{"id":20833,"date":"2018-02-17T21:05:40","date_gmt":"2018-02-17T21:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20833"},"modified":"2018-02-17T21:05:40","modified_gmt":"2018-02-17T21:05:40","slug":"petrobras-estuda-produzir-biodiesel-a-partir-de-microalgas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/petrobras-estuda-produzir-biodiesel-a-partir-de-microalgas\/","title":{"rendered":"Petrobras estuda produzir biodiesel a partir de microalgas"},"content":{"rendered":"<p>A Petrobras trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia pioneira para produzir biodiesel de microalgas \u2013 alternativa aos combust\u00edveis derivados do petr\u00f3leo, que pode ser usada em carros e ou qualquer outro ve\u00edculo com motor a diesel.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a gerente de Biotecnologia do Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras, Juliana Vaz, ressaltou o pioneirismo do projeto que, em sua avalia\u00e7\u00e3o, \u201cvai contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um futuro mais sustent\u00e1vel. \u00c9 um projeto de vanguarda, pioneiro no Brasil e que logo vai estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos\u201d.<\/p>\n<p>Fabricado a partir de fontes renov\u00e1veis (entre elas \u00f3leo de soja, gordura animal e \u00f3leo de algod\u00e3o) ou do sebo de animais, o biocombust\u00edvel emite menos poluentes que o diesel. Do processo biol\u00f3gico das microalgas \u00e9 produzida uma biomassa usada para se extrair o \u00f3leo, que ser\u00e1 mat\u00e9ria prima para a produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel.<\/p>\n<p>A estatal almeja chegar a produzir o combust\u00edvel feito a partir da microalga em escala comercial. \u201cO biodiesel produzido j\u00e1 foi submetido a testes de qualifica\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio, sob os padr\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), e os resultados preliminares mostraram ser promissores\u201d, diz Juliana.<\/p>\n<p>As microalgas t\u00eam como principal vantagem o fato de n\u00e3o ter sazonalidade (per\u00edodos de safra) e n\u00e3o depender de condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas \u2013 de solo, por exemplo \u2013 para sua produ\u00e7\u00e3o. Sua fabrica\u00e7\u00e3o possibilita colheitas quase que semanais, com uma produtividade at\u00e9 40 vezes maior do que a da biomassa feita de vegetais terrestres. \u201cAs microalgas t\u00eam uma produtividade muito maior do que a soja e cana\u201d,  afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Benef\u00edcios para o meio ambiente<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o a partir da microalga traz ainda vantagens ecol\u00f3gicas, j\u00e1 que contribui para a redu\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) do ar, um dos geradores do efeito estufa, que causa o aquecimento global, uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es atuais com o meio ambiente.<\/p>\n<p>Cada uma tonelada de microalgas usadas para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel pode retirar at\u00e9 2,5 toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico do ar, taxa muito maior que a de outros vegetais normalmente utilizados para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel \u2013 seja a soja ou da cana-de-a\u00e7\u00facar\u201d, disse Juliana, ressaltando que esse g\u00e1s carb\u00f4nico ainda ser\u00e1 aproveitado para a produ\u00e7\u00e3o de um substituto dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Ainda dentro do contexto de maximizar a tecnologia, tamb\u00e9m est\u00e1 em estudo a possibilidade de cultivar microalgas em \u00e1guas oriundas da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, contribuindo no tratamento dessa \u00e1gua para descarte ou para re\u00faso. \u201cAs microalgas utilizam as subst\u00e2ncias presentes na \u00e1gua de produ\u00e7\u00e3o, como nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, como insumos para a convers\u00e3o em biomassa\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Escala de produ\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>As pesquisas tiveram in\u00edcio em um fotobiorreator criado pelos pr\u00f3prios pesquisadores do Cenpes, em pequena escala.  \u201cJ\u00e1 em Extremoz, no Rio Grande do Norte, e com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o processo \u00e9 testado em uma escala um pouco maior. O local conta com tanques abertos, com capacidade para 20 mil litros, onde as microalgas s\u00e3o cultivadas e possibilitam a avalia\u00e7\u00e3o do seu potencial produtivo, da qualidade e o teor do \u00f3leo produzido\u201d, disse.<\/p>\n<p>Juliana contou em primeira m\u00e3o \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi ampliada e encontra-se atualmente em escala piloto, fase da pesquisa o que dever\u00e1 demorar de 2,5 a 3 anos.<\/p>\n<p>A partir dessas avalia\u00e7\u00f5es, o processo ser\u00e1 testado em escala demonstrativa, em um cultivo que atingir\u00e1 de 50 a 100 hectares de tanques abertos. \u201cSeria uma fase semicomercial, para efetivamente sabermos se h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de se produzir este combust\u00edvel em escala comercial e de forma competitiva. E a\u00ed entra a fase de estrat\u00e9gia de defini\u00e7\u00e3o de an\u00e1lise de custo para certificar se efetivamente ele poder\u00e1 entrar no mercado\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 sendo pesquisado o uso das microalgas na produ\u00e7\u00e3o de bioquerosene de avia\u00e7\u00e3o (BioQAV), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tamb\u00e9m h\u00e1 parceria com a Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), em Minas Gerais, para a produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel. \u201cAs pesquisas se pautaram muito, no in\u00edcio, no dom\u00ednio do cultivo para a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, que uma vez produzido, pode ser utilizado para finalidades diversas, inclusive do BioQAV\u201d, afirmou Juliana.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, \u00e9 necess\u00e1rio garantir a viabilidade econ\u00f4mica para que a produ\u00e7\u00e3o chegue \u00e0 escala comercial. \u201cA atual dificuldade a ser vencida com as pesquisas \u00e9 a de otimizar o processo de tal forma que garanta viabilidade econ\u00f4mica e um balan\u00e7o energ\u00e9tico mais positivo, atrav\u00e9s principalmente do aumento do teor de \u00f3leo produzido pelas microalgas, afirma.<\/p>\n<p>Futuro baseado em baixo carbono<\/p>\n<p>Apesar do per\u00edodo de crise por que passou a Petrobras e da necessidade de cortar investimentos e de de vender ativos para se capitalizar e reduzir o n\u00edvel de endividamento \u2013 inclusive com a perspectivas de venda da PBio, bra\u00e7o da estatal para o setor de biocombust\u00edveis), a companhia mant\u00e9m a aten\u00e7\u00e3o voltada para esse tema.<\/p>\n<p>\u201cA Petrobras passou recentemente por uma fase dif\u00edcil, do ponto de vista financeiro, com um grau de endividamento bastante elevado, mas isso n\u00e3o nos fez descuidar do futuro. Tanto que, no nosso plano de neg\u00f3cios, uma das diretrizes \u00e9 de que a companhia vai se preparar para um futuro baseado numa economia de baixo carbono\u201d, como \u00e9 o caso do biocombust\u00edvel de microalgas, diz Juliana.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Lidia Neves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Petrobras trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia pioneira para produzir biodiesel de microalgas \u2013 alternativa aos combust\u00edveis derivados do petr\u00f3leo, que pode ser usada em carros e ou qualquer outro ve\u00edculo com motor a diesel. 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