{"id":24391,"date":"2018-02-24T14:03:27","date_gmt":"2018-02-24T14:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=24391"},"modified":"2018-02-24T14:03:27","modified_gmt":"2018-02-24T14:03:27","slug":"roraima-atendimento-a-venezuelanos-no-sus-cresceu-23-mil-vezes-em-quatro-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/roraima-atendimento-a-venezuelanos-no-sus-cresceu-23-mil-vezes-em-quatro-anos\/","title":{"rendered":"Roraima: atendimento a venezuelanos no SUS cresceu 2,3 mil vezes em quatro anos"},"content":{"rendered":"<p>O secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Roraima, Marcelo Batista, afirmou hoje (22) que o volume de atendimentos a venezuelanos nas unidades hospitalares do estado no ano passado foi 2.349 vezes maior do que o de 2014. Batista informou que, no ano inicial de refer\u00eancia, a rede atendeu 766 pacientes venezuelanos e, em 2017, 18 mil.<\/p>\n<p>Um exemplo da sobrecarga no Sistema \u00danico de Sa\u00fade s\u00e3o os 180 partos de venezuelanas feitos ao longo de janeiro em apenas uma das maternidades que atendem pelo SUS. Normalmente, a m\u00e9dia era de 15 a 20 partos por dia, lembrou Batista, que participou, nesta quinta-feira, da reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Intergestores Tripartite, na sede da Organiza\u00e7\u00e3o da Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS), em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>No encontro, Marcelo Batista comentou o cen\u00e1rio relativo ao sarampo no estado, onde j\u00e1 foram notificados oito casos da doen\u00e7a, dos quais sete ainda est\u00e3o sob investiga\u00e7\u00e3o. A confirma\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a em uma crian\u00e7a venezuelana, confirmada no \u00faltimo dia 11, por profissionais da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), rompeu um quadro epidemiol\u00f3gico est\u00e1vel no pa\u00eds, que, desde 2015, havia vencido totalmente o sarampo.<\/p>\n<p>A partir dessa confirma\u00e7\u00e3o, tentou-se fazer o bloqueio [da cadeia de transmiss\u00e3o do v\u00edrus] de todas as pessoas com quem a crian\u00e7a teve contato, pois ela vivia em um abrigo e depois foi morar em uma pra\u00e7a, disse o secret\u00e1rio \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. O sarampo, cujos sintomas mais brandos incluem febre, erup\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas e conjuntivite, pode, em um grau mais severo, afetar o estado nutricional de crian\u00e7as acometidas pela doen\u00e7a, originando at\u00e9 mesmo pneumonia.<\/p>\n<p>O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) denunciou, no fim de janeiro, a desnutri\u00e7\u00e3o infantil entre os venezuelanos, problema que se torna mais grave se for levado em conta o fato de que a letalidade do sarampo \u00e9 elevada quando os infectados vivem em condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas desfavor\u00e1veis. Grande parte dos venezuelanos que chegam ao Brasil tem permanecido em espa\u00e7os p\u00fablicos, motivo pelo qual S\u00e3o Paulo e Manaus v\u00e3o acolher esses estrangeiros.<\/p>\n<p>A prefeitura de Boa Vista, hoje com aproximadamente 332 mil habitantes, estima que cerca de 40 mil venezuelanos tenham deixado o pa\u00eds natal e passado a residir na capital roraimense, ap\u00f3s o agravamento da crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Marcelo Batista destacou a inexist\u00eancia de uma barreira sanit\u00e1ria em cidades adjacentes \u00e0 Venezuela, como Pacaraima, que, situada a 200 quil\u00f4metros de Boa Vista, foi parte do itiner\u00e1rio percorrido pela menina de 1 ano, que foi trazida ao Brasil pela m\u00e3e. Segundo o secret\u00e1rio, tal barreira, que consistiria na