{"id":20506,"date":"2018-02-17T19:49:07","date_gmt":"2018-02-17T19:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20506"},"modified":"2018-02-17T19:49:07","modified_gmt":"2018-02-17T19:49:07","slug":"operada-e-devolvida-ao-utero-menina-que-nasceu-duas-vezes-hoje-acorda-sorrindo-toda-manha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/operada-e-devolvida-ao-utero-menina-que-nasceu-duas-vezes-hoje-acorda-sorrindo-toda-manha\/","title":{"rendered":"Operada e devolvida ao \u00fatero, menina que nasceu duas vezes hoje acorda sorrindo toda manh\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Um beb\u00ea pode nascer duas vezes?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o caso da absoluta maioria das crian\u00e7as, mas foi assim para a pequena Lynlee Boemer.<\/p>\n<p>Em outubro de 2015, sua m\u00e3e, Margaret Boemer, descobriu que estava gr\u00e1vida de g\u00eameos. Ela sofreu um aborto espont\u00e2neo, mas um dos beb\u00eas sobreviveu.<\/p>\n<p>Com dez semanas de gesta\u00e7\u00e3o, ela e o marido descobriram que teriam uma menina. Fiquei bem feliz. J\u00e1 tinha duas meninas. Mais uma seria divertido, disse Margaret, que escolheu o nome de Lynlee em homenagem \u00e0s av\u00f3s da menina.<\/p>\n<p>Mas essa alegria seria interrompida algumas semanas depois, quando ela fez um ultrassom.<\/p>\n<p>Ficamos animados de ver nossa filha se mexendo, mas eu e meu marido notamos algo estranho. Parecia haver uma cabe\u00e7a de outro beb\u00ea na imagem. A t\u00e9cnica apenas disse que o cora\u00e7\u00e3o dela estava bem, mas falou que precisava chamar o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Lynlee tinha um teratoma sacrococc\u00edgeo crescendo na sua coluna, na regi\u00e3o do c\u00f3ccix. Esse tipo de tumor \u00e9 o mais comum encontrado em beb\u00eas, mas ainda assim \u00e9 bastante raro, ocorrendo em uma 1 a cada 35 mil gesta\u00e7\u00f5es. Sua causa \u00e9 desconhecida, e \u00e9 quatro vezes comum em meninas que em meninos.<\/p>\n<p>O tumor estava competindo com Lynlee por sangue e elevando seu risco de ter uma fal\u00eancia card\u00edaca. O m\u00e9dico disse que era s\u00e9rio, porque o tumor j\u00e1 podia ser visto com apenas 16 semanas de gesta\u00e7\u00e3o. Normalmente ele s\u00f3 \u00e9 identificado mais tarde ou depois de o beb\u00ea nascer, disse Margaret. Como era muito grande, fomos aconselhados a abortar.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o nada simples<\/p>\n<p>Ela conta ter ficado destru\u00edda por j\u00e1 ter sofrido um aborto na mesma gravidez. Tamb\u00e9m j\u00e1 havia passado por complica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas quando sua filha mais velha ainda era beb\u00ea. A gente j\u00e1 havia tido um milagre com uma de nossas beb\u00eas. Ficamos nos perguntando por que aquilo estava acontecendo conosco.<\/p>\n<p>Mas, pesquisando na internet sobre esse problema, o casal descobriu uma alternativa, que n\u00e3o seria nada simples: fazer uma cirurgia fetal.<\/p>\n<p>A beb\u00ea seria retirada do \u00fatero para ter a maior parte poss\u00edvel de seu tumor removida. Lynlee seria ent\u00e3o colocada de volta. Margaret conta que havia quatro hospitais nos Estados Unidos capazes de realizar o procedimento. Um deles era o Hospital Infantil do Texas, Estado americano onde a fam\u00edlia vive.<\/p>\n<p>Foi ali que o casal se encontrou pela primeira vez com o m\u00e9dico nigeriano Oluyinka Olutoye, especializado em cirurgia fetal. Passadas 20 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, o tumor tinha 8 cm, quase o mesmo tamanho da pr\u00f3pria Lynlee.<\/p>\n<p>Sem uma interven\u00e7\u00e3o, ela provavelmente morreria, disse Olutoye. Esse tipo de procedimento \u00e9 sempre arriscado, porque voc\u00ea opera duas pessoas ao mesmo tempo e pode perder ambas.<\/p>\n<p>Lynlee tinha 50% de chances de sobreviver.<\/p>\n<p>Corrida contra o tempo<\/p>\n<p>O m\u00e9dico explicou ainda que, \u00e0quela altura, o corpo de um feto ainda \u00e9 muito gelatinoso, o que torna mais delicados procedimentos como incis\u00f5es e suturas. Seria necess\u00e1rio esperar para que a beb\u00ea estivesse mais madura para suportar a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas era uma corrida contra o tempo: conforme Lynlee crescia, o mesmo ocorria com seu tumor. Est\u00e1vamos fazendo o nosso melhor para dar uma chance de nossa beb\u00ea sobreviver, contou Margaret.<\/p>\n<p>O casal fez uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar dinheiro para custear os cuidados m\u00e9dicos. Tamb\u00e9m usou suas economias, fez um bazar e pediu ajuda aos pais.<\/p>\n<p>Com 23 semanas, o casal foi fazer um novo check-up. Seu objetivo era chegar at\u00e9 a semana seguinte para fazer a cirurgia, mas o tumor havia crescido rapidamente, e o estado de Lynlee, se agravado. Os m\u00e9dicos decidiram oper\u00e1-la imediatamente.<\/p>\n<p>Margaret se despediu das duas filhas e foi para a sala de cirurgia, onde 20 m\u00e9dicos a aguardavam. Depois de fazer uma incis\u00e3o em seu abd\u00f4men e usar um ultrassom para evitar lesionar a placenta, o que comprometeria a gesta\u00e7\u00e3o, os m\u00e9dicos conseguiram fazer uma incis\u00e3o no \u00fatero para ter acesso \u00e0 Lynlee.<\/p>\n<p>Apenas a parte inferior do corpo da beb\u00ea foi exposta para que fosse removida parte do tumor e, ent\u00e3o, coloc\u00e1-la de volta. Ela ainda era muito pequena &#8211; tinha apenas 11 cm e pesava 530 gramas. Foi necess\u00e1rio usar lentes de aumento para oper\u00e1-la. Tamb\u00e9m foi preciso interromper a opera\u00e7\u00e3o em dado momento para fazer uma transfus\u00e3o para Lynlee &#8211; caso contr