{"id":24117,"date":"2018-02-22T07:16:46","date_gmt":"2018-02-22T07:16:46","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=24117"},"modified":"2018-02-22T07:16:46","modified_gmt":"2018-02-22T07:16:46","slug":"especialista-alerta-para-risco-real-de-febre-amarela-urbana-nas-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/especialista-alerta-para-risco-real-de-febre-amarela-urbana-nas-americas\/","title":{"rendered":"Especialista alerta para risco real de febre amarela urbana nas Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p>A epidemia de febre amarela que afeta as Am\u00e9ricas h\u00e1 dois anos, tendo o Brasil como epicentro, pode se propagar para todos os pa\u00edses da bacia do Amazonas e Orinoco e at\u00e9 se tornar urbana &#8211; alerta um especialista do Programa de Emerg\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (OPS).<\/p>\n<p>Sylvain Aldighieri, diretor adjunto da OPS, pediu que se combata o mosquito Aedes aegypti, vetor da enfermidade em \u00e1reas urbanas, a exemplo da campanha de vacina\u00e7\u00e3o no Brasil, e alertou que matar macacos para evitar a febre amarela \u00e9 uma loucura total.<\/p>\n<p>A seguir, um resumo da entrevista de Aldighiere com a AFP:<\/p>\n<p>&#8211; Em v\u00e1rias zonas das Am\u00e9ricas s\u00e3o reportados casos de febre amarela nos \u00faltimos dois anos. \u00c9 o mesmo surto?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, s\u00e3o focos diferentes em ecossistemas diferentes, na Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana Francesa, Peru e Suriname. A febre amarela selv\u00e1tica \u00e9 end\u00eamica em parte dos 13 pa\u00edses e territ\u00f3rios das Am\u00e9ricas. O surto atual no Brasil \u00e9 o mais importante desde os anos 1940. Dos mais de 800 casos humanos confirmados nas Am\u00e9ricas, entre julho de 2016 e junho de 2017, a grande maioria ocorreu no sudeste do Brasil.<\/p>\n<p>&#8211; A febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a selv\u00e1tica e do mundo animal. A que se atribui esta expans\u00e3o do v\u00edrus entre humanos?<\/p>\n<p>&#8211; As cidades eram muito menores antes, agora s\u00e3o megal\u00f3poles com ecossistemas selv\u00e1ticos pr\u00f3ximos ou dentro das pr\u00f3prias \u00e1reas urbanas. H\u00e1 suficiente popula\u00e7\u00e3o de primatas n\u00e3o humanos e de mosquitos nesses ecossistemas. Tamb\u00e9m h\u00e1 humanos n\u00e3o imunizados que entram contato com estes ecossistemas. E se observam outros aspectos favor\u00e1veis da propaga\u00e7\u00e3o, como a chuva, a temperatura, a fragmenta\u00e7\u00e3o das matas.<\/p>\n<p>&#8211; A febre amarela pode se tornar urbana?<\/p>\n<p>&#8211; O risco sempre existe. Depender\u00e1 da densidade do mosquito Aedes aegypti, vetor da enfermidade nas \u00e1reas urbanas. At\u00e9 o momento n\u00e3o foram reportados casos de transmiss\u00e3o por esse mosquito em nenhum pa\u00eds das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>&#8211; Contra o Aedes aegypti &#8211;<\/p>\n<p>&#8211; O Aedes aegypti est\u00e1 envolvido nos surtos?<\/p>\n<p>&#8211; A maioria dos casos de febre amarela nos \u00faltimos anos foi transmitida por mosquitos selv\u00e1ticos. O \u00faltimo foco por Aedes aegypti se registrou em 2008 em Assun\u00e7\u00e3o, com 14 casos. Antes havia um foco assim no Brasil, nos anos 1940.<\/p>\n<p>&#8211; Na semana passada, o Brasil informou sobre a detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da febre amarela no mosquito Aedes albopictus. De que tipo \u00e9 este mosquito?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um mosquito que, nas Am\u00e9ricas, se estabeleceu em zonas periurbanas depois de sua introdu\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Seus criadouros est\u00e3o \u00e0 margem das cidades, n\u00e3o nas cidades, como acontece com o Aedes aegypti. Apesar de, em outras regi\u00f5es do mundo, ser um vetor de transmiss\u00e3o da chikungunya, por exemplo, at\u00e9 agora n\u00e3o se demonstrou que tenha um papel na Am\u00e9ricas. Mas est\u00e1 sob vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8211; Como se combate a febre amarela?<\/p>\n<p>&#8211; Temos duas armas. Primeiro, vacinar a popula\u00e7\u00e3o em zonas pr\u00f3ximas a ecossistemas selv\u00e1ticos. E, segundo, de igual import\u00e2ncia, controlar o Aedes aegypti. \u00c9 a luta contra as larvas, os ovos e o adulto em \u00e1guas paradas e em dep\u00f3sitos de \u00e1gua limpa.<\/p>\n<p>&#8211; Por que o Brasil est\u00e1 usando vacinas fracionadas?<\/p>\n<p>&#8211; Para aproveitar o estoque existente e assim vacinar mais pessoas em zonas de baixo risco. Tem exatamente a mesma efetividade.<\/p>\n<p>&#8211; Macaco, o maior aliado &#8211;<\/p>\n<p>&#8211; Como avalia a gest\u00e3o deste surto no Brasil?<\/p>\n<p>&#8211; As medidas est\u00e3o no bom caminho. \u00c9 algo muito desafiante imunizar 100% da popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de risco. O Brasil est\u00e1 priorizando a zona onde o surto est\u00e1 ativo, visa a uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 24 milh\u00f5es de pessoas. Conseguir imunizar os jovens trabalhadores em zonas remotas \u00e9 o maior desafio. E, depois, conseguir um m\u00ednimo de cobertura nas zonas urbanas.<\/p>\n<p>&#8211; Que pa\u00edses devem ficar atentos \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 muito dif\u00edcil antecipar isso. Todos os pa\u00edses da bacia amaz\u00f4nica e do Orinoco: Paraguai, Bol\u00edvia, Peru, Equador, Col\u00f4mbia, Venezuela e Guianas. O maior desafio \u00e9 nas zonas de coloniza\u00e7\u00e3o do ambiente amaz\u00f4nico, onde h\u00e1 novos assentamentos, constru\u00e7\u00e3o de estradas, explora\u00e7\u00e3o petroleira, minera\u00e7\u00e3o legal e ilegal, deslocamentos de popula\u00e7\u00e3o. O crit\u00e9rio de risco se aplica a essas popula\u00e7\u00f5es m\u00f3veis em zonas que j\u00e1 foram matas.<\/p>\n<p>&#8211; E o fato de estarem matando macacos?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, isso \u00e9 uma loucura total. O macaco \u00e9 o maior aliado do ser humano porque, quando morre, identifica a presen\u00e7a do v\u00edrus e alerta para o in\u00edcio de uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o. Esp\u00e9cies de macacos em vias de extin\u00e7\u00e3o sofreram o impacto do v\u00edrus no ano passado. E matar os poucos sobreviventes \u00e9 um novo ataque contra a biodiversidade. As campanhas de comunica\u00e7\u00e3o devem servir para promover a vacina\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o para matar os macacos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A epidemia de febre amarela que afeta as Am\u00e9ricas h\u00e1 dois anos, tendo o Brasil como epicentro, pode se propagar para todos os pa\u00edses da bacia do Amazonas e Orinoco e at\u00e9 se tornar urbana &#8211; alerta um especialista do Programa de Emerg\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (OPS). 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