{"id":27552,"date":"2018-03-17T21:44:51","date_gmt":"2018-03-17T21:44:51","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=27552"},"modified":"2018-03-17T21:44:51","modified_gmt":"2018-03-17T21:44:51","slug":"segundo-dia-de-juri-de-policial-em-sao-paulo-tem-depoimentos-de-testemunhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/segundo-dia-de-juri-de-policial-em-sao-paulo-tem-depoimentos-de-testemunhas\/","title":{"rendered":"Segundo dia de j\u00fari de policial em S\u00e3o Paulo tem depoimentos de testemunhas"},"content":{"rendered":"<p>Doze testemunhas, sendo tr\u00eas delas da acusa\u00e7\u00e3o, foram ouvidas hoje (28), entre as 10h30 e 17h10, no segundo dia do j\u00fari popular do policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos, acusado de participa\u00e7\u00e3o nas chacinas de Osasco e de Barueri, ocorridas no dia 13 de agosto de 2015, que provocaram 17 mortes. Com as quatro testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o ouvidas ontem (27), j\u00e1 s\u00e3o 16 o total de pessoas ouvidas. Amanh\u00e3 (29), o j\u00fari prossegue com os depoimentos de tr\u00eas testemunhas de defesa e o interrogat\u00f3rio do r\u00e9u.<\/p>\n<p>As testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o ouvidas hoje eram uma v\u00edtima e dois familiares de v\u00edtimas. Uma delas, o pai de uma adolescente que foi morta na chacina. Elas falaram sobre o dia dos crimes, mas nenhuma delas apontou quem foi o autor da morte. Durante o depoimento dessas testemunhas, o policial foi retirado da sala.<\/p>\n<p>Depois dessas testemunhas, a ju\u00edza \u00c9lia Kinosita Bulman determinou o intervalo para o almo\u00e7o, e ent\u00e3o come\u00e7ou a ouvir as testemunhas de defesa. Quatro delas eram policiais que trabalharam com Cristilder. Eles disseram que seria imposs\u00edvel Cristilder ter participado das chacinas porque ele estava no quartel neste dia, estudando para uma prova que faria para o posto de sargento.<\/p>\n<p>Segundo essas testemunhas, no dia dos crimes, Cristilder fez escala das 7h as 19h. Encerrado o hor\u00e1rio de trabalho, ele permaneceu na base militar, como faz comumente, para evitar o tr\u00e2nsito na regi\u00e3o na volta para casa. Segundo as testemunhas, Cristilder s\u00f3 deixou o local por volta das 22h30, hor\u00e1rio em que as chacinas j\u00e1 teriam terminado. As testemunhas tamb\u00e9m afirmaram que n\u00e3o h\u00e1 controle de entrada e de sa\u00edda no local, argumento que \u00e9 utilizado pela acusa\u00e7\u00e3o para afirmar que Cristilder pode ter deixado o quartel logo ap\u00f3s seu hor\u00e1rio de trabalho para cometer os crimes.<\/p>\n<p>Troca de mensagens<\/p>\n<p>Estes policiais tamb\u00e9m disseram que, naquela noite, Cristilder informou a eles que estava esperando a visita de um guarda municipal, que o procuraria para entregar um livro t\u00e9cnico, \u00fatil para a prova que iria prestar para o curso de sargento. Segundo a defesa, esse livro explicaria os dois sinais de joinha (emojis com sinal positivo) que foram trocados entre Cristilder e o guarda municipal naquela noite, entendido pela acusa\u00e7\u00e3o como um acordo para combinar os hor\u00e1rios de in\u00edcio e de t\u00e9rmino da chacina. Naquela noite, disseram os policiais, o guarda n\u00e3o apareceu para entregar o livro a Cristilder. Todos os policiais disseram ainda que ele era um bom policial.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi ouvido o capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito onde Cristilder trabalhou antes de entrar para a PM, que disse que ele era um \u00f3timo militar. Ele tamb\u00e9m confirmou que nenhuma muni\u00e7\u00e3o ou armamento foi roubado do Ex\u00e9rcito enquanto Cristilder l\u00e1 trabalhava. Segundo a investiga\u00e7\u00e3o, alguma das armas utilizadas nas chacinas eram do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Outra testemunha ouvida foi o ex-advogado do r\u00e9u, Charles dos Santos Cabral Rocha [que j\u00e1 trabalhou no mesmo escrit\u00f3rio do atual defensor de Cristilder e que, atualmente, trabalha no escrit\u00f3rio da advogada de um outro policial que foi condenado pela chacina de Osasco] e que reclamou de que os investigadores dificultaram o trabalho da defesa durante a apura\u00e7\u00e3o dos crimes.