{"id":2806,"date":"2017-12-23T04:46:54","date_gmt":"2017-12-23T04:46:54","guid":{"rendered":"http:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=2806"},"modified":"2017-12-23T04:46:54","modified_gmt":"2017-12-23T04:46:54","slug":"quase-6-700-rohingyas-morreram-no-primeiro-mes-de-violencia-em-mianmar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/quase-6-700-rohingyas-morreram-no-primeiro-mes-de-violencia-em-mianmar\/","title":{"rendered":"Quase 6.700 rohingyas morreram no primeiro m\u00eas de viol\u00eancia em Mianmar"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos 6.700 rohingyas morreram entre o fim de agosto e setembro em Mianmar, durante uma opera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito &#8211; aponta uma estimativa in\u00e9dita publicada nesta quinta-feira (14) pela ONG M\u00e9dicos sem Fronteiras (MSF).<\/p>\n<p>Os n\u00fameros incluem apenas o primeiro m\u00eas de viol\u00eancia, que provocou um \u00eaxodo ainda em curso. Segundo a MSF, as pessoas que fogem garantem ter sofrido viol\u00eancia nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Os estudos mostram que pelo menos 71,7% dos \u00f3bitos se devem \u00e0 viol\u00eancia, incluindo (viol\u00eancia) contra crian\u00e7as de menos de cinco anos. Isso representa pelo menos 6.700 pessoas, entre elas 730 crian\u00e7as, disse a MSF, que conversou com mais de 11.000 refugiados em Bangladesh para chegar a essa estimativa.<\/p>\n<p>De acordo com o m\u00e9dico Sidney Wong, que atua na ONG, o n\u00famero de falecimentos est\u00e1, provavelmente, subestimado, porque o alcance e a natureza da viol\u00eancia s\u00e3o espantosas.<\/p>\n<p>Ouvimos pessoas que contam como morreram fam\u00edlias inteiras depois que as For\u00e7as Armadas as trancaram em suas casas e as incendiaram, relata.<\/p>\n<p>Segundo os dados coletados em milhares de entrevistas, 69% das v\u00edtimas morreram por disparos de bala; 9%, v\u00edtimas de queimaduras letais; e 5%, por espancamento.<\/p>\n<p>Quase cada fam\u00edlia rohingya teve um, ou v\u00e1rios de seus membros assassinados, disse \u00e0 AFP Mohamad Zubir, um professor rohingya h\u00e1 25 anos refugiado em Bangladesh e que \u00e9 l\u00edder da comunidade local.<\/p>\n<p>E, durante sua fuga, longe de seus povoados no estado de Rakain, viram as estradas e as casas cheias de mortos, acrescenta, explicando que os n\u00fameros da MSF s\u00e3o muito inferiores \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia em Mianmar levou cerca de 640.000 rohingyas a fugirem para Bangladesh. Esse n\u00famero representa cerca de metade dessa comunidade mu\u00e7ulmana que vive, principalmente, em Rakain, no oeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8211; Elementos de genoc\u00eddio &#8211;<\/p>\n<p>De acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, em declara\u00e7\u00f5es no in\u00edcio de dezembro, h\u00e1 elementos de genoc\u00eddio contra os rohingyas em Mianmar. O \u00f3rg\u00e3o pediu que se abra uma investiga\u00e7\u00e3o internacional sobre o caso.<\/p>\n<p>O Ex\u00e9rcito birman\u00eas nega que esteja lan\u00e7ando repres\u00e1lias contra os civis e aponta, at\u00e9 agora, um balan\u00e7o de menos de 400 mortos. Todos eles seriam terroristas rohingyas, segundo os militares.<\/p>\n<p>Os confrontos de agosto come\u00e7aram quando os ataques de grupos rebeldes a delegacias de pol\u00edcia deflagraram a repress\u00e3o das for\u00e7as da ordem, que incendiaram cidades e reprimiram civis.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros da MSF contradizem os do Ex\u00e9rcito birman\u00eas, que publicou, em meados de novembro, suas conclus\u00f5es de uma investiga\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Os soldados n\u00e3o cometeram agress\u00f5es sexuais, nem mataram civis. N\u00e3o prenderam, n\u00e3o agrediram, nem mataram habitantes dos povoados, declara o informe, que diz ter-se baseado em 2.800 depoimentos de mu\u00e7ulmanos, coletados em condi\u00e7\u00f5es de independ\u00eancia que n\u00e3o puderam ser verificadas.<\/p>\n<p>O Ex\u00e9rcito confirmou somente ter atirado contra um grupo de rohingyas, ap\u00f3s ataque a soldados, alegando que se tratou de leg\u00edtima defesa.<\/p>\n<p>Os rohingyas s\u00e3o o maior povo ap\u00e1trida do mundo desde que, em 1982, Mianmar, ent\u00e3o sob regime militar, retirou sua nacionalidade.<\/p>\n<p>V\u00edtimas da discrimina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam documentos de identidade, n\u00e3o podem viajar, nem se casar sem autoriza\u00e7\u00e3o, e tampouco t\u00eam acesso ao mercado de trabalho, ou a servi\u00e7os p\u00fablicos, como escolas e hospitais.<\/p>\n<p>Segundo a Anistia Internacional, \u00e9 praticamente uma situa\u00e7\u00e3o de Apartheid.<\/p>\n<p>Nessas circunst\u00e2ncias, a MSF considera que o recente acordo entre os governos de Bangladesh e de Mianmar sobre a repatria\u00e7\u00e3o dos rohingyas que fugiram da viol\u00eancia \u00e9 prematuro.<\/p>\n<p>Nada garante que os rohingyas n\u00e3o se ver\u00e3o, de novo, submetidos \u00e0 viol\u00eancia e a graves viola\u00e7\u00f5es de seus direitos, se forem devolvidos para Mianmar, advertiu a MSF.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 6.700 rohingyas morreram entre o fim de agosto e setembro em Mianmar, durante uma opera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito &#8211; aponta uma estimativa in\u00e9dita publicada nesta quinta-feira (14) pela ONG M\u00e9dicos sem Fronteiras (MSF). 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