{"id":27622,"date":"2018-03-17T22:10:16","date_gmt":"2018-03-17T22:10:16","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=27622"},"modified":"2018-03-17T22:10:16","modified_gmt":"2018-03-17T22:10:16","slug":"odebrecht-contribuiu-com-campanhas-de-quatro-presidentes-peruanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/odebrecht-contribuiu-com-campanhas-de-quatro-presidentes-peruanos\/","title":{"rendered":"Odebrecht contribuiu com campanhas de quatro presidentes peruanos"},"content":{"rendered":"<p>As campanhas eleitorais peruanas de 2006 e 2011 tiveram um mecenas nas sombras: a empreiteira Odebrecht, segundo seu ex-chefe no Peru Jorge Barata, que confessou ter dividido milh\u00f5es de d\u00f3lares entre quatro ocupantes sucessivos da cadeira presidencial.<\/p>\n<p>Barata declarou que entregou dinheiro para as campanhas do presidente Pedro Pablo Kuczynski, de tr\u00eas ex-chefes de Estado e de Keiko Fujimori, segundo revelou nesta quinta-feira (1) o site de investiga\u00e7\u00f5es IDL-Reporteros.<\/p>\n<p>Ao depor na ter\u00e7a e quarta-feira diante dos procuradores peruanos Germ\u00e1n Ju\u00e1rez e Domingo P\u00e9rez em S\u00e3o Paulo, Barata assinalou que a Odebrecht fez contribui\u00e7\u00f5es para as campanhas de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan Garc\u00eda (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016), informou o site, que periodicamente divulga not\u00edcias sobre este esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>A Odebrecht admitiu anteriormente que desembolsou propinas no valor de 29 milh\u00f5es de d\u00f3lares no Peru entre 2005 e 2014, durante os governos de Toledo, Garc\u00eda e Humala.<\/p>\n<p>Os cinco envolvidos negaram, antes e depois dos interrogat\u00f3rios de Barata, ter recebido dinheiro da Odebrecht.<\/p>\n<p>&#8211; Apoio a quatro candidatos em 2011 &#8211;<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2011, a Odebrecht contribuiu ou canalizou contribui\u00e7\u00f5es para quatro candidatos: tr\u00eas milh\u00f5es de d\u00f3lares para Ollanta Humala; 1,2 milh\u00e3o para Keiko Fujimori; 700 mil d\u00f3lares para Toledo; e 300 mil d\u00f3lares para PPK, declarou Barata aos procuradores, de acordo com o site, que \u00e9 comandado pelo famoso jornalista peruano Gustavo Gorriti.<\/p>\n<p>Humala, o mais favorecido pela Odebrecht na campanha de 2011, ganhou as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ex-chefe da Odebrecht no Peru informou que a contribui\u00e7\u00e3o entregue (a Kuczynski) foi de 300 mil d\u00f3lares e quem recebeu o dinheiro foi Susana de la Puente, atual embaixadora do governo de Kuczynski no Reino Unido, indicou o IDL-Reporteros.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es anteriores, de 2006, a Odebrecht somente colaborou com dinheiro a Garc\u00eda, que acabou sendo o vencedor. Recebeu 200 mil d\u00f3lares, de acordo com Barata, que contou que entregava pessoalmente o dinheiro em esp\u00e9cie a assessores de confian\u00e7a ou parentes dos candidatos.<\/p>\n<p>A pessoa que coordenou a doa\u00e7\u00e3o e recebeu o dinheiro foi, segundo Barata, Luis Alva Castro, o veterano l\u00edder aprista, informou o site.<\/p>\n<p>Sobre Toledo tamb\u00e9m pesa a acusa\u00e7\u00e3o de que a Odebrecht pagou a ele 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares quando era presidente para obter a licita\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de uma estrada na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A Suprema Corte peruana deve decidir na segunda-feira se autoriza o pedido de extradi\u00e7\u00e3o de Toledo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Barata tamb\u00e9m revelou ter dado dinheiro \u00e0 campanha de Keiko Fujimori, filha do ex-governante Alberto Fujimori (1990-2000), que foi candidata em 2011 e 2016.<\/p>\n<p>Na campanha presidencial de 2011, a Odebrecht colaborou com um 1,2 milh\u00e3o de d\u00f3lares \u00e0 candidatura de Keiko. Dessa quantia, pelo menos um milh\u00e3o de d\u00f3lares veio do que, como um eufemismo, se chama de dinheiro n\u00e3o contabilizado. Ou seja, dinheiro il\u00edcito manejado pelo que foi o Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas da Odebrecht, assinalou o site.<\/p>\n<p>O primeiro milh\u00e3o foi entregue a dois dirigentes de alto escal\u00e3o do fujimorismo de ent\u00e3o: Jaime Yoshiyama e Augusto Bedoya, acrescentou.<\/p>\n<p>Em sua primeira a\u00e7\u00e3o ap\u00f3s os interrogat\u00f3rios em S\u00e3o Paulo, a Procuradoria peruana fez uma opera\u00e7\u00e3o nesta quinta na sede da c\u00fapula empresarial do Peru, a Confiep, confiscando documenta\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil, pois o ex-chefe da Odebrecht declarou que uma contribui\u00e7\u00e3o de 200 mil d\u00f3lares para a campanha de Keiko foi entregue por meio desta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Barata disse que o ent\u00e3o presidente da Confiep, Ricardo Brice\u00f1o, havia convocado um grupo de empres\u00e1rios proeminentes porque a candidatura de Keiko estava com problemas diante do avan\u00e7o de Humala.<\/p>\n<p>Diferentemente de outras contribui\u00e7\u00f5es, o montante entregue \u00e0 Confiep para apoiar Keiko ficou registrado em dois livros cont\u00e1beis da Odebrecht, segundo Barata.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o deu nenhuma prova &#8211;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o depoimento de Barata, alguns candidatos envolvidos se pronunciaram sobre as acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ex-chefe da Odebrecht n\u00e3o deu nenhuma prova. N\u00e3o recebi nada de Barata e tudo ser\u00e1 investigado para mostrar que n\u00e3o houve contribui\u00e7\u00e3o, declarou Kuczynski nesta quinta-feira ao Canal 7.<\/p>\n<p>Quero ratificar o que disse muitas vezes: n\u00e3o recebi dinheiro de Marcelo Odebrecht, nem de sua empresa, e que fique bem claro que tampouco do senhor Jorge Barata, assegurou Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), durante coletiva de imprensa na quarta-feira.<\/p>\n<p>Nem a minha campanha nem o Partido Aprista receberam em 2006 qualquer doa\u00e7\u00e3o da Odebrecht, afirmou Garc\u00eda na quarta-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As campanhas eleitorais peruanas de 2006 e 2011 tiveram um mecenas nas sombras: a empreiteira Odebrecht, segundo seu ex-chefe no Peru Jorge Barata, que confessou ter dividido milh\u00f5es de d\u00f3lares entre quatro ocupantes sucessivos da cadeira presidencial. 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