{"id":25599,"date":"2018-02-26T03:57:33","date_gmt":"2018-02-26T03:57:33","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=25599"},"modified":"2018-02-26T03:57:33","modified_gmt":"2018-02-26T03:57:33","slug":"recuperacao-de-mananciais-passa-por-solucoes-para-moradia-nas-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/recuperacao-de-mananciais-passa-por-solucoes-para-moradia-nas-cidades\/","title":{"rendered":"Recupera\u00e7\u00e3o de mananciais passa por solu\u00e7\u00f5es para moradia nas cidades"},"content":{"rendered":"<p>Com os crescentes riscos \u00e0 seguran\u00e7a h\u00eddrica das metr\u00f3poles brasileiras, a preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos mananciais se torna um tema cada vez mais importante. A discuss\u00e3o envolve outras quest\u00f5es de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o, como a falta de moradias nos centros urbanos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passe pelo problema na habita\u00e7\u00e3o. Quando a gente fala disso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se resolver uma coisa sem resolver a outra. H\u00e1 um d\u00e9ficit gigantesco de moradia, nas \u00e1reas metropolitanas principalmente. As pessoas acabam indo morar onde conseguem\u201d, enfatiza o presidente do Instituto Trata Brasil, \u00c9dison Carlos.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o dos mananciais est\u00e3o entre os pontos da agenda do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, organizado pelo Conselho Mundial da \u00c1gua, que ser\u00e1 realizado em Bras\u00edlia de 18 a 23 de mar\u00e7o. V\u00e1rios projetos desenvolvidos em munic\u00edpios brasileiros ser\u00e3o apresentados durante o evento.<\/p>\n<p>A prefeitura paulistana n\u00e3o tem dados espec\u00edficos sobre ocupa\u00e7\u00e3o de mananciais. No entanto, a Secretaria Municipal de Habita\u00e7\u00e3o contabiliza, com dados atualizados at\u00e9 o \u00faltimo m\u00eas de outubro, 1.705 favelas na capital paulista. Dessas comunidades, 58 est\u00e3o em \u00e1reas que fazem divisa com outros munic\u00edpios, onde se concentra a maior parte das nascentes ainda preservadas.<\/p>\n<p>Os assentamentos irregulares t\u00eam duplo impacto das fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel, como explica o professor da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo Jos\u00e9 Carlos Mierzwa. \u201cNa medida em que voc\u00ea ocupa, voc\u00ea diminui a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para continuar alimentando os mananciais. Voc\u00ea tem, por um lado, a redu\u00e7\u00e3o da recarga do manancial, a redu\u00e7\u00e3o do volume que chega ao manancial. Por outro, o aumento da intensidade de polui\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<br \/>\nS\u00e3o Paulo &#8211; Constru\u00e7\u00f5es nas margens da Represa Billings, que \u00e9 um dos principais reservat\u00f3rios de \u00e1gua da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n<p>Moradias constru\u00eddas \u00e0s margens da Represa Billings, um dos principais reservat\u00f3rios de \u00e1gua de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o promovida pela falta de coleta e tratamento de esgoto, acaba por inviabilizar fontes de abastecimento. \u00c9dison Carlos aponta como exemplo desse tipo de situa\u00e7\u00e3o a Represa Billings, na zona sul da capital paulista, que, mesmo com uma grande capacidade de armazenamento, n\u00e3o pode ser completamente utilizada para o fornecimento de \u00e1gua. \u201cO Sistema Billings cheio \u00e9 maior do que o Cantareira. A gente s\u00f3 fala do Cantareira. Por que n\u00e3o se fala da Billings? Porque est\u00e1 no grau de contamina\u00e7\u00e3o tal que n\u00e3o d\u00e1 para considerar aquele reservat\u00f3rio gigantesco\u201d, destaca.