{"id":25486,"date":"2018-02-26T03:23:12","date_gmt":"2018-02-26T03:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=25486"},"modified":"2018-02-26T03:23:12","modified_gmt":"2018-02-26T03:23:12","slug":"intervencao-do-rio-reaviva-fantasma-da-ditadura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/intervencao-do-rio-reaviva-fantasma-da-ditadura-no-brasil\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do Rio reaviva fantasma da ditadura no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Os fantasmas da ditadura est\u00e3o sendo reavivados no Brasil em consequ\u00eancia do decreto do presidente Michel Temer de entregar aos militares o controle da seguran\u00e7a do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode comparar a opera\u00e7\u00e3o no Rio com o golpe que em 1964 deixou o pa\u00eds sob controle militar durante mais de duas d\u00e9cadas, mas os ecos dessa \u00e9poca s\u00e3o t\u00e3o fortes que o governo se viu for\u00e7ado a dissipar qualquer temor.<\/p>\n<p>Vou dar uma nota para hip\u00f3tese de golpe militar: zero. N\u00e3o existe mais no pa\u00eds absolutamente nem clima interno nas For\u00e7as Armadas, nem clima na popula\u00e7\u00e3o para um golpe militar, disse Temer em uma entrevista \u00e0 R\u00e1dio Bandeirantes nesta sexta-feira.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum risco \u00e0 democracia quando [o ato] se d\u00e1 a partir da Constitui\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio: n\u00f3s temos o refor\u00e7o da democracia, afirmou o ministro da Defesa, Raul Jungmann.<\/p>\n<p>A ideia de um golpe &#8211; pol\u00edtico &#8211; foi ressuscitada nos \u00faltimos anos pela esquerda brasileira para se referir ao impeachment de Dilma Rousseff, que levou Temer ao poder em 2016.<\/p>\n<p>&#8211; In\u00e9dito na democracia &#8211;<\/p>\n<p>Na reta final de seu governo, muitos se surpreenderam que Temer jogasse a carta da seguran\u00e7a para levantar sua impopularidade hist\u00f3rica usando a delicada figura militar.<\/p>\n<p>Os cariocas est\u00e3o acostumados h\u00e1 anos a ver soldados camuflados apoiando a pol\u00edcia em sua batalha contra os poderosos grupos de traficantes.<\/p>\n<p>Cerca de 8.500 militares foram enviados em julho ao Rio para ajudar nos operativos nas favelas, o \u00faltimo deles nesta sexta-feira em comunidades da zona oeste da cidade. E durante os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, as tropas se concentraram na vigil\u00e2ncia das \u00e1reas tur\u00edsticas, patrulhando com seus fuzis de assalto os bairros de Copacabana e Ipanema.<\/p>\n<p>Mas esta interven\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Agora as For\u00e7as Armadas n\u00e3o s\u00f3 ajudar\u00e3o, dado que os militares conduzir\u00e3o as opera\u00e7\u00f5es e substituir\u00e3o as lideran\u00e7as civis em toda a \u00e1rea de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Isso nunca tinha ocorrido no Brasil desde que a democracia voltou, em 1985.<\/p>\n<p>&#8211; Deten\u00e7\u00f5es em massa &#8211;<\/p>\n<p>O governo deu um primeiro passo em falso ao sugerir que poderiam se multiplicar as opera\u00e7\u00f5es de busca e apreens\u00e3o em bairros inteiros e n\u00e3o em um domic\u00edlio espec\u00edfico.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas emergiram inclusive de setores judiciais, incluindo um dos principais procuradores anticorrup\u00e7\u00e3o, Deltan Dallagnol.<\/p>\n<p>O governo depois matizou sua postura.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o dissipou os temores de que a interven\u00e7\u00e3o militar exponha os moradores das comunidades a todo tipo de abusos, sem que haja, al\u00e9m disso, grandes resultados na erradica\u00e7\u00e3o dos grupos de narcotraficantes.<\/p>\n<p>Em um v\u00eddeo no Facebook que se tornou viral, tr\u00eas jovens negros d\u00e3o conselhos \u00e0 comunidade negra para sobreviver aos abusos da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o no Rio \u00e9 uma medida inadequada e extrema que preocupa porque p\u00f5e em risco os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o, advertiu a diretora da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck.<\/p>\n<p>&#8211; Quem vigia o vigilante? &#8211;<\/p>\n<p>Temer deixou claro que os militares usar\u00e3o a for\u00e7a letal quando se justifique. Mas a popula\u00e7\u00e3o do Rio, cansada das abusivas opera\u00e7\u00f5es policiais e das balas perdidas, quer saber quem controlar\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o dos soldados, tendo em conta que as for\u00e7as armadas s\u00f3 respondem ante tribunais militares.<\/p>\n<p>Para botar mais lenha na fogueira, o comandante do Ex\u00e9rcito, general Eduardo Villas B\u00f4as, disse que quer garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p>Muitos viram nessa comiss\u00e3o que examinou os crimes da ditadura, impulsada por Dilma, como uma forma de dissipar mem\u00f3rias dolorosas, apesar de que torturadores confessos inclu\u00eddos no relat\u00f3rio final de 2014 foram anistiados e n\u00e3o pisar\u00e3o na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra figura-chave da interven\u00e7\u00e3o no Rio, o ministro da Seguran\u00e7a, Sergio Etchegoyen, chegou a qualificar essa comiss\u00e3o como pat\u00e9tica.<\/p>\n<p>Seu pai serviu em posi\u00e7\u00f5es de alto escal\u00e3o na ditadura, enquanto um tio seu liderou a chamada Casa da Morte, um centro perto do Rio onde presos pol\u00edticos eram torturados at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>&#8211; Um ensaio? &#8211;<\/p>\n<p>Uma das teorias da conspira\u00e7\u00e3o que est\u00e3o circulando \u00e9 que o Rio poderia ser um ensaio para uma expans\u00e3o do poder militar. O pr\u00f3prio Etchegoyen descreveu o Rio como um laborat\u00f3rio no ano passado.<\/p>\n<p>Esta semana, no entanto, ele voltou ao tema afirmando que atualmente n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de tomar o controle de outros estados.<\/p>\n<p>Mas Temer causou ainda mais agita\u00e7\u00e3o quando disse, na sexta-feira, que considerou ampliar essa interven\u00e7\u00e3o e destituir inclusive o governador do Rio.<\/p>\n<p>Foi uma discuss\u00e3o de um primeiro momento, mas seria radical demais e o descartei, disse em uma entrevista \u00e0 r\u00e1dio Bandeirantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fantasmas da ditadura est\u00e3o sendo reavivados no Brasil em consequ\u00eancia do decreto do presidente Michel Temer de entregar aos militares o controle da seguran\u00e7a do estado do Rio de Janeiro. 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