{"id":21811,"date":"2018-02-18T00:53:26","date_gmt":"2018-02-18T00:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=21811"},"modified":"2018-02-18T00:53:26","modified_gmt":"2018-02-18T00:53:26","slug":"bate-bolas-as-estrelas-de-um-carnaval-paralelo-nos-suburbios-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/bate-bolas-as-estrelas-de-um-carnaval-paralelo-nos-suburbios-do-rio\/","title":{"rendered":"Bate-bolas, as estrelas de um carnaval paralelo nos sub\u00farbios do Rio"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11 fev (EFE).- A Cidade de Deus est\u00e1 em festa. O funk ecoa pela comunidade e milhares de pessoas seguem o Abusados, seu primeiro grupo de bate-bolas, estrelas de um carnaval alheio ao Samb\u00f3dromo, no qual as m\u00e1scaras aterrorizadoras substituem as plumas e lantejoulas.<\/p>\n<p>Vamos nos divertir em paz no carnaval, queremos desfrutar da festa, afirmou Billy Souza, fundador do Abusados enquanto o seu grupo &#8211; que completa 20 anos &#8211; prepara o desfile para a madrugada do s\u00e1bado em uma favela onde a viol\u00eancia quase n\u00e3o mudou desde a estreia do filme Cidade de Deus (2002).<\/p>\n<p>A tens\u00e3o tem se agravado ap\u00f3s a recente deten\u00e7\u00e3o do chefe do tr\u00e1fico do bairro, mas \u00e9 carnaval no Rio e os quatro grupos de bate-bolas de Cidade de Deus entram na festa.<\/p>\n<p>O Abusados s\u00e3o 80 homens, 75 mulheres e 35 crian\u00e7as que durante duas horas se fantasiam no p\u00e1tio de um col\u00e9gio com meias coloridas, um casaco de manga comprida, saia rodada e um colete de espuma com as imagens de Indiana Jones (Harrison Ford) e Cle\u00f3patra desenhadas com tinta e purpurina. Eles cobrem os rostos com m\u00e1scaras de terror e levam bolas de pl\u00e1stico que batem insistentemente contra o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Na rua, milhares de pessoas dan\u00e7am ao ritmo do funk que sai de uma parede de equipamentos de som que faz o ch\u00e3o tremer, enquanto esperam seus her\u00f3is do carnaval.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecidos como cl\u00f3vis (do ingl\u00eas clown) ou palha\u00e7os, as origens dos bate-bolas n\u00e3o s\u00e3o muito claras, mas os seus seguidores concordam que trata-se de um legado da tradi\u00e7\u00e3o portuguesa que se enriqueceu com elementos herdados da Fran\u00e7a e se nutriu da cultura popular dos sub\u00farbios do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Com o tempo, se sofisticaram e substitu\u00edram a bola de couro de boi pela bola de borracha, embora alguns a mudem por sombrinhas ou paus.<\/p>\n<p>Declarado Patrim\u00f4nio Cultural Carioca em 2012 por sua forma alegre e irreverente de festejar o carnaval, poucos na Zona Sul do Rio os conhecem e as centenas de grupos de bate-bolas ficam na \u00e1rea norte e nas comunidades da Zona Oeste, em bairros como Realengo, Jacarepagu\u00e1, Marechal Hermes, Oswaldo Cruz, Anchieta e Campo Grande.<\/p>\n<p>N\u00e3o renegam do samba, mas escolhem o funk e o rap porque s\u00e3o mais realistas. O samba reflete o poder de fantasiar, resumiu Elio, que faz fantasias na Cidade de Deus.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos que abriram espa\u00e7o para mulheres e crian\u00e7as e tentam acabar com a lenda de viol\u00eancia que os persegue.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes ocorrem epis\u00f3dios violentos, mas \u00e9 preciso conscientizar as pessoas de que \u00e9 uma festa e que as discuss\u00f5es s\u00e3o casuais, afirmou Anderson, um professor de jud\u00f4 que lidera o Badalados, tamb\u00e9m da Cidade.<\/p>\n<p>Os grupos t\u00eam muita rivalidade entre eles e se misturam com os confrontos das torcidas de futebol, admitiu Vitor, um mototaxista que realizou seu sonho de fundar o Sal de Baixo, o bate-bola mais novo da favela.<\/p>\n<p>Diogo deixou o Gorilas porque alguns sa\u00edam armados e havia tiros. N\u00e3o era o meu ritmo e senti que minha vida corria risco, confidenciou. Hoje desfila com o Havita, em Oswaldo Cruz (norte), cujo s\u00edmbolo \u00e9 um pequeno \u00edndio criado pela Disney.<\/p>\n<p>Os protagonistas deste carnaval paralelo tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o por volta das causas que os relegaram aos sub\u00farbios.<\/p>\n<p>Muita gente n\u00e3o entende por que algu\u00e9m entra num vestido e se cobre com uma m\u00e1scara para suar e dar voltas, mas \u00e9 emocionante. \u00c9 uma cultura de sub\u00farbio. Voc\u00ea n\u00e3o vai ver na Zona Sul, l\u00e1 \u00e9 mais um espet\u00e1culo. Aqui as crian\u00e7as sonham em ser bate-bolas, disse Vitor, que prepara as fantasias num terra\u00e7o da favela.<\/p>\n<p>O desenho e a confec\u00e7\u00e3o dos trajes leva quase um ano de trabalho. E n\u00e3o s\u00e3o baratos. A fantasia pode custar at\u00e9 R$ 1.300, e os bate-boleiros podem pagar a prazo.<\/p>\n<p>Os seus nomes est\u00e3o relacionados com sentimentos (Emo\u00e7\u00e3o, Agonia, Amizade, Ousadia), com for\u00e7a (Bra\u00e7o de Ferro, Dom\u00ednio), desenhos animados (Havita), ou animais (Cobra).<\/p>\n<p>Chegou a madrugada do s\u00e1bado e os Abusados estavam preparados. Billy Souza os re\u00fane: Queremos um carnaval em paz, insiste, consciente da amea\u00e7a da viol\u00eancia na favela. Forman um grande c\u00edrculo e rezam um Pai Nosso antes de irem para a rua.<\/p>\n<p>Com o funk ao fundo e uma chuva de fogos de artif\u00edcio, os bate-bolas abrem passagem a duras penas entre a multid\u00e3o. \u00c9 a festa do barulho e da confus\u00e3o.<\/p>\n<p>Outros contam a hist\u00f3ria. N\u00f3s fazemos a hist\u00f3ria, diz a frase do Abusados sob uma caveira que beija uma mulher. EFE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11 fev (EFE).- A Cidade de Deus est\u00e1 em festa. O funk ecoa pela comunidade e milhares de pessoas seguem o Abusados, seu primeiro grupo de bate-bolas, estrelas de um carnaval alheio ao Samb\u00f3dromo, no qual as m\u00e1scaras aterrorizadoras substituem as plumas e lantejoulas. 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