<\/p>\n<p>\u00c1reas irregulares e de risco<\/p>\n<p>Para enfrentar o problema, a coordenadora da Rede das \u00c1guas da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, Malu Ribeiro, afirma que \u00e9 preciso analisar as situa\u00e7\u00f5es. \u201cSeparar o que \u00e9 ocupa\u00e7\u00e3o irregular nessas \u00e1reas de baixo valor econ\u00f4mico hoje, que s\u00e3o \u00e1reas de manancial, do que \u00e9 \u00e1rea de risco\u201d, diz Malu sobre as situa\u00e7\u00f5es que podem ser regularizadas e os locais que n\u00e3o devem ser ocupados de forma alguma. Esses pontos cr\u00edticos, est\u00e3o, de forma geral, muito pr\u00f3ximos aos mananciais e sujeitos a inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso h\u00e1 a necessidade de que algumas comunidades sejam removidas, demandando investimentos habitacionais do Poder P\u00fablico. Malu Ribeiro afirma que n\u00e3o se pode, quando a ocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um local cr\u00edtico, assumir que como a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 h\u00e1 muito tempo no local n\u00e3o pode ser retirada. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 verdade. Quando \u00e9 para fazer um prolongamento de avenida, como foi a duplica\u00e7\u00e3o da Faria Lima, ou uma rodovia, desapropria-se tudo que est\u00e1 consolidado\u201d, compara.<\/p>\n<p>Despolui\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o das matas<\/p>\n<p>Como exemplo de processo desse tipo em que a realoca\u00e7\u00e3o das pessoas foi feita com sucesso, a coordenadora cita o caso dos Bairros Cota, na regi\u00e3o de Cubat\u00e3o, pr\u00f3ximo \u00e0 Baixada Santista. \u201cEram \u00e1reas consolidadas, foram d\u00e9cadas dessas ocupa\u00e7\u00f5es que estavam afetando tanto o Parque Estadual da Serra do Mar como a disponibilidade de \u00e1gua na Baixada Santista\u201d, lembra.<\/p>\n<p>A partir de um conv\u00eanio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o governo do estado de S\u00e3o Paulo foi investido um montante de R$ 1 bilh\u00e3o para desfazer as comunidades que estavam instaladas havia cerca de 60 anos na Serra do Mar, desde a d\u00e9cada de 1950. O projeto prev\u00ea ainda o reflorestamento das \u00e1reas. Os antigos moradores dos Bairros Cotas foram deslocados para diversos conjuntos habitacionais constru\u00eddos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Como bom exemplo, Malu cita ainda a despolui\u00e7\u00e3o do Rio Jundia\u00ed, promovida pelo cons\u00f3rcio das Bacias Hidrogr\u00e1ficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundia\u00ed (PCJ). \u201cFoi associada a recupera\u00e7\u00e3o das matas ciliares \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas e investimento em saneamento b\u00e1sico. O rio saiu, durante a crise h\u00eddrica, da classe 4, que \u00e9 o pior uso da \u00e1gua no Brasil, totalmente polu\u00eddo, para a classe 3. E passou a ser utilizado como \u00e1gua de manancial para abastecimento p\u00fablico das cidades de Indaiatuba e Salto\u201d, detalhou sobre o processo iniciado em 1982 para colher frutos no ano passado, quando foi mudada a classifica\u00e7\u00e3o do uso das \u00e1guas.<\/p>\n<p>Para o professor Carlos Mierzwa, se os munic\u00edpios da Grande S\u00e3o Paulo agissem de forma combinada, seria poss\u00edvel reverter a situa\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o extrema de outros mananciais. Assim, seria evitada a necessidade de a metr\u00f3pole buscar novas fontes de \u00e1gua em regi\u00f5es cada vez mais distantes. \u201cSe voc\u00ea tivesse uma melhor infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto, a qualidade do Rio Tiet\u00ea ficaria melhor e essas cidades do interior e da regi\u00e3o metropolitana poderiam utilizar a \u00e1gua, inclusive S\u00e3o Paulo. Isso diminuiria um pouco esse conflito pelo uso da \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua podem ser obtidas no site oficial do evento.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Juliana Andrade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com os crescentes riscos \u00e0 seguran\u00e7a h\u00eddrica das metr\u00f3poles brasileiras, a preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos mananciais se torna um tema cada vez mais importante. A discuss\u00e3o envolve outras quest\u00f5es de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o, como a falta de moradias nos centros urbanos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passe pelo problema na habita\u00e7\u00e3o. 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