{"id":22988,"date":"2018-02-19T18:25:29","date_gmt":"2018-02-19T18:25:29","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=22988"},"modified":"2018-02-19T18:25:29","modified_gmt":"2018-02-19T18:25:29","slug":"plataforma-otimiza-uso-de-recursos-hidricos-em-bacias-hidrograficas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/plataforma-otimiza-uso-de-recursos-hidricos-em-bacias-hidrograficas\/","title":{"rendered":"Plataforma otimiza uso de recursos h\u00eddricos em bacias hidrogr\u00e1ficas"},"content":{"rendered":"<p>A um m\u00eas do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, se prepara para apresentar no evento uma plataforma de manejo de irriga\u00e7\u00e3o e recursos h\u00eddricos em bacias hidrogr\u00e1ficas que est\u00e1 em desenvolvimento no \u00f3rg\u00e3o. O F\u00f3rum ocorre em Bras\u00edlia entre 18 e 23 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O sistema computacional utiliza equipamentos instalados no campo e imagens de sat\u00e9lite  para sugerir a melhor op\u00e7\u00e3o de irriga\u00e7\u00e3o para os produtores. \u201cA ferramenta vai dar uma op\u00e7\u00e3o, uma sugest\u00e3o de como podem utilizar a \u00e1gua. Mas a decis\u00e3o \u00e9 dos usu\u00e1rios\u201d, disse. A plataforma busca contribuir para otimizar o uso dos recursos h\u00eddricos e a irriga\u00e7\u00e3o em uma determinada bacia, segundo o engenheiro agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Veja a seguir os principais trechos da entrevista de Lineu Rodrigues \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil: Como surgiu o projeto?<\/p>\n<p>Lineu Rodrigues: Esse estudo surgiu da demanda da sociedade. Em algumas bacias hidrogr\u00e1ficas h\u00e1 problemas, como a bacia do Rio S\u00e3o Marcos, que tem conflitos s\u00e9rios de \u00e1gua entre irrigantes, conflito entre irrigantes e uma usina hidrel\u00e9trica [de Batalha, em Paracatu (MG)], conflito entre estados porque essa bacia abrange Distrito Federal, Minas Gerais e Goi\u00e1s, cada um com seus crit\u00e9rios de outorga, e tamb\u00e9m com a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e as ag\u00eancias estaduais.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil: Em que consiste a ferramenta?<\/p>\n<p>Rodrigues: No nosso projeto, uma abordagem que tem ganhado corpo \u00e9 a gest\u00e3o compartilhada da \u00e1gua. Nesse contexto, os usu\u00e1rios precisam ter uma ferramenta que os possibilite usar a \u00e1gua de forma organizada. Esse projeto cria uma ferramenta para que os usu\u00e1rios, dentro da gest\u00e3o compartilhada da \u00e1gua, possam indicar como essa \u00e1gua poderia ser utilizada. Estamos usando diversas ferramentas, inclusive imagens de sat\u00e9lites, para monitorar a quantidade de \u00e1gua que est\u00e1 sendo utilizada, e por meio desse monitoramento, poder informar ao agricultor quanta \u00e1gua ele est\u00e1 utilizando, quanto o vizinho dele est\u00e1 utilizando e o quanto de \u00e1gua tem no rio. \u00c9 uma ferramenta computacional que depende de equipamentos instalados no campo. Com isso, a gente faz um balan\u00e7o de \u00e1gua na bacia e vai informar o quanto de \u00e1gua est\u00e1 sendo demandado em determinado momento e se tem \u00e1gua suficiente para atender a demanda.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil: Quando o projeto poder\u00e1 ser implantado?<\/p>\n<p>Rodrigues: Esse projeto \u00e9 financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa do Distrito Federal, est\u00e1 em andamento e tem mais um ano para ser finalizado. Temos resultado do monitoramento por sat\u00e9lite para as culturas do trigo e da soja nas bacias do Rio Buriti Vermelho [no DF] e do Rio S\u00e3o Marcos. A gente conseguiu estimar a demanda [por \u00e1gua] via imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil \u2013 A quem se destina essa ferramenta?<\/p>\n<p>Rodrigues \u2013 N\u00e3o queremos ficar com esse instrumento para n\u00f3s [pesquisadores] nem para o governo. A ideia \u00e9 fortalecer os usu\u00e1rios, os comit\u00eas de bacias hidrogr\u00e1ficas, que essa ferramenta seja passada para as associa\u00e7\u00f5es de irrigantes, de produtores, de tal forma que eles se organizem e tomem a decis\u00e3o da melhor forma de usar a \u00e1gua dentro do crit\u00e9rio de gest\u00e3o compartilhada.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil \u2013 Qual o panorama da irriga\u00e7\u00e3o no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Rodrigues \u2013 H\u00e1 dois tipos de agricultura: agricultura de sequeiro, que depende da \u00e1gua da chuva \u2013 97% da nossa agricultura \u00e9 de sequeiro e 3% \u00e9 de irrigados, em que, quando falta \u00e1gua da chuva, tira-se \u00e1gua do rio para complementar. No geral, no sistema de irriga\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque o pre\u00e7o da energia \u00e9 muito caro, os produtores usam \u00e1gua de forma racional. L\u00f3gico que tem casos e casos. Nos casos em que se observa maior inefici\u00eancia, o produtor acaba pagando, por causa do pre\u00e7o da energia. Na agricultura irrigada, a grande maioria procura usar a \u00e1gua de forma adequada. A\u00ed entra nossa fun\u00e7\u00e3o de dar subs\u00eddios para as pessoas de como usar a \u00e1gua de forma organizada porque muitos n\u00e3o podem pagar um consultor. No Brasil, em geral, usamos menos de 1% da nossa disponibilidade h\u00eddrica. O problema \u00e9 que temos bacias cr\u00edticas, que t\u00eam mais aptid\u00e3o agr\u00edcola com uso intensivo da agricultura irrigada.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o f\u00f3rum podem ser obtidas no site do evento.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Lidia Neves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A um m\u00eas do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, se prepara para apresentar no evento uma plataforma de manejo de irriga\u00e7\u00e3o e recursos h\u00eddricos em bacias hidrogr\u00e1ficas que est\u00e1 em desenvolvimento no \u00f3rg\u00e3o. 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