{"id":21463,"date":"2018-02-17T23:33:11","date_gmt":"2018-02-17T23:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=21463"},"modified":"2018-02-17T23:33:11","modified_gmt":"2018-02-17T23:33:11","slug":"tarsila-do-amaral-inventora-do-modernismo-brasileiro-enfim-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/tarsila-do-amaral-inventora-do-modernismo-brasileiro-enfim-nos-eua\/","title":{"rendered":"Tarsila do Amaral, inventora do modernismo brasileiro, enfim nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Visitantes da exposi\u00e7\u00e3o Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil observam a obra Antropofagia no Museu de Arte Moderna de Nova York em 6 de fevereiro de 2018<\/p>\n<p>Tarsila do Amaral, a inventora da arte moderna no Brasil, chega aos Estados Unidos pela primeira vez com seus cactus sensuais e seus humanos de p\u00e9s enormes, quase meio s\u00e9culo ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>A primeira exposi\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos desta pioneira, que come\u00e7a no domingo no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), se concentra nos anos 1920, quando a artista viajava entre Paris e S\u00e3o Paulo, digerindo a arte destes dois mundos.<\/p>\n<p>Nascida em 1886 em uma fam\u00edlia da elite paulista e criada em uma fazenda nos arredores de S\u00e3o Paulo, Tarsila inventou a iconografia da antropofagia, o movimento que imaginou uma cultura brasileira nascida da digest\u00e3o simb\u00f3lica das influ\u00eancias europeias, um canibalismo art\u00edstico que libertaria finalmente o Brasil do trauma colonial.<\/p>\n<p>Quero ser a pintora do meu pa\u00eds, escreveu em Paris \u00e0 sua fam\u00edlia em 1923, aos 37 anos.<\/p>\n<p>&#8211; For\u00e7ar os limites &#8211;<\/p>\n<p>Foi pioneira tamb\u00e9m ao se divorciar nessa \u00e9poca. J\u00e1 com sua \u00fanica filha, nascida de seu primeiro casamento, voltou a se casar com o poeta Oswald de Andrade, e junto com ele e com poetas como Mario de Andrade, formou o Grupo dos Cinco, que discutia poesia e arte enquanto viajava pelo Brasil.<\/p>\n<p>Em algumas de suas viagens, eram acompanhados pelo poeta su\u00ed\u00e7o Blaise Cendrars, cujo livro Feuilles De Route foi ilustrado por Tarsila.<\/p>\n<p>Foi um presente de anivers\u00e1rio para Oswald, um quadro pintado em 1928 de uma figura alongada onde predominam as cores da bandeira brasileira, que inspirou o poeta a escrever seu Manifesto Antrop\u00f3fago.<\/p>\n<p>Oswald chamou a obra sem nome de Abaporu, uma combina\u00e7\u00e3o de duas palavras da l\u00edngua ind\u00edgena tupi-guarani, aba (homem) e poru (que come carne humana).<\/p>\n<p>Essa pintura e outras duas inclu\u00eddas na exposi\u00e7\u00e3o formam o tr\u00edptico oficioso de suas grandes obras-primas.<\/p>\n<p>S\u00e3o a anterior A negra, a radical imagem, para a \u00e9poca, de uma mulher negra nua, para o curador Luis P\u00e9rez Oramas uma das grandes banhistas da arte moderna que evoca a emancipa\u00e7\u00e3o racial e pol\u00edtica em um dos \u00faltimos pa\u00edses a abolir a escravid\u00e3o, em 1888, dois anos depois do nascimento de Tarsila.<\/p>\n<p>E a posterior Antropofagia, onde a artista fusiona essas duas pinturas para oferecer uma representa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita da natureza brasileira e a figura humana.<\/p>\n<p>&#8211; Tarsiwald &#8211;<\/p>\n<p>Muitas d\u00e9cadas antes das combina\u00e7\u00f5es de nomes de casais famosos nos \u00faltimos anos, j\u00e1 t\u00ednhamos Tarsiwald, como batizou seu amigo Mario de Andrade em uma poesia: Tarsila e Oswald, uma dupla insepar\u00e1vel em sua hist\u00f3ria de amor canibal.<\/p>\n<p>Para Tarsila, que em Paris estudou na prestigiosa Acad\u00e9mie Julian e com o artista cubista Fernand L\u00e9ger, o cubismo foi como a escola militar. Mas a sua destreza como pintora lhe acrescentou precis\u00e3o matem\u00e1tica na distribui\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o e a cor.<\/p>\n<p>Tarsiwald teve um final infeliz. Oswald deixou Tarsila por uma atriz mais jovem em 1930. A artista, sozinha e \u00e0 beira da fal\u00eancia, pintou nesse ano uma s\u00f3 obra, maravilhosamente triste: uma mulher vestida de lil\u00e1s, em p\u00e9 e de costas para o quadro em uma vasta plan\u00edcie, com uma longa cabeleira ondulada que escapa da moldura como a fuma\u00e7a de uma chamin\u00e9.<\/p>\n<p>Com a crise de 1929, que quebrou a ind\u00fastria do caf\u00e9, e a chegada ao poder de um governo autorit\u00e1rio, Tarsila abra\u00e7ou o ativismo social em sua pintura, por exemplo em Oper\u00e1rios, onde reflete a industrializa\u00e7\u00e3o e o caldeir\u00e3o de ra\u00e7as e a mesti\u00e7agem no Brasil.<\/p>\n<p>Voltou a se casar, desta vez com o intelectual marxista Osorio C\u00e9sar, teve exposi\u00e7\u00f5es na R\u00fassia e no final dos anos 1960, antes de sua morte em 1973, entraria no c\u00e2non brasileiro gra\u00e7as ao movimento Tropic\u00e1lia de Helio Oiticica, Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros, que abra\u00e7ou os preceitos da antropofagia.<\/p>\n<p>Para eles, j\u00e1 era hora de que a saturada e cansada Europa devorasse o Brasil e sua cultura. Porque como escreveu Oiticica, protagonista de uma bem-sucedida exposi\u00e7\u00e3o no Museu Whitney de Nova York no ano passado, antes de que os portugueses descobriram o Brasil, o Brasil havia descoberto a felicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Visitantes da exposi\u00e7\u00e3o Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil observam a obra Antropofagia no Museu de Arte Moderna de Nova York em 6 de fevereiro de 2018 Tarsila do Amaral, a inventora da arte moderna no Brasil, chega aos Estados Unidos pela primeira vez com seus cactus sensuais e seus humanos de p\u00e9s &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21463"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21464,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21463\/revisions\/21464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}