00c9 preciso acabar com o mito de que mulheres n\u00e3o gostam de pol\u00edtica e que n\u00e3o devem ocupar os espa\u00e7os p\u00fablicos porque s\u00e3o violentos e elas n\u00e3o sabem se defender. N\u00f3s temos todas as capacidades, todas. O s\u00e9culo 21 \u00e9 prova disso.\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para ela, as mulheres pagam um pre\u00e7o alto por n\u00e3o terem representatividade pol\u00edtica. \u201cAfeta em termos de sa\u00fade, por exemplo, como \u00e9 o caso dos direitos reprodutivos. Voc\u00ea tem a vota\u00e7\u00e3o de uma Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, como a PEC 181, que trata de temas como licen\u00e7a-maternidade para m\u00e3es de crian\u00e7as prematuras, feita por homens, que v\u00e3o decidir sozinhos sobre os nossos corpos. Obrigar uma mulher a levar adiante uma gesta\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a ac\u00e9fala ou fruto de estupro \u00e9 uma das maiores viol\u00eancias que se pode cometer. E os homens que est\u00e3o l\u00e1 decidindo isso, n\u00e3o est\u00e3o pensando nisso.\u201d<\/p>\n<p>Em nome da Frente de Mulheres Negras do DF e Entorno, a ativista Joseanes dos Santos ressaltou que os n\u00fameros oficiais mostram uma realidade muito pior para as mulheres negras no Brasil: ocupam os piores lugares da sociedade e enfrentam maior dificuldade para acessar cidadania, moradia, emprego e renda.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dez anos o n\u00famero de morte de mulheres negras aumentou 54%, enquanto o n\u00famero de mortes de mulheres brancas caiu 9%. O que \u00e9 isso? Racismo. N\u00f3s tamb\u00e9m ganhamos 51% a menos que as brancas no mercado de trabalho e a mortalidade materna entre negras \u00e9 68% maior que entre as brancas. A cor diferencia os dados.\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para ela, \u00e9 fundamental que sejam feitas pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para essas mulheres. \u201cVivemos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Precisamos enfrentar condi\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis para estudar e trabalhar e se eleger. Ao mesmo tempo, n\u00e3o existe nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica do governo brasileiro, nem nunca existiu, voltada para as negras brasileiras.\u201d<\/p>\n<p>Joseanes tamb\u00e9m falou sobre o que classifica como \u201cviol\u00eancia institucionalizada\u201d contra comunidades de periferia. \u201cN\u00f3s, negros, somos maioria nas periferias e favelas e sempre vivemos sob interven\u00e7\u00e3o militar.\u201d<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o ato ocorreu na Avenida Paulista. A mobiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou \u00e0s 16h na Pra\u00e7a Oswaldo Cruz e foi encerrada com uma batucada de mulheres em frente ao escrit\u00f3rio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, na mesma avenida, \u00e0s 20h30. No ato, grupos protestaram em defesa da democracia e contra a viol\u00eancia de g\u00eanero e as reformas da Previd\u00eancia e trabalhista.<\/p>\n<p>Os organizadores informaram que o ato reuniu 50 mil pessoas. A Pol\u00edcia Militar n\u00e3o estimou o n\u00famero de participantes.<\/p>\n<p> A estudante Rafaela Carvalho, integrante do Movimento Olga Ben\u00e1rio, disse que que o ato tinha como objetivo alertar para a necessidade de melhoria da vida das mulheres, sobretudo, as mais pobres\u201d.<\/p>\n<p>\u201cLutamos contra problemas como a falta de creche. Se a mulher n\u00e3o tem onde deixar os filhos, n\u00e3o tem como trabalhar e, com isso, muitas vezes tem que se sujeitar \u00e0 uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Enfrentamos tamb\u00e9m muitos casos de meninas mais jovens que precisam lidar com o ass\u00e9dio, que come\u00e7a com o fiufiu. A gente tenta, com o nosso trabalho, alcan\u00e7ar essas mulheres\u201d, ressaltou Rafaela.<\/p>\n<p>Da aldeia Guarani, localizada no pico do Jaragu\u00e1, a ind\u00edgena S\u00f4nia Ar\u00e1 participou do ato e destacou os desafios de desconstru\u00e7\u00e3o do machismo nas comunidades tradicionais. No come\u00e7o de tudo, as mulheres eram mais caladas. Hoje, a mulher tem empoderamento de sair e falar de sua comunidade\u201d, relatou. Ela conta que a aldeia que faz parte conta com uma organiza\u00e7\u00e3o de mulheres e que isso foi mudando a posi\u00e7\u00e3o feminina. \u201cDeixei marido e filho em casa. Disse: Estou indo pra marcha. E a gente conquistou essa liberdade. N\u00f3s fazemos parte da vida dos homens, mas eles n\u00e3o s\u00e3o nossos donos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A ativista Amelinha Teles, que resistiu \u00e0 ditadura militar, participa todos os anos dos eventos do dia 8 de mar\u00e7o em S\u00e3o Paulo. \u201cEste ato em 2018 tem uma import\u00e2ncia hist\u00f3rica porque \u00e9 demonstra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a feminista contra os retrocessos e perdas. \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m \u00e9 celebra\u00e7\u00e3o da luta hist\u00f3rica. \u00c9 mostrar que estamos aqui resistindo. N\u00f3s j\u00e1 recebemos sal\u00e1rios menores, temos menos visibilidade na pol\u00edtica, somos o alvo da viol\u00eancia de g\u00eanero, racista\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Cl\u00e1udia Garcez destacou que sua participa\u00e7\u00e3o no ato representava a experi\u00eancia de auto-organiza\u00e7\u00e3o feminina em uma ocupa\u00e7\u00e3o na zona leste de S\u00e3o Paulo. \u201cNa ocupa\u00e7\u00e3o Tereza de Benguela, a gente se organiza para o empoderamento das mulheres com os eixos sa\u00fade, gera\u00e7\u00e3o de renda, cultura e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, ressaltou.  No eixo gera\u00e7\u00e3o de renda, por exemplo, as mulheres produzem joias ecol\u00f3gicas com c\u00e1psulas de m\u00e1quina de caf\u00e9 expresso. \u201cO machismo nos afeta de forma estrutural e a gente est\u00e1 lutando para desconstruir aos poucos\u201d, disse.<\/p>\n<p>S\u00f4nia Coelho, da Marcha Mundial de Mulheres, uma das 90 entidades que organizaram o movimento, destacou que a desigualdade afeta sobretudo a vida das mulheres. N\u00f3s ainda somos as maiores respons\u00e1veis pelo trabalho dom\u00e9stico. Essas reformas [trabalhista e da Previd\u00eancia] aprofundam ainda mais a desigualdade entre homens e mulheres na nossa sociedade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Carolina Pimentel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifestantes promoveram atos em Bras\u00edlia e em S\u00e3o Paulo para marcar o Dia Internacional da Mulher e em defesa de direitos. 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