{"id":20674,"date":"2018-02-17T20:28:35","date_gmt":"2018-02-17T20:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20674"},"modified":"2018-02-17T20:28:35","modified_gmt":"2018-02-17T20:28:35","slug":"musa-trans-do-carnaval-carioca-abre-portas-para-diversidade-e-pede-festa-sem-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/musa-trans-do-carnaval-carioca-abre-portas-para-diversidade-e-pede-festa-sem-violencia\/","title":{"rendered":"Musa trans do Carnaval carioca abre portas para diversidade e pede festa sem viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, 6 Fev (Reuters) &#8211; Aos 14 anos, quando desfilou pela primeira vez em uma escola de samba, Wagner Carvalho n\u00e3o se reconhecia na imagem que via no espelho.<\/p>\n<p>Hoje, depois de 16 anos, algumas cirurgias e um longo processo de autodescoberta, a agora Kamilla entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria como a primeira musa transg\u00eanero da escola Acad\u00eamicos do Salgueiro e, segundo a agremia\u00e7\u00e3o, a primeira de todo o Carnaval carioca.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que eu estou feliz eu tamb\u00e9m carrego uma grande responsabilidade, disse a carioca de 30 anos, em entrevista \u00e0 Reuters.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o tinha espa\u00e7o, ent\u00e3o voc\u00ea acaba agregando toda uma responsabilidade de um p\u00fablico, que te v\u00ea como exemplo, que torce.<\/p>\n<p>Nascida no Morro da Provid\u00eancia, Kamilla sempre foi apaixonada pelo Carnaval: desfilou pela primeira vez aos 14 anos, em uma pequena escola de seu bairro, e come\u00e7ou a sair em carros aleg\u00f3ricos no Salgueiro em 2008.<\/p>\n<p>Entretanto, foi apenas no ano passado, quando conheceu a presidente do Salgueiro, Regina Celi, que recebeu o convite para atravessar a Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed em uma posi\u00e7\u00e3o de destaque.<\/p>\n<p>O \u00e1pice da minha felicidade, descreveu a carioca, que tamb\u00e9m trabalha como cabeleireira.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o para o Carnaval exigiu uma mudan\u00e7a de dieta, rotina de exerc\u00edcios di\u00e1rios e ensaios duas vezes por semana at\u00e9 o desfile.<\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s desfilar no Salgueiro pela primeira vez, Kamilla representar\u00e1 uma rainha como parte do enredo Senhoras do Ventre do Mundo, que exalta a for\u00e7a da mulher negra. O enredo fala de mulheres, dos prim\u00f3rdios, mulheres guerreiras&#8230; Fala de pessoas que possibilitaram que mulheres hoje se empoderassem. Eu acho o enredo super a minha cara, disse.<\/p>\n<p>A presidente do Salgueiro, Regina Celi, afirma que \u00e9 natural ter uma representante trans na escola. Uma vez que o ser humano se identifica com o g\u00eanero feminino e assim se sente e se comporta, num universo t\u00e3o diverso, \u00e9 natural que tenhamos essa bela representante trans, disse \u00e0 Reuters. Kamilla vem somar-se a uma gama de mulheres que amam o samba e defendem a bandeira vermelho e branca.<\/p>\n<p>OBST\u00c1CULOS FORA DAS QUADRAS<\/p>\n<p>A estreia de Kamilla acontece, entretanto, em um momento dif\u00edcil para a diversidade no Brasil, onde, ao longo de 2017, mais de 170 pessoas trans foram assassinadas, segundo estudo divulgado em janeiro pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).<\/p>\n<p>Os n\u00fameros, os maiores em 10 anos, fazem do Brasil o pa\u00eds com mais assassinatos de travestis e transexuais do mundo, seguido pelo M\u00e9xico, com 56 mortes e os Estados Unidos, com 26, de acordo com a ONG internacional Transgender Europe (TGEU).<\/p>\n<p>Kamilla reconhece que, fora das quadras, a situa\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia para quem \u00e9 trans tem em tudo. Se voc\u00ea entrar em uma padaria comigo, as pessoas j\u00e1 v\u00e3o olhar. Se eu for em uma balada que n\u00e3o tem costume. Tudo que \u00e9 diferente vai ter resist\u00eancia, disse.<\/p>\n<p>As pessoas v\u00e3o apontar, sendo que n\u00e3o \u00e9 um apontar com educa\u00e7\u00e3o ou ent\u00e3o falar com discri\u00e7\u00e3o, a pessoa vai falar para voc\u00ea ver. Isso que incomoda mais.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Kamilla garante que progresso est\u00e1 sendo alcan\u00e7ado nas mais diversas \u00e1reas da sociedade. As pessoas n\u00e3o entendem que trans j\u00e1 existe, a gente faz tudo igual a todo mundo. Eu vou ao mercado igual a voc\u00ea. Tem trans que \u00e9 m\u00e9dica, tem trans que \u00e9 enfermeira, tem trans que est\u00e1 indo para faculdade, que est\u00e1 iniciando, tem trans de tudo.<\/p>\n<p>Para o Carnaval deste ano, ela deixa uma mensagem.<\/p>\n<p>Acho que as pessoas t\u00eam que aproveitar o Carnaval de rua para se divertir sem viol\u00eancia, sem se alterar, com paz, sem segregar qualquer tipo de pessoa, qualquer tipo de ra\u00e7a. Abra\u00e7ar as pessoas, defendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, 6 Fev (Reuters) &#8211; Aos 14 anos, quando desfilou pela primeira vez em uma escola de samba, Wagner Carvalho n\u00e3o se reconhecia na imagem que via no espelho. 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