{"id":25940,"date":"2018-02-27T06:42:25","date_gmt":"2018-02-27T06:42:25","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=25940"},"modified":"2018-02-27T06:42:25","modified_gmt":"2018-02-27T06:42:25","slug":"estudo-mostra-que-machismo-retira-r-461-bi-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/estudo-mostra-que-machismo-retira-r-461-bi-da-economia\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que machismo retira R$ 461 bi da economia"},"content":{"rendered":"<p>O machismo corporativo custa ao Brasil R$ 461 bilh\u00f5es. Essa \u00e9 a quantia que seria injetada na economia do pa\u00eds de uma vez s\u00f3 se os sal\u00e1rios de homens e mulheres fossem equiparados, segundo a pesquisa \u201cBrasileiras\u201d, do instituto Locomotiva. \u201cA naturaliza\u00e7\u00e3o do machismo \u00e9, ao mesmo tempo, causa e consequ\u00eancia da desigualdade de g\u00eanero\u201d, conta o presidente do instituto, Renato Meirelles. No levantamento, ele d\u00e1 seu pr\u00f3prio exemplo. \u201cSou homem, branco, paulistano, com curso superior e tenho 39 anos. Pelo simples fato de ser homem, ganho 69% a mais do que uma mulher, branca, paulistana, de 39 anos, com a mesma forma\u00e7\u00e3o\u201d, aponta. Dados do IBGE do terceiro trimestre de 2017 mostram que a m\u00e9dia de rendimento das brasileiras \u00e9 24,26% menor que a dos homens no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um estudo de 2017 feito pelo site da Catho com mais de 13 mil profissionais avaliou a m\u00e9dia salarial de homens e mulheres em 38 \u00e1reas, e s\u00f3 em duas as mulheres tinham sal\u00e1rios maiores: academias e empresas de comunica\u00e7\u00e3o e editora\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na \u00e1rea de contabilidade, por exemplo, mulheres ganham, em m\u00e9dia, 44,9% menos que os homens. \u201cEssa realidade \u00e9 resultado de uma cultura machista que s\u00f3 permitiu que a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres brasileiras pudesse dar seus primeiros passos na d\u00e9cada de 70\u201d, diz a consultora de carreira da Catho Elen Souza.<\/p>\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o da mulher profissional no mercado de trabalho ainda est\u00e1 ligada \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas. \u201cHistoricamente as mulheres n\u00e3o s\u00e3o vistas como profissionais com o mesmo grau de comprometimento que um homem, afinal as tarefas do lar e o papel de cuidar de filhos s\u00e3o erroneamente atribu\u00eddos somente a elas\u201d, diz Elen Souza. Um estudo da Catho mostra que as mulheres deixam o trabalho seis vezes mais que os homens para cuidar de filhos.<\/p>\n<p>A professora de direito do trabalho na PUC Minas e na OAB-MG Raquel Betty de Castro Pimenta lembra que a responsabilidade pelos idosos tamb\u00e9m recai sobre a mulher. \u201cO cuidado com filhos e idosos ainda \u00e9 visto na sociedade organizada como responsabilidade da mulher\u201d, afirma. Para a professora, o pensamento dificulta tanto a inser\u00e7\u00e3o como a promo\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Vida p\u00f3s-maternidade. A empres\u00e1ria e coach Mel Bracarense, 39, encontrou no empreendedorismo uma forma de manter a carreira ap\u00f3s a maternidade. Gerente de recursos humanos por 15 anos, ela foi demitida quatro meses ap\u00f3s o nascimento do primeiro filho. \u201cFoi o dia mais dif\u00edcil da minha vida. Ali eu vi que n\u00e3o ia continuar no mercado de trabalho\u201d, relata.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa do instituto Locomotiva, 68% das mulheres concordam que \u201cpara uma m\u00e3e \u00e9 melhor ter o pr\u00f3prio neg\u00f3cio do que trabalhar em uma empresa, assim ela tem mais flexibilidade para cuidar dos filhos\u201d. Hoje, Mel mant\u00e9m o projeto M\u00e3es com Carreira, que ajuda mulheres a investirem na pr\u00f3pria empresa. \u201cNo Brasil, 75% das mulheres que empreendem o fazem depois da maternidade\u201d, afirma Mel. Ela aponta a diferen\u00e7a de tratamento que os homens recebem. \u201cNas entrevistas com mulheres \u00e9 n\u00edtida a preocupa\u00e7\u00e3o com cuidado, se tinham filho, se teriam que levar ao pediatra, preocupa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o aparecia quando se contratava um homem, mesmo que ele fosse pai\u201d, diz.<\/p>\n<p>Presen\u00e7a<\/p>\n<p>Dados. A participa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado formal de trabalho passou de 40,8% em 2007 para 44% em 2016, segundo a Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (Rais), do Minist\u00e9rio do Trabalho.<br \/>\nFalta pol\u00edtica p\u00fablica de apoio ao cuidado com filhos e idosos<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira e as normas internacionais ratificadas pelo Brasil s\u00e3o positivas para coibir disparidades salariais entre homens e mulheres, mas faltam pol\u00edticas p\u00fablicas para apoiar a mulher profissional, na avalia\u00e7\u00e3o da professora de direito do trabalho da PUC Minas e da OAB-MG Raquel Betty de Castro Pimenta.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio investir em pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam a inser\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, como creches de qualidade, locais para idosos, estrutura de transporte seguro para a mulher\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas acham que, por poder engravidar, as mulheres n\u00e3o podem ser promovidas, porque v\u00e1rias deixam o mercado de trabalho por n\u00e3o terem onde deixar os filhos\u201d, diz o presidente do instituto Locomotiva, Renato Meirelles. Ele diz que 24% das mulheres que trabalham j\u00e1 trocaram de emprego uma vez para se dedicarem mais \u00e0 fam\u00edlia, contra 17% dos homens.<\/p>\n<p>Minientrevista<\/p>\n<p>Elen Souza \/ Consultora de carreira Catho<\/p>\n<p>Quais os desafios enfrentados pela mulher no mercado de trabalho que explicam os sal\u00e1rios mais baixos?<br \/>\nHistoricamente as mulheres n\u00e3o s\u00e3o vistas como profissionais com o mesmo grau de comprometimento que um homem, afinal as tarefas do lar e o papel de cuidar de filhos s\u00e3o erroneamente atribu\u00eddos somente a elas. Al\u00e9m disso, elas enfrentam dificuldade para reingressar no mercado ap\u00f3s serem m\u00e3es. No entanto, isso nem sempre \u00e9 uma regra, e, hoje em dia, existem mais possibilidades para conciliar a vida pessoal e a vida profissional, como hor\u00e1rio flex\u00edvel e home office. As profissionais em cargos estrat\u00e9gicos possuem mais recursos para conciliar com assertividade as demandas.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tem melhorado para a mulher?<br \/>\nSim, com pequenos, mas importantes passos. No Brasil, segundo o Relat\u00f3rio de Desigualdade Global de G\u00eanero 2016 do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, ainda levaremos cem anos para ter equipara\u00e7\u00e3o salarial entre homens e mulheres. \u00c9 um longo caminho, mas as oportunidades para mudar esses cen\u00e1rios est\u00e3o no radar das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O machismo corporativo custa ao Brasil R$ 461 bilh\u00f5es. 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