{"id":20755,"date":"2018-02-17T20:47:20","date_gmt":"2018-02-17T20:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20755"},"modified":"2018-02-17T20:47:20","modified_gmt":"2018-02-17T20:47:20","slug":"salgueiro-conta-a-historia-de-mulheres-guerreiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/salgueiro-conta-a-historia-de-mulheres-guerreiras\/","title":{"rendered":"Salgueiro conta a hist\u00f3ria de mulheres guerreiras"},"content":{"rendered":"<p>A vontade de representar Xica da Silva no teatro vem de longe, mas os compromissos profissionais n\u00e3o tinham permitido at\u00e9 agora que o desejo da atriz Roberta Rodrigues fosse realizado. Finalmente isso vai poder ocorrer e para um p\u00fabico de cerca de 80 mil pessoas.<\/p>\n<p>A personagem de Roberta \u00e9 uma das mulheres fortes, guerreiras, que marcaram e ainda est\u00e3o presentes no cotidiano da vida brasileira. \u00c9 em homenagem a essas mulheres que o Salgueiro, escola da Tijuca, na zona norte do Rio, levar\u00e1 para o Samb\u00f3dromo, na segunda-feira (12), o enredo Senhoras do ventre do mundo.<\/p>\n<p>A atriz disse que se sente privilegiada, \u201cuma filha querida de Papai do C\u00e9u\u201d, por ter sido convidada para representar no enredo a escrava alforriada que se tornou parte da elite mineradora de Diamantina (MG). Al\u00e9m de representar uma personagem forte, o Salgueiro \u00e9 a escola do cora\u00e7\u00e3o de Roberta.<\/p>\n<p>\u201cO \u00faltimo ano que eu desfilei no Salgueiro foi quando ele foi campe\u00e3o em 2009 e eu brinquei muito dizendo que o Salgueiro ia ser campe\u00e3o quando eu desfilasse de novo. Ent\u00e3o, estou voltando com essa miss\u00e3o. O Salgueiro sempre faz desfiles incr\u00edveis. \u00c9 uma escola especial e sempre trata de assuntos que reveem conceitos da nossa cultura. E este ano, eu desfilar como Xica da Silva \u00e9 um presente!\u201d, afirmou, animada.<\/p>\n<p>Segundo Roberta, o convite foi apresentado pelo seu colega, o ator A\u00edlton Gra\u00e7a, que tamb\u00e9m \u00e9 integrante do Salgueiro. Ele j\u00e1 tinha um projeto de montar uma pe\u00e7a com a atriz no papel de Xica, o que em parte est\u00e1 sendo realizado com o desfile. \u201cEle falou: voc\u00ea \u00e9 minha Xica da Silva n\u00e3o s\u00f3 na vida, como no carnaval do Salgueiro. A\u00ed eu pirei, porque acho de uma import\u00e2ncia imensa, n\u00f3s mulheres negras, e tamb\u00e9m todo o povo brasileiro, saber da hist\u00f3ria da mulher negra no Brasil. S\u00e3o mulheres guerreiras, que transformaram, e por isso a gente tem hoje ascens\u00e3o, uma liberdade maior. N\u00e3o que seja perfeita. A gente ainda est\u00e1 lutando por muitas vit\u00f3rias, mas j\u00e1 deu uma boa caminhada, gra\u00e7as a mulheres como Xica da Silva\u201d, disse a atriz.<\/p>\n<p>Feminino e negro como nunca<\/p>\n<p>O tema foi proposto pela diretoria da escola ao carnavalesco Alex de Souza. Ele imediatamente concordou e desenvolveu o enredo que, na sua vis\u00e3o, toca em quest\u00f5es sociais ainda atuais, como racismo e misoginia. \u201cO Salgueiro vem feminino e negro como nunca. Acho que a gente vai fazer uma grande poesia na passarela\u201d, disse Souza, destacando tamb\u00e9m o papel social da escola.<\/p>\n<p>O Salgueiro, que tem a tradi\u00e7\u00e3o de levar para a avenida hist\u00f3rias com tem\u00e1tica africana e de figuras de destaque da cultura negra, j\u00e1 abordou anteriormente a pr\u00f3pria Xica da Silva, assim como o Quilombo dos Palmares e a Festa para um rei negro, sobre a visita de pr\u00edncipes africanos a Pernambuco.