restri\u00e7\u00e3o de entrada a quem n\u00e3o foi devidamente imunizado, \u00e9 prioridade m\u00e1xima. Pedimos, diariamente, que isso seja regularizado, para que, l\u00e1 na fronteira, seja cobrada a carteira de vacina\u00e7\u00e3o e que seja instalado, no local, um posto de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio, na capital, a cobertura vacinal \u00e9 de 80% na primeira dose e 79% na segunda, \u00edndices inferiores aos 95% preconizados pelo governo federal. Ele destacou que a situa\u00e7\u00e3o em munic\u00edpios interioranos, como Cant\u00e1, a 30 quil\u00f4metros da capital, e na bastante povoada Rorain\u00f3polis, a 290 quil\u00f4metros, no sul do estado, \u00e9 ainda mais cr\u00edtica. As duas cidades t\u00eam popula\u00e7\u00e3o estimada, respectivamente, em cerca de 16.900 e 28.200 habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), e Pacaraima, em torno de 12.300.<\/p>\n<p>Dados divulgados em 2014 indicam que as taxas de mortalidade infantil s\u00e3o de 24,86, 22,62 e 14,79 \u00f3bitos por mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 que as doses de vacina sejam fornecidas a pessoas com idade entre 12 meses e 29 anos. A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses, com a vacina tr\u00edplice viral. Aos 15 meses, recomenda-se a vacina tetra viral, que corresponde \u00e0 segunda dose da tr\u00edplice viral e uma dose da vacina (varicela). Pessoas na faixa de 30 a 49 anos devem receber uma dose da vacina tr\u00edplice viral.<\/p>\n<p>Nesta quarta-feira (21), a Secretaria Estadual de Sa\u00fade de Roraima emitiu um alerta para que todas unidades de seu sistema reforcem a vigil\u00e2ncia contra o sarampo e notifiquem a ocorr\u00eancia de qualquer caso suspeito em at\u00e9 24 horas. Mesmo antes de o diagn\u00f3stico ser confirmado, as equipes de sa\u00fade dever\u00e3o fazer o isolamento respirat\u00f3rio do paciente e coletar amostras para exames de sangue, urina e secre\u00e7\u00e3o por via nasal e pela faringe.<\/p>\n<p>Mal\u00e1ria<\/p>\n<p>Al\u00e9m das demandas por cuidados relacionados ao sarampo, os venezuelanos t\u00eam necessitado de tratamento contra mal\u00e1ria. No nosso hospital de Pacaraima, 90% dos atendimentos s\u00e3o feitos a venezuelanos e, desse total, 70% \u00e9 por mal\u00e1ria, afirmou o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o haja vacina contra a doen\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel adotar medidas de preven\u00e7\u00e3o, como o uso de mosquiteiros, repelentes e de telas em portas e janelas. Obras que visem n\u00e3o deixar brechas para que o mosquito Anopheles se multiplique nas moradias, por exemplo, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es de maior relev\u00e2ncia para o combate \u00e0 doen\u00e7a. A mal\u00e1ria \u00e9 tratada com comprimidos.<\/p>\n<p>No Brasil, a maior incid\u00eancia \u00e9 na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, nos estados do Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Maranh\u00e3o, de Mato Grosso, do Par\u00e1, de Rond\u00f4nia, Roraima e do Tocantins. Apesar da maior concentra\u00e7\u00e3o nesse territ\u00f3rio, nas demais regi\u00f5es, os casos evoluem mais frequentemente para \u00f3bito.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: N\u00e1dia Franco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O secret\u00e1rio de Sa\u00fade de Roraima, Marcelo Batista, afirmou hoje (22) que o volume de atendimentos a venezuelanos nas unidades hospitalares do estado no ano passado foi 2.349 vezes maior do que o de 2014. Batista informou que, no ano inicial de refer\u00eancia, a rede atendeu 766 pacientes venezuelanos e, em 2017, 18 mil. 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