<\/p>\n<p>Um ex-vizinho do policial, para quem Cristilder trabalhou ajudando a vender galinhas nas ruas de Carapicu\u00edba, tamb\u00e9m prestou depoimento, e disse que nunca soube que o apelido de Cristilder fosse Boy. \u201cConhe\u00e7o ele como Ded\u00e9\u201d, disse o vizinho.<\/p>\n<p>A defesa tamb\u00e9m chamou como testemunha um gerente de seguran\u00e7a do Supermercado Chama. Em seu depoimento, ele negou conhecer Cristilder. A acusa\u00e7\u00e3o diz que o policial fazia bicos de seguran\u00e7a e que, inclusive, era o chefe de seguran\u00e7a desse supermercado, o que foi negado pela testemunha. Segundo essa testemunha, o \u00fanico policial que faz bico de seguran\u00e7a para o supermercado \u00e9 um policial reformado.<\/p>\n<p>M\u00e3e de v\u00edtima<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi ouvida a m\u00e3e de Michael, rapaz que foi assassinado no dia 8 de agosto de 2015, no epis\u00f3dio que ficou conhecido como pr\u00e9-chacina. A m\u00e3e, de in\u00edcio, pediu para que Cristilder fosse retirado da sala enquanto estivesse depondo. Depois, indagada pela ju\u00edza sobre porque pediu que Cristilder fosse retirada da sala, ela negou que tivesse feito o pedido e a ju\u00edza ent\u00e3o solicitou que o policial voltasse para o j\u00fari.<\/p>\n<p>A m\u00e3e olhou para Cristilder em dois momentos e, em ambos, disse n\u00e3o o reconhecer e que nunca soube que ele pudesse ter sido amigo do filho. Cristilder \u00e9 apontado por uma testemunha como o policial respons\u00e1vel pela morte de Michael.<\/p>\n<p>Em todo o seu depoimento, indagada pela defesa e pela acusa\u00e7\u00e3o, a m\u00e3e disse que n\u00e3o conhecia ou sabia o nome de nenhum amigo do filho e tamb\u00e9m disse n\u00e3o saber como ele foi morto. Ela disse ainda que n\u00e3o tinha conhecimento de que o filho tinha algum amigo policial conforme disse a testemunha protegida Beta, que estava ao lado de Michael quando ele foi assassinado naquela noite.<\/p>\n<p>Segundo Beta informou aos investigadores, Michael foi morto por um policial de apelido Boy [apelido de Cristilder e que mais tarde se descobriu tamb\u00e9m ser o apelido de um outro policial parecido com Cristilder] e que o assassino era amigo da v\u00edtima.<\/p>\n<p>O j\u00fari ocorre no F\u00f3rum de Osasco. Quatro homens e tr\u00eas mulheres v\u00e3o decidir se condenam ou absolvem o policial por participa\u00e7\u00e3o nas mortes. O policial \u00e9 acusado de ter trocado mensagens no celular com um guarda municipal para avisar sobre o in\u00edcio da chacina. Al\u00e9m disso, ele teria dirigido um dos carros utilizados na chacina e efetuado disparos com armas de fogo contra as v\u00edtimas. Ele foi acusado por oito mortes e tamb\u00e9m por tentativa de homic\u00eddio.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que o julgamento termine na sexta-feira com a fase de debates da defesa e da acusa\u00e7\u00e3o, que ter\u00e3o uma hora e meia cada para sua argumenta\u00e7\u00e3o. S\u00f3 ent\u00e3o o j\u00fari popular se reunir\u00e1 para decidir se condena ou n\u00e3o o policial militar.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doze testemunhas, sendo tr\u00eas delas da acusa\u00e7\u00e3o, foram ouvidas hoje (28), entre as 10h30 e 17h10, no segundo dia do j\u00fari popular do policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos, acusado de participa\u00e7\u00e3o nas chacinas de Osasco e de Barueri, ocorridas no dia 13 de agosto de 2015, que provocaram 17 mortes. 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