{"id":22805,"date":"2018-02-19T17:49:45","date_gmt":"2018-02-19T17:49:45","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=22805"},"modified":"2018-02-19T17:49:45","modified_gmt":"2018-02-19T17:49:45","slug":"documentario-brasileiro-critica-evangelizacao-indigena-no-festival-de-berlim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/documentario-brasileiro-critica-evangelizacao-indigena-no-festival-de-berlim\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio brasileiro critica evangeliza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Festival de Berlim"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, 17 set (EFE).- O cineasta brasileiro Luiz Bolognesi estreia neste s\u00e1bado no Festival de Berlim, na Alemanha, seu document\u00e1rio Ex-Paj\u00e9, que retrata a amea\u00e7a das igrejas evang\u00e9licas e da moderniza\u00e7\u00e3o ocidental para a identidade cultural dos povos ind\u00edgenas contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>O filme, que concorre na se\u00e7\u00e3o Panorama, mant\u00e9m o foco na figura de um antigo paj\u00e9 do povo ind\u00edgena Paiter Suru\u00ed, que foi obrigado a se converter ao cristianismo ap\u00f3s ser acusado de v\u00ednculos com o diabo.<\/p>\n<p>A ideia inicial de Bolognesi, conforme o pr\u00f3prio diretor contou \u00e0 Ag\u00eancia Efe, era rodar um document\u00e1rio sobre os paj\u00e9s, pois s\u00e3o essas pessoas que concentram todo o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es das Am\u00e9ricas antes da chegada dos brancos, j\u00e1 que os povos originais carecem de uma cultura escrita.<\/p>\n<p>O projeto sofreu uma grande mudan\u00e7a quando Bolognesi iniciou sua pesquisa e conheceu o ex-paj\u00e9 que acabou se tornando o protagonista de seu document\u00e1rio.<\/p>\n<p>O cineasta se deu conta de que este era o assunto do qual queria falar, porque \u00e9, ao mesmo tempo, a hist\u00f3ria das Am\u00e9ricas, de quando chegaram os portugueses, os espanh\u00f3is, os cat\u00f3licos, os jesu\u00edtas, os capuchinhos e massacraram a cultura ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Hoje, segundo Bolognesi, o papel da evangeliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo exercido pelas igrejas evang\u00e9licas, que t\u00eam correntes fundamentalistas e muito agressivas e apresentam grande crescimento no Brasil. Al\u00e9m disso, o trabalho destas igrejas \u00e9 realizado de modo muito violento, em particular, contra os paj\u00e9s, ao os acusarem de terem liga\u00e7\u00e3o com o diabo, o que os leva a serem perseguidos por seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p>Algumas lideran\u00e7as ind\u00edgenas mostradas no filme afirmaram que a viol\u00eancia contra os paj\u00e9s e a persegui\u00e7\u00e3o da igreja \u00e9, precisamente, o maior problema que os povos ind\u00edgenas enfrentam atualmente no Brasil, por isso decidiram escrever um manifesto, que teria trechos lidos durante a apresenta\u00e7\u00e3o do filme no festival.<\/p>\n<p>O texto lembra que em nome de um deus, homens mission\u00e1rios atacaram nos \u00faltimos s\u00e9culos muitas outras formas de vida e alerta que hoje se observa o emergir de novas cruzadas de intoler\u00e2ncia, especialmente de miss\u00f5es evang\u00e9licas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os ind\u00edgenas denunciam que os evangelizadores se aliam aos inimigos dos povos ind\u00edgenas, com mineradores e lenhadores legais e ilegais, com o objetivo de explorar n\u00e3o apenas os elementos preciosos de suas terras, mas tamb\u00e9m de suas almas.<\/p>\n<p>Segundo Bolognesi, o encontro entre o interesse evang\u00e9lico e o agrobusiness \u00e9 estrat\u00e9gico, pois ambos formam uma rede que trabalha em conjunto e que tem como objetivo destruir a dimens\u00e3o mitol\u00f3gica dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Se acabamos com sua mitologia, a floresta j\u00e1 n\u00e3o tem valor m\u00e1gico, j\u00e1 n\u00e3o tem valor simb\u00f3lico, espiritual e, assim, fica mais f\u00e1cil convencer os povos ind\u00edgenas a destruir tudo e a despertar neles o interesse pelo dinheiro, comentou o cineasta.<\/p>\n<p>Para Bolognesi, \u00e9 precisamente de sua rela\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica com a floresta e com a terra que os ocidentais brancos t\u00eam algo a aprender.<\/p>\n<p>Falamos muito de sustentabilidade, esta \u00e9 a palavra do momento, mas ningu\u00e9m no mundo conhece mais de sustentabilidade que os povos ind\u00edgenas das Am\u00e9ricas, afirmou o cineasta.<\/p>\n<p>Durante milhares de anos, explicou Bolognesi, os povos ind\u00edgenas viveram de uma riqueza muito grande de carboidratos e prote\u00ednas, sem destruir a diversidade de DNA que existe no mundo.<\/p>\n<p>O diretor tamb\u00e9m ressaltou a necessidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas, pois n\u00e3o basta ter consci\u00eancia e estar em casa reivindicando coisas atrav\u00e9s do Facebook.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio se emocionar, se indignar e ir para a a\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 preciso lutar pela preserva\u00e7\u00e3o das culturas ind\u00edgenas, concluiu o autor do document\u00e1rio. EFE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, 17 set (EFE).- O cineasta brasileiro Luiz Bolognesi estreia neste s\u00e1bado no Festival de Berlim, na Alemanha, seu document\u00e1rio Ex-Paj\u00e9, que retrata a amea\u00e7a das igrejas evang\u00e9licas e da moderniza\u00e7\u00e3o ocidental para a identidade cultural dos povos ind\u00edgenas contempor\u00e2neos. 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