{"id":28103,"date":"2018-03-18T01:05:26","date_gmt":"2018-03-18T01:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=28103"},"modified":"2018-03-18T01:05:26","modified_gmt":"2018-03-18T01:05:26","slug":"comeca-novo-julgamento-contra-o-chacal-por-atentado-de-1974-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/comeca-novo-julgamento-contra-o-chacal-por-atentado-de-1974-em-paris\/","title":{"rendered":"Come\u00e7a novo julgamento contra o Chacal por atentado de 1974 em Paris"},"content":{"rendered":"<p>O julgamento em apela\u00e7\u00e3o contra o venezuelano Ilich Ram\u00edrez S\u00e1nchez, conhecido como Carlos, o Chacal, condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em 2017 por um atentado cometido em 1974 anos em Paris, come\u00e7ou nesta segunda-feira (5) na capital francesa.<\/p>\n<p>O Chacal, de 68, foi condenado \u00e0 pena m\u00e1xima em mar\u00e7o de 2017 pelo atentado terrorista de 15 de setembro de 1974 contra uma galeria comercial no bulevar parisiense de Saint Germain. No epis\u00f3dio, duas pessoas morreram, e dezenas ficaram feridas.<\/p>\n<p>Vestido todo de preto, Ram\u00edrez S\u00e1nchez entrou na sala de audi\u00eancias erguendo o punho direito, em atitude desafiadora, antes de jogar um beijo para os jornalistas.<\/p>\n<p>Figura emblem\u00e1tica dos grupos armados pr\u00f3-palestinos dos anos 1970 e 1980, sentado no banco dos r\u00e9us atr\u00e1s de um vidro, ele se apresentou aos ju\u00edzes como um revolucion\u00e1rio de profiss\u00e3o, de nacionalidade venezuelana e palestina.<\/p>\n<p>Ram\u00edrez S\u00e1nchez pediu \u00e0 corte que nomeasse como sua defensora p\u00fablica Isabelle Coutant-Peyre, que o defende h\u00e1 d\u00e9cadas e com quem se casou no religioso em 2011.<\/p>\n<p>Estamos em uma mis\u00e9ria total, justificou, em declara\u00e7\u00e3o aos magistrados.<\/p>\n<p>Este ser\u00e1 o \u00faltimo julgamento desse ex-ativista da causa palestina, que j\u00e1 enfrenta duas condena\u00e7\u00f5es a pris\u00e3o perp\u00e9tua por um triplo homic\u00eddio em 1975, em Paris, e por quatro atentados com explosivos nos anos 1980, que deixaram 11 mortos e 191 feridos.<\/p>\n<p>&#8211; Nova maratona de julgamentos &#8211;<\/p>\n<p>O Chacal, que durante muitos anos foi um dos mais procurados foragidos internacionais, comparecer\u00e1 durante duas semanas perante uma corte especial composta unicamente por magistrados competentes em casos de terrorismo.<\/p>\n<p>No fechamento do primeiro marat\u00f4nico julgamento, no qual testemunhas, especialistas e at\u00e9 ex-c\u00famplices deram seu depoimento, os ju\u00edzes consideraram que todos os elementos reunidos durante a investiga\u00e7\u00e3o convergiam para ele.<\/p>\n<p>Para a acusa\u00e7\u00e3o, o atentado contra o centro comercial Drugstore Publicis estava conectado com uma tomada de ref\u00e9ns em curso na embaixada francesa em Haia e protagonizada pelo Ex\u00e9rcito Vermelho japon\u00eas &#8211; um grupo armado de extrema esquerda.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico considerou que Carlos cometeu o ataque em Paris para pressionar o governo franc\u00eas em meio \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o com os sequestradores de Haia, que exigiam a liberta\u00e7\u00e3o de um de seus membros detido no aeroporto parisiense de Orly.<\/p>\n<p>O Ex\u00e9rcito Vermelho japon\u00eas estava ligado \u00e0 Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP), da qual Carlos havia-se convertido em um de seus bra\u00e7os armados na Europa.<\/p>\n<p>Nas audi\u00eancias, v\u00e1rias testemunhas apoiaram essa tese, incluindo um ex-companheiro de armas do Chacal. Hans Joachim Klein garantiu que o pr\u00f3prio Carlos lhe contou que foi ele que jogou a granada.<\/p>\n<p>&#8211; A viol\u00eancia se imp\u00f5e &#8211;<\/p>\n<p>Diante do tribunal, Carlos relatou sua inf\u00e2ncia em uma fam\u00edlia venezuelana abastada. Seu pai, um advogado marxista, chamou seus dois outros filhos de Lenin e Vladimir.<\/p>\n<p>Carlos contou ainda como despertou seu compromisso com a ideologia comunista e, posteriormente, com a luta armada, primeiro nos campos pr\u00f3-palestinos na Jord\u00e2nia e depois na Europa, \u00e0 servi\u00e7o da Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP).<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o decide um dia optar pela viol\u00eancia, \u00e9 ela que se imp\u00f5e a voc\u00ea. Os bombardeios israelenses me tornaram um militante da causa palestina. Ningu\u00e9m matou mais pessoas por esta causa do que eu e na minha idade me pergunto: como ainda estou vivo?<\/p>\n<p>A ser perguntado se matou dois policiais e um informante liban\u00eas em 1975 em Paris, Carlos respondeu: claro que sim.<\/p>\n<p>&#8211; Enormes inconsist\u00eancias &#8211;<\/p>\n<p>Com sua organiza\u00e7\u00e3o, Carlos reivindica orgulhoso ter matado pelo menos 1.500 pessoas, das quais 80 com suas pr\u00f3prias m\u00e3os, mas nega categoricamente qualquer envolvimento nesse atentado cometido no cora\u00e7\u00e3o de Paris.<\/p>\n<p>Seus advogados alegam que n\u00e3o h\u00e1 provas conclusivas que vinculem seu cliente com o atentado parisiense.<\/p>\n<p>Este caso est\u00e1 marcado por enormes inconsist\u00eancias: testemunhas manipuladas pelos servi\u00e7os de seguran\u00e7a, mentirosos, provas falsas. Vamos destrinchar tudo e vamos pedir que seja absolvido, disse \u00e0 AFP Francis Vuillemin, um dos advogados hist\u00f3ricos do venezuelano.<\/p>\n<p>Para o diretor da Associa\u00e7\u00e3o Francesa de V\u00edtimas do Terrorismo (AfVT), Guillaume Denoix de Saint-Marc, este novo julgamento ser\u00e1 uma prova a mais para os sobreviventes do ataque. Muitos &#8211; afirma ele &#8211; n\u00e3o voltar\u00e3o a testemunhar, porque j\u00e1 foi muito doloroso da primeira vez.<\/p>\n<p>Mais de 40 anos depois dos fatos, o que eles esperam desse novo julgamento &#8211; completou Saint-Marc &#8211; \u00e9 que os ju\u00edzes confirmem sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua.<\/p>\n<p>Ilich Ram\u00edrez S\u00e1nchez est\u00e1 preso na Fran\u00e7a desde que foi capturado em 1994 em uma opera\u00e7\u00e3o da espionagem francesa no Sud\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O julgamento em apela\u00e7\u00e3o contra o venezuelano Ilich Ram\u00edrez S\u00e1nchez, conhecido como Carlos, o Chacal, condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em 2017 por um atentado cometido em 1974 anos em Paris, come\u00e7ou nesta segunda-feira (5) na capital francesa. 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