{"id":25597,"date":"2018-02-26T03:56:56","date_gmt":"2018-02-26T03:56:56","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=25597"},"modified":"2018-02-26T03:56:56","modified_gmt":"2018-02-26T03:56:56","slug":"grande-telescopio-milimetrico-do-mexico-do-big-bang-aos-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/grande-telescopio-milimetrico-do-mexico-do-big-bang-aos-buracos-negros\/","title":{"rendered":"Grande Telesc\u00f3pio Milim\u00e9trico do M\u00e9xico, do Big Bang aos buracos negros"},"content":{"rendered":"<p>Atzitzintla (M\u00e9xico), 23 fev (EFE).- Esquadrinhar a origem do universo ou provar a exist\u00eancia dos buracos negros s\u00e3o duas das tarefas \u00e0s quais o Grande Telesc\u00f3pio Milim\u00e9trico (GTM) do M\u00e9xico, o maior de seu tipo no mundo, dedicar\u00e1 seu tempo em 2018, ao completar 20 anos de trabalhos.<\/p>\n<p>Uma gigante antena parab\u00f3lica de 50 metros de di\u00e2metro define a silhueta do topo da Sierra Negra, no estado de Puebla, no centro do M\u00e9xico, um vulc\u00e3o extinto de 4.600 metros de altura, onde as temperaturas rondam habitualmente zero graus cent\u00edgrados.<\/p>\n<p>\u00c9 o maior telesc\u00f3pio maior do mundo do seu tipo. N\u00e3o h\u00e1 outro telesc\u00f3pio milim\u00e9trico deste di\u00e2metro, a maioria tem entre 10 e 15 metros, e h\u00e1 alguns com 35 metros. \u00c9 uma infraestrutura \u00fanica, disse o diretor e pesquisador principal do GTM Alfonso Serrano, David Hughes.<\/p>\n<p>Este gigante observa a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica milim\u00e9trica das fontes astron\u00f4micas, inclusive alguns sinais muito fr\u00e1geis, dos objetos mais frios que viajam pelo espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o s\u00f3 observa longas dist\u00e2ncias, como um telesc\u00f3pio convencional, mas analisa a mat\u00e9ria origin\u00e1ria para estudar toda a hist\u00f3ria do universo, especificou Hughes.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos telesc\u00f3pios milim\u00e9tricos \u00e9 poss\u00edvel estudar a forma\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o da estrutura do cosmos desde seu surgimento, no Big Bang, h\u00e1 13,7 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O GTM come\u00e7ou a funcionar em 2011 e realizou suas primeiras pesquisas em 2014.<\/p>\n<p>Em 2017 uma equipe de pesquisadores publicou um artigo na revista Nature Astronomy sobre a observa\u00e7\u00e3o de uma das primeiras gal\u00e1xias em massa que se formou, h\u00e1 12,8 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Ele conseguiu detectar uma gal\u00e1xia no universo muito distante. Quando ele tinha um s\u00e9timo da dimens\u00e3o que tem hoje, detalhou o especialista, que explicou que esta gal\u00e1xia estava escurecida nas frequ\u00eancias \u00f3ticas, mas muito luminosa em frequ\u00eancias milim\u00e9tricas, por causa da presen\u00e7a de g\u00e1s molecular e p\u00f3lvora.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia desta descoberta, acrescentou Hughes, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela juventude deste objeto astron\u00f4mico, que permitir\u00e1 entender a qu\u00edmica de milhares de milh\u00f5es de anos do universo, mas tamb\u00e9m porque guarda uma conex\u00e3o, uma semelhan\u00e7a, com objetos que podemos detectar no universo local.<\/p>\n<p>Tudo isto foi poss\u00edvel quando o di\u00e2metro do telesc\u00f3pio era de 32 metros, e a amplia\u00e7\u00e3o a 50 pode multiplicar os resultados, inclusive viajando para tr\u00e1s no tempo.<\/p>\n<p>Sempre de maneira milim\u00e9trica &#8211; analisando radia\u00e7\u00f5es que chegam \u00e0 Terra, pois a gal\u00e1xia em quest\u00e3o possivelmente j\u00e1 desapareceu.<\/p>\n<p>Apesar de sua lideran\u00e7a mundial, este projeto &#8211; uma parceria entre M\u00e9xico e Estados Unidos, que conta com a estreita colabora\u00e7\u00e3o da Universidade Massachusetts Amherst &#8211; faz parte de uma rede de telesc\u00f3pios que trabalha desde o ano passado em um exerc\u00edcio que pode revolucionar a ci\u00eancia: comprovar a exist\u00eancia dos buracos negros, que foi matematicamente estabelecida por Albert Einstein na famosa Teoria Geral da Relatividade em 1915.<\/p>\n<p>Estes objetos s\u00e3o relativamente pequenos na escala do universo e precisamos de telesc\u00f3pios enormes para medir e detectar a sombra de um buraco negro, explicou Hughes.<\/p>\n<p>Mas, no centro da nossa gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, h\u00e1 fortes ind\u00edcios de um buraco negro com uma massa equivalente a seis milh\u00f5es de vezes a do nosso Sol.<\/p>\n<p>Com o estudo simult\u00e2neo de nove telesc\u00f3pios milim\u00e9tricos distribu\u00eddos pelo mundo &#8211; da Ant\u00e1rtida ao M\u00e9xico, da Espanha ao Hava\u00ed &#8211; que apontam para o centro da gal\u00e1xia e depois analisam o conjunto dos dados durante v\u00e1rios dias, seria poss\u00edvel obter resultados \u00fanicos.<\/p>\n<p>Estamos no processo de analisar os dados para produzir, pela primeira vez, uma foto, uma imagem, que possa provar a exist\u00eancia de um buraco negro. Seria uma sombra, uma regi\u00e3o escura, e ao redor a luz e a radia\u00e7\u00e3o milim\u00e9trica, detalhou Hughes.<\/p>\n<p>Com estas perspectivas, 2018 pode marcar um antes e um depois na astronomia, com a implementa\u00e7\u00e3o de 100% do telesc\u00f3pio, um sonho do cientista mexicano Alfonso Serrano, que morreu em 2011.<\/p>\n<p>A fase de constru\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio, muito complexa pela orografia e pelos custos, envolveu 120 pessoas.<\/p>\n<p>O projeto custou US$ 200 milh\u00f5es, 70% custeado pelo M\u00e9xico atrav\u00e9s do Conselho Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (Conacyt).<\/p>\n<p>Finalizada a constru\u00e7\u00e3o deste telesc\u00f3pio de vanguarda, agora \u00e9 vez da pesquisa e da instrumentaliza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. EFE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atzitzintla (M\u00e9xico), 23 fev (EFE).- Esquadrinhar a origem do universo ou provar a exist\u00eancia dos buracos negros s\u00e3o duas das tarefas \u00e0s quais o Grande Telesc\u00f3pio Milim\u00e9trico (GTM) do M\u00e9xico, o maior de seu tipo no mundo, dedicar\u00e1 seu tempo em 2018, ao completar 20 anos de trabalhos. 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