<\/p>\n<p>Diversos tipos de mulher estar\u00e3o representados na avenida, segundo Souza. \u201cEm v\u00e1rios per\u00edodos da hist\u00f3ria, em v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es. Ela \u00e9 a regente, ela \u00e9 a general, ela \u00e9 soldado, \u00e9 m\u00e3e, \u00e9 amante, \u00e9 companheira, militante, professora, poetisa. Ela \u00e9 aquela que est\u00e1 com o filho, da gesta\u00e7\u00e3o \u00e0 hora da morte. Aquela que introduz palavras em nosso vocabul\u00e1rio, d\u00e1 sabor \u00e0 nossa culin\u00e1ria, p\u00f5e tempero na panela. Que sabe ralhar na hora certa, que educa, batalha. Elas s\u00e3o tantas ao longo da hist\u00f3ria e tamb\u00e9m da nossa hist\u00f3ria brasileira\u201d, pontuou. A lista de representadas inclui desde aquelas que fizeram diferen\u00e7a na comunidade at\u00e9 pessoas que foram reconhecidas no pa\u00eds, como a pianista e compositora Carolina Cardoso de Menezes.<\/p>\n<p>O carnavalesco admitiu que embora os enredos com tem\u00e1tica africana sejam uma marca da escola, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter um deles todo ano na avenida, mas quando isso acontece, os integrantes mais saudosos de outros carnavais defendidos pelo Salgueiro ficam mais satisfeitos. \u201cEssa identifica\u00e7\u00e3o, essa afinidade ajuda bastante a dar aquele g\u00e1s de chegar e botar o p\u00e9 na avenida, a entrar com aquela for\u00e7a maior na hora do desfile. Isso \u00e9 muito bom para a gente\u201d, destacou.<\/p>\n<p>For\u00e7a do samba e da bateria<\/p>\n<p>O samba-enredo tamb\u00e9m \u00e9 um dos pontos fortes deste ano, que tem empolgado os componentes da escola, tanto nos ensaios da quadra quanto nos que ocorreram em ruas da Tijuca, segundo Souza. \u201cA escola vem forte no canto. \u00c9 uma escola tradicional, de ch\u00e3o, de comunidade. S\u00e3o coisas que parecem clich\u00eas, mas ela tem um ch\u00e3o muito forte. O Salgueiro tem uma caracter\u00edstica interessante: \u00e0s vezes os sambas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o badalados como os de outras escolas, mas fazem a diferen\u00e7a na hora do desfile\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Outra aposta \u00e9 a bateria do Salgueiro, considerada como uma das melhores da elite do carnaval carioca. \u201c\u00c9 uma bateria de respeito, bastante eficiente, que tem \u00e0 frente o mestre Marc\u00e3o. A bateria tamb\u00e9m faz com que o samba d\u00ea aquele sacode, que \u00e9 o que a gente espera fazer na avenida na segunda-feira (12)\u201d, completou.<\/p>\n<p>\u201cTurbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es\u201d no desfile<\/p>\n<p>O momento de entrar na avenida \u00e9 sempre de grande emo\u00e7\u00e3o para um componente de escola de samba. Para Roberta Rodrigues, com a representa\u00e7\u00e3o que far\u00e1 na passarela, ser\u00e1 tamb\u00e9m um instante em que pensar\u00e1 na filha Linda Flor, que completar\u00e1 um ano no dia 16, e em diversas mulheres que enfrentam batalhas para tocar a vida.<\/p>\n<p>Roberta disse que, como negra e vinda de comunidade \u2013 ela cresceu no Vidigal, na zona sul do Rio \u2013, nada foi f\u00e1cil. A atriz conta que precisou provar a compet\u00eancia \u201cum bilh\u00e3o de vezes\u201d, o que a capacitou para tudo que realizou n\u00e3o s\u00f3 no trabalho, mas na vida. Quando se tornou m\u00e3e, sentiu que isso ficou ainda mais forte.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea descobre uma for\u00e7a descomunal e n\u00e3o sabe de onde vem. E come\u00e7a a valorizar e entender as ladainhas da mam\u00e3e nas suas reclama\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea come\u00e7a entender melhor a mulher, o quanto somos fortes e n\u00e3o temos esse reconhecimento. Come\u00e7a a querer o seu espa\u00e7o e os seus direitos. Quando se torna m\u00e3e, isso potencializa. Com certeza, quando eu entrar na avenida, vou carregar a for\u00e7a de todas essas mulheres, das mulheres da minha fam\u00edlia, das minhas amigas. Vou entrar com um turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Lidia Neves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vontade de representar Xica da Silva no teatro vem de longe, mas os compromissos profissionais n\u00e3o tinham permitido at\u00e9 agora que o desejo da atriz Roberta Rodrigues fosse realizado. 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