{"id":22425,"date":"2018-02-18T04:34:16","date_gmt":"2018-02-18T04:34:16","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=22425"},"modified":"2018-02-18T04:34:16","modified_gmt":"2018-02-18T04:34:16","slug":"migracao-venezuelana-tem-numero-similar-ao-da-crise-no-mediterraneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/migracao-venezuelana-tem-numero-similar-ao-da-crise-no-mediterraneo\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00e3o venezuelana tem n\u00famero similar ao da crise no Mediterr\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p>O fluxo de migrantes da Venezuela em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s cidades colombianas e brasileiras j\u00e1 se assemelha ao fluxo mensal de migrantes que cruzaram o mar Mediterr\u00e2neo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ilhas italianas no auge da crise. O alerta \u00e9 de Joel Millman, porta-voz da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Migra\u00e7\u00f5es (OIM).<\/p>\n<p>Fomos informados de um fluxo de 40 mil pessoas por m\u00eas cruzando a fronteira para a Col\u00f4mbia, disse. Isso \u00e9 quase o equivalente ao que vimos no auge da crise na Europa, em 2015, no sul da It\u00e1lia, explicou. Trata-se de uma emerg\u00eancia diferente, afirmou Millman. Mas acompanhamos de perto a situa\u00e7\u00e3o com aten\u00e7\u00e3o, disse o porta-voz da OIM.<\/p>\n<p>Dados oficiais da organiza\u00e7\u00e3o destacam que a It\u00e1lia, uma das principais portas para a Europa, recebeu 155 mil estrangeiros em 2015 e 181 mil em 2016. Praticamente todos eles partiram de portos l\u00edbios ou da Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>No auge da crise de refugiados, a passagem entre a Turquia e a Gr\u00e9cia chegou a registrar cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas. Mas a rota foi fechada por um acordo entre a Europa e o governo de Ancara. Em 2017, a OIM estima que 186 mil pessoas entraram no continente europeu pelas rotas mar\u00edtimas, principalmente pela It\u00e1lia.<\/p>\n<p>No caso sul-americano, os dados da entidade Migraci\u00f3n Col\u00f4mbia apontam que 470 mil venezuelanos entraram no pa\u00eds vizinho em 2017. Ao final do ano passado, existiam cerca de 202 mil cidad\u00e3os venezuelanos vivendo de forma irregular na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Em alguns dos meses, j\u00e1 vemos um fluxo maior de venezuelanos para a Col\u00f4mbia que o total mensal que a It\u00e1lia recebe do norte da \u00c1frica, aponta Millman.<\/p>\n<p>Existem, por\u00e9m, duas classifica\u00e7\u00f5es no que se refere ao fluxo de pessoas. Aqueles que consideram que est\u00e3o fugindo de persegui\u00e7\u00e3o ou repress\u00e3o, podem pedir asilo. Um n\u00famero bem mais elevado, por\u00e9m, se refere a pessoas que deixam seus pa\u00edses de origem por conta da pobreza, o que n\u00e3o caracterizaria uma condi\u00e7\u00e3o de refugiado. Nesse caso, s\u00e3o classificados como migrantes econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Do lado brasileiro, a cidade de Boa Vista, capital de Roraima, j\u00e1 teria recebido 40 mil venezuelanos e o governo estuda medidas para repartir essa popula\u00e7\u00e3o em outros Estados da federa\u00e7\u00e3o. O presidente Michel Temer anunciou nesta segunda-feira, 12, um refor\u00e7o da a\u00e7\u00e3o militar ao longo da fronteira, com o envio de 200 soldados por pelot\u00f5es, al\u00e9m da duplica\u00e7\u00e3o dos postos de controle.<\/p>\n<p>O fluxo de venezuelanos tem sido gerado por uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais dram\u00e1tica da economia do pa\u00eds e de sua crise pol\u00edtica. Dados anunciados nesta semana pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) indicam que em 2014, 48% das fam\u00edlias da Venezuela estavam em condi\u00e7\u00f5es de pobreza. Em 2016, esse n\u00famero j\u00e1 chegava a 81,1%.<\/p>\n<p>Na semana passada, o Tribunal Penal Internacional anunciou que analisar\u00e1 supostos crimes cometidos pelo governo da Venezuela. Mas na ONU, apesar da press\u00e3o de certos governos, nenhuma resolu\u00e7\u00e3o conseguiu sequer ser elaborada para denunciar o governo de Nicol\u00e1s Maduro nos diferentes \u00f3rg\u00e3os da entidade. Caracas, ao longo de anos, costurou um forte apoio entre governos do Movimento de Pa\u00edses n\u00e3o-alinhados e Maduro ainda tem o apoio chin\u00eas e russo.<\/p>\n<p>O Alto Comiss\u00e1rio da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al-Hussein, apontou tamb\u00e9m em 2017 que as viola\u00e7\u00f5es cometidas pelo regime chavista poderiam ser considerados como crimes contra a humanidade.<\/p>\n<p>Minha investiga\u00e7\u00e3o sugere a possibilidade de que crimes contra humanidade possam ter sido cometidos, o que apenas pode ser confirmado por uma investiga\u00e7\u00e3o criminal subsequente, disse Al-Hussein.<\/p>\n<p>Ele acusou Maduro de esmagar institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e vozes cr\u00edticas, incluindo por meio de processos criminais contra l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e em alguns casos tortura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fluxo de migrantes da Venezuela em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s cidades colombianas e brasileiras j\u00e1 se assemelha ao fluxo mensal de migrantes que cruzaram o mar Mediterr\u00e2neo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ilhas italianas no auge da crise. 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