{"id":26010,"date":"2018-02-27T07:11:32","date_gmt":"2018-02-27T07:11:32","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=26010"},"modified":"2018-02-27T07:11:32","modified_gmt":"2018-02-27T07:11:32","slug":"orquestra-se-transforma-em-refugio-de-imigrantes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/orquestra-se-transforma-em-refugio-de-imigrantes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Orquestra se transforma em ref\u00fagio de imigrantes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 26 fev (EFE).- Com a m\u00fasica como linguagem comum, a Orquestra Mundana Refugi, composta por artistas brasileiros e imigrantes de diferentes partes do mundo, entoa os acordes da diversidade cultural com um repert\u00f3rio que busca conscientizar sobre a imigra\u00e7\u00e3o e a conviv\u00eancia entre povos.<\/p>\n<p>Essa orquestra de S\u00e3o Paulo esconde hist\u00f3rias assustadoras de Ir\u00e3, S\u00edria, Palestina, Guin\u00e9 e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, nas quais seus protagonistas, que fugiram dos seus pa\u00edses para realizar seus sonhos ou simplesmente sobreviver, conhecem de perto o significado da supera\u00e7\u00e3o e do sacrifico.<\/p>\n<p>O compositor Carlinhos Antunes, mentor do projeto, lidera um grupo com 19 integrantes de idiomas e dramas diferentes, imigrantes, alguns em situa\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio, chegados de S\u00edria, Palestina, Guin\u00e9, Congo, Fran\u00e7a e outras cidades do Brasil.<\/p>\n<p>Todos podem cantar nos seus idiomas e em idiomas que n\u00e3o s\u00e3o seus. Os congoleses, por exemplo, cantam em portugu\u00eas e suajili e os iranianos fazem o mesmo em espanhol e portugu\u00eas, ou seja, o interessante \u00e9 que, al\u00e9m de comunicar-se em outros idiomas, possam fixar-se em outras culturas, declarou Antunes \u00e0 Ag\u00eancia Efe.<\/p>\n<p>Para alguns componentes do grupo, esta orquestra representa um prezado ref\u00fagio perante a falta de liberdade de express\u00e3o nos seus pa\u00edses, como a iraniana Mah Mooni, que, apesar de ter perdido uma perna em um acidente de \u00f4nibus, tem for\u00e7as de sobra para perseguir no Brasil o sonho de ser cantora.<\/p>\n<p>As mulheres no Ir\u00e3 n\u00e3o podemos cantar sozinhas em p\u00fablico. Eu sempre quis ser cantora, esse foi o principal motivo para vir ao Brasil, disse Mooni, que voltou a nascer quando conheceu Carlinhos Antunes.<\/p>\n<p>Mooni re\u00fane-se com seus demais companheiros em um est\u00fadio de m\u00fasica em um bairro da capital paulista para ensaiar as \u00faltimas pe\u00e7as antes do concerto que estava previsto para este domingo, onde, entre outras can\u00e7\u00f5es, apresentariam um novo tema de composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e As Caravanas, composta e cedida por Chico Buarque.<\/p>\n<p>No entanto, a apresenta\u00e7\u00e3o teve que ser cancelada devido aos casos de febre amarela registrados no local do show.<\/p>\n<p>Na sala de ensaios, cada um deles outorga um significado diferente \u00e0 vers\u00e3o de As Caravanas, uma can\u00e7\u00e3o com m\u00faltiplos sentidos, mas que tamb\u00e9m fala sobre os que migram e s\u00e3o julgados.<\/p>\n<p>A letra da can\u00e7\u00e3o &#8211; t\u00eam que matar, t\u00eam que bater, engrossa a gritaria &#8211; ganha for\u00e7a \u00e0 medida que \u00e9 repetida pelos membros da orquestra, que sentem cada palavra como se fosse sua.<\/p>\n<p>Para mim a can\u00e7\u00e3o \u00e9 um grito, o que estamos cantando aqui est\u00e1 acontecendo agora no meu pa\u00eds, contou Mariama Camara, uma dan\u00e7arina, cantora e percussionista guineana que chegou a S\u00e3o Paulo como refugiada h\u00e1 uma d\u00e9cada deixando suas filhas para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Para Carlinhos Antunes, As Caravanas \u00e9 um reflexo da hist\u00f3ria dos componentes do grupo, mas ao mesmo tempo fala da situa\u00e7\u00e3o atual (de crise de seguran\u00e7a) do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A letra de Chico pode ser encarada como uma revela\u00e7\u00e3o, algo que cantou est\u00e1 acontecendo agora, comentou Leonardo Matumona, congol\u00eas de 22 anos que chegou ao Brasil quando era menor para escapar da complicada situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Angola, onde vivia antes de chegar ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com os olhos fechados, os integrantes da orquestra escutam a primeira vers\u00e3o que gravaram de As Caravanas, na qual se misturam os sentimentos, enquanto alguns lembram o passado, muitas vezes doloroso, que deixaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Para Mariama a banda representa um abrigo contra a dor. Para Leonardo, cantar \u00e9 um modo de agradecer por aquelas pessoas que lhe acolheram ap\u00f3s deixar Angola.<\/p>\n<p>Cantar me d\u00e1 muita for\u00e7a, me faz esquecer muitas coisas que vivi no meu pa\u00eds at\u00e9 vir aqui e me faz sentir melhor, destacou Mariama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 26 fev (EFE).- Com a m\u00fasica como linguagem comum, a Orquestra Mundana Refugi, composta por artistas brasileiros e imigrantes de diferentes partes do mundo, entoa os acordes da diversidade cultural com um repert\u00f3rio que busca conscientizar sobre a imigra\u00e7\u00e3o e a conviv\u00eancia entre povos. 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