{"id":21720,"date":"2018-02-18T00:32:18","date_gmt":"2018-02-18T00:32:18","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=21720"},"modified":"2018-02-18T00:32:18","modified_gmt":"2018-02-18T00:32:18","slug":"temor-de-febre-amarela-motiva-massacre-de-macacos-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/temor-de-febre-amarela-motiva-massacre-de-macacos-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Temor de febre amarela motiva massacre de macacos no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>O medo da febre amarela desatou nas \u00faltimas semanas no Rio de Janeiro um massacre de macacos, considerados equivocadamente vetores do v\u00edrus, apesar de estes serem a melhor defesa contra a doen\u00e7a, advertem autoridades.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do ano, 238 macacos apareceram mortos no estado, contra 602 em todo o ano passado, informaram os servi\u00e7os sanit\u00e1rios da cidade do Rio.<\/p>\n<p>Sessenta e nove por cento apresentavam sinais de agress\u00e3o, a maioria de espancamento ou envenenamento.<\/p>\n<p>O restante morreu devido a doen\u00e7as diversas, que s\u00e3o investigadas neste laborat\u00f3rio aonde chegam os macacos encontrados mortos no estado do Rio para avaliar a poss\u00edvel presen\u00e7a de v\u00edrus como o da febre amarela.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o \u00faltimo surto desta doen\u00e7a, que causou a morte de 25 pessoas neste estado desde o come\u00e7o do ano, a popula\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a procurar em massa vacinas em falta, mas alguns decidiram agir contra os macacos, em uma cidade entrela\u00e7ada com a floresta tropical.<\/p>\n<p>As pessoas precisam saber que quem transmite o v\u00edrus da febre amarela \u00e9 o mosquito. O macaco \u00e9 uma v\u00edtima, como o ser humano. Se o macaco n\u00e3o estiver no ambiente, o mosquito vai buscar o homem para se alimentar, explica \u00e0 AFP Fabiana Lucena, chefe da Unidade de Medicina Veterin\u00e1ria Jorge Vaitsman, perto do centro do Rio.<\/p>\n<p>Em sua mesa de trabalho, alinham-se os corpos de uma dezena de pequenos primatas que devem ser submetidos a necropsia.<\/p>\n<p>Este apresenta m\u00faltiplas fraturas na mand\u00edbula, na coluna, assim como diversas fraturas em ossos do cr\u00e2nio, explica, enquanto apalpa delicadamente a cabe\u00e7a do animal.<\/p>\n<p>Os corpos dos macacos que chegam ao laborat\u00f3rio foram encontrados em vias p\u00fablicas, alguns no meio da cidade.<\/p>\n<p>A prefeitura habilitou um n\u00famero de telefone para que a popula\u00e7\u00e3o aponte o aparecimento de carca\u00e7as, a fim de que os servi\u00e7os sanit\u00e1rios possam retir\u00e1-las.<\/p>\n<p>Quando foram anunciadas as primeiras mortes [de humanos] relacionadas com a febre amarela este ano, em meados de janeiro, havia dias em que receb\u00edamos uns vinte macacos mortos, dos quais 18 com sinais de agress\u00e3o, conta a veterin\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8211; Sentinelas &#8211;<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, os macacos s\u00e3o submetidos a uma necropsia e, em alguns casos, fragmentos de \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o enviados \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, renomado centro de epidemiologia, para identificar eventuais casos de doen\u00e7as como a febre amarela.<\/p>\n<p>As carca\u00e7as s\u00e3o incineradas em um cremat\u00f3rio nas mesmas instala\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os sanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os macacos servem de sentinelas, nos mostram onde o v\u00edrus est\u00e1, insiste Fabiana Lucena.<\/p>\n<p>Para poder fazer uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o mais intensa nas \u00e1reas onde est\u00e3o ocorrendo mortes de macacos por febre amarela. A partir do momento que o ser humano interfere nisso, isso dificulta a rastreabilidade do v\u00edrus, conclui.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram identificados massacres destes animais em outras regi\u00f5es do Brasil, especialmente nos estados vizinhos de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, onde foi registrado o maior n\u00famero de casos de febre amarela.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, uma equipe de bi\u00f3logos que trabalha em um parque da cidade lan\u00e7ou nas redes a campanha #Freemacaco, depois de ter recolhido dois filhotes que ficaram \u00f3rf\u00e3os ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, assassinada a pancadas.<\/p>\n<p>Em escala nacional, 98 pessoas morreram e 353 contra\u00edram a febre amarela no per\u00edodo que vai de 1\u00ba de julho a 6 de fevereiro, segundo o \u00faltimo balan\u00e7o divulgado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A febre amarela no Brasil se apresenta na modalidade de ciclo rural e est\u00e1 restrita a \u00e1reas de floresta, consideradas priorit\u00e1rias para efeitos de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A modalidade urbana ocorre quando um mosquito transmite o v\u00edrus de uma pessoa contaminada a outra saud\u00e1vel. Mas n\u00e3o h\u00e1 registros deste ciclo no Brasil desde 1942 e as autoridades negam ind\u00edcios de uma urbaniza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A febre amarela causa febre, calafrios, fadiga, dor de cabe\u00e7a e muscular, geralmente associados a n\u00e1useas e v\u00f4mitos. Os casos severos causam insufici\u00eancia renal e hep\u00e1tica, icter\u00edcia e hemorragia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O medo da febre amarela desatou nas \u00faltimas semanas no Rio de Janeiro um massacre de macacos, considerados equivocadamente vetores do v\u00edrus, apesar de estes serem a melhor defesa contra a doen\u00e7a, advertem autoridades. 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