{"id":21067,"date":"2018-02-17T22:00:10","date_gmt":"2018-02-17T22:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=21067"},"modified":"2018-02-17T22:00:10","modified_gmt":"2018-02-17T22:00:10","slug":"notas-venezolanas-desvalorizadas-viram-material-para-artesanato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/notas-venezolanas-desvalorizadas-viram-material-para-artesanato\/","title":{"rendered":"Notas venezolanas desvalorizadas viram material para artesanato"},"content":{"rendered":"<p>Wilmer Rojas come\u00e7ou fazendo barquinhos com notas que encontrava pelo ch\u00e3o. Hoje, confecciona carteiras, nas quais usa at\u00e9 800 unidades da desvalorizada moeda venezuelana, que, juntas, serviriam para comprar meio quilo de arroz.<\/p>\n<p>Com tr\u00eas filhos e um quarto a caminho, Rojas, de 25 anos, come\u00e7ou a vender artesanato nas ruas feito com bol\u00edvares de valores baixos, desprezados, pois a moeda se desvalorizou 86,6% frente ao euro desde agosto.<\/p>\n<p>As pessoas jogam fora, porque n\u00e3o servem para comprar nada, ningu\u00e9m aceita mais, disse \u00e0 AFP nos arredores de uma esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 de Caracas, onde vend\u00ea cigarros e caf\u00e9 e passa o dia costurando notas.<\/p>\n<p>Com as de 2, 5, 10 e 20 bol\u00edvares n\u00e3o se compra nem uma bala, comenta, sobre as 400 unidades que usou para completar uma pequena carteira.<\/p>\n<p>As outras denomina\u00e7\u00f5es, em vig\u00eancia h\u00e1 um ano, tamb\u00e9m se espalharam com a infla\u00e7\u00e3o, que fechou 2017 em 2.600%, segundo o Parlamento, e poderia alcan\u00e7ar 13.000% neste ano, segundo estimativas do FMI.<\/p>\n<p>Aqui tem tipo 50 bolos (50 mil bol\u00edvares) que servem para um caixa de cigarros, se tanto, disse Wilmer sobre as notas usadas para fazer uma coroa de rainhas.<\/p>\n<p>&#8211; Dinheiro de brinquedo &#8211;<\/p>\n<p>As notas s\u00e3o dobradas com em origamis e entrela\u00e7adas com linha e agulha. Wilmer aprendeu a t\u00e9cnica de outro artesanato.<\/p>\n<p>Podem ser feitas com papel de revista, ou jornal, mas com notas \u00e9 mais f\u00e1cil, porque n\u00e3o valem nada e n\u00e3o do mesmo tamanho, voc\u00ea n\u00e3o perde tempo cortando, explica ele, que espera come\u00e7ar a vendar suas bolsas em breve.<\/p>\n<p>Wilmer precisa de uma fonte de renda extra, pois a venda de cigarros e caf\u00e9 diminuiu com a escassez de moeda. \u00c0s vezes, os clientes passam, me cumprimentam e avisam: N\u00e3o tenho real (dinheiro).<\/p>\n<p>No centro de Caracas, outros artes\u00e3o vendem bolsas de at\u00e9 300 mil bol\u00edvares &#8211; pouco mais de um ter\u00e7o do sal\u00e1rio m\u00ednimo -, equivalentes a um quilo de carne.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o comercializadas na cidade colombiana de Maicao, na fronteira norte, onde competem com as tradicionais mochilas wayuu.<\/p>\n<p>Usar a moeda venezuelana como brinquedo em vez de forma de pagamento \u00e9 a melhor met\u00e1fora para sua perda de valor, afirma a economista Tamara Herrera.<\/p>\n<p>&#8211; Venezuela desvalorizada &#8211;<\/p>\n<p>Com mil notas de 2 bol\u00edvares que ningu\u00e9m aceitava, Jos\u00e9 Le\u00f3n, desenhista de 26 anos, iniciou em 2016 um protesto no Instagram com notas pintadas e a hastag #VenezuelaDesvalorizada.<\/p>\n<p>Deadpool, anti-her\u00f3i da Marcel, inspirou sua primeira gravura em papel moeda. Depois dela, vieram personagens de Star Wars, paisagens e epis\u00f3dios da crise do pa\u00eds petroleiro pintados sobre os rostos de Simon Bol\u00edvar e outros pr\u00f3ceres.<\/p>\n<p>A maioria de seus clientes s\u00e3o do exterior e pagam at\u00e9 20 d\u00f3lares por uma obra. Com um pouco de corretivo e canetas, posso revalorizar a moeda em at\u00e9 5.000%, conta \u00e0 AFP em seu ateli\u00ea em San Cist\u00f3bal.<\/p>\n<p>Certa vez, recebeu 250 d\u00f3lares por uma vinheta encomendada que reproduziu as combina\u00e7\u00f5es de cores e formas do mestre venezuelano Carlos Cruz-Diez, lembra.<\/p>\n<p>Enquanto Jos\u00e9 encontrou um neg\u00f3cio pr\u00f3spero com sua money art, Wuilver, que ainda n\u00e3o sabe se vai vender seus acess\u00f3rios, costura uma fantasia de carnaval para sua filha. Esses ma\u00e7os n\u00e3o servem para comprar nada. Pelo menos dou um uso a eles, em vez de jogar fora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wilmer Rojas come\u00e7ou fazendo barquinhos com notas que encontrava pelo ch\u00e3o. Hoje, confecciona carteiras, nas quais usa at\u00e9 800 unidades da desvalorizada moeda venezuelana, que, juntas, serviriam para comprar meio quilo de arroz. 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