{"id":21724,"date":"2018-02-18T00:33:13","date_gmt":"2018-02-18T00:33:13","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=21724"},"modified":"2018-02-18T00:33:13","modified_gmt":"2018-02-18T00:33:13","slug":"nao-e-nao-brasileiras-em-campanha-contra-assedio-no-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/nao-e-nao-brasileiras-em-campanha-contra-assedio-no-carnaval\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o: brasileiras em campanha contra ass\u00e9dio no Carnaval"},"content":{"rendered":"<p>A campanha #MeToo se tornou famosa no mundo inteiro, mas as brasileiras criaram seu pr\u00f3prio lema para lutar contra o ass\u00e9dio durante o Carnaval, e inclusive o tatuam na pele: N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma frase simples e clara estampada no peito, nos bra\u00e7os e at\u00e9 nas n\u00e1degas para que os homens entendam que n\u00e3o importam os 40\u00baC, a pouca roupa, nem o excesso de \u00e1lcool. N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>E apesar do Carnaval ser a festa dos excessos, para muitos ainda parece n\u00e3o estar claro, j\u00e1 que as cifras espantam: uma mulher foi agredida a cada quatro minutos no \u00faltimo Carnaval do Rio de Janeiro, de acordo com a Pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Por isso, Luka Borges n\u00e3o se cansa de distribuir as tatuagens tempor\u00e1rias para as meninas que pedem durante um bloco no Centro da cidade.<\/p>\n<p>Existe muito machismo no Brasil e isso \u00e9 mais urgente sendo Carnaval, porque a gente fica mais tempo na rua e com menos roupa muitas vezes, e acaba sendo um argumento para um ass\u00e9dio, explica \u00e0 AFP esta gestora de projetos de 28 anos.<\/p>\n<p>Luka criou junto com quatro amigas as tatuagens N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o, que come\u00e7aram a ser distribu\u00eddas t\u00edmida e improvisadamente no ano passado em alguns blocos no Rio depois que uma delas sofreu ass\u00e9dio de um jovem.<\/p>\n<p>E por meio de um crowdfunding e de uma extensa rede de apoio, o coletivo produziu 27 mil tatuagens para o Carnaval de 2018, que hoje se dividem por cidades como Salvador, S\u00e3o Paulo e Olinda.<\/p>\n<p>&#8211; Preciso botar! &#8211;<\/p>\n<p>Quando v\u00ea Luka passar com as tatuagens em meio \u00e0 batucada, Anna Studard grita: pelo amor de Deus, preciso botar!.<\/p>\n<p>Com gelo, a produtora teatral de 27 anos a coloca no peito, coberto de purpurina.<\/p>\n<p>Acho que em muitos carnavais a gente n\u00e3o percebia o quanto era assediada, achava que era normal, que o cara est\u00e1 te puxando, \u00e9 chato&#8230; h\u00e1 um, ou dois anos, a gente vem criando uma consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o. Eu posso estar nua e n\u00e3o querer ficar com ningu\u00e9m, e eu n\u00e3o vou ficar, diz esta jovem.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que no Brasil, onde a sensualidade est\u00e1 \u00e0 flor da pele, os beijos com desconhecidos s\u00e3o comuns e generosos no Carnaval.<\/p>\n<p>A campanha N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o, de fato, est\u00e1 longe do puritanismo e busca empoderar as mulheres para que fa\u00e7am o que quiserem sob a l\u00f3gica do meu corpo, minhas regras.<\/p>\n<p>Se a gente continua se cobrindo, se escondendo, as meninas que est\u00e3o vindo v\u00e3o continuar precisando se proteger. Acho que \u00e9 um ato pol\u00edtico colocar o peito de fora, afirma Luka.<\/p>\n<p>Mas, para algumas, tatuar o N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o \u00e9 mais do que um s\u00edmbolo feminista.<\/p>\n<p>Eu tenho namorado, que foi viajar, e estando no bloquinho, tem muita gente, pessoal puxando&#8230; estou me sentindo mais segura, resume Caroline Fachetti, uma jovem de 19 anos fantasiada de marinheira com um biqu\u00edni listrado e um microshort azul.<\/p>\n<p>Do seu lado, seis turistas ingleses bebem cerveja e observam a cena animados.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 totalmente apropriado. O Brasil est\u00e1 alguns anos atr\u00e1s da Europa, acredita James Allan, de 28 anos.<\/p>\n<p>Seu amigo Ben concorda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualiza\u00e7\u00e3o das mulheres no Brasil: jogue no Google meninas norueguesas e depois meninas brasileiras e voc\u00ea vai ver a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Mulheres empoderadas &#8211;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas no Carnaval que as brasileiras enfrentam situa\u00e7\u00f5es complicadas.<\/p>\n<p>Uma em cada tr\u00eas mulheres maiores de 16 anos declarou ter sido v\u00edtima de viol\u00eancia f\u00edsica, verbal, ou psicol\u00f3gica, durante um per\u00edodo de um ano, segundo um estudo do Datafolha de mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que se algum homem pede a Luka uma tatuagem, ela pacientemente ir\u00e1 explic\u00e1-lo o motivo para n\u00e3o dar.<\/p>\n<p>\u00c9 uma luta nossa e \u00e9 claro que \u00e9 bem-vindo o apoio masculino. N\u00e3o se quebra o machismo se os homens n\u00e3o tiverem conscientiza\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 o nosso corpo que precisa estampar isso, acredita.<\/p>\n<p>O impacto da campanha \u00e9 dif\u00edcil de medir para al\u00e9m da moda, mas Luka declara que alguns homens se aproximaram do coletivo para confessar como as tatuagens lhes fizeram pensar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das tatuagens, existem outras a\u00e7\u00f5es contra o ass\u00e9dio: a ONU Mulheres lan\u00e7ou a campanha publicit\u00e1ria #CarnavalElesPorElas, e a Comiss\u00e3o de Defesa da Mulher do Rio distribui pelos blocos leques escritos N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o, com informa\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os municipais aos quais podem recorrer em caso de ass\u00e9dio, ou agress\u00e3o.<\/p>\n<p>O movimento N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o tem como seu principal objetivo deixar de existir, conclui Luka.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A campanha #MeToo se tornou famosa no mundo inteiro, mas as brasileiras criaram seu pr\u00f3prio lema para lutar contra o ass\u00e9dio durante o Carnaval, e inclusive o tatuam na pele: N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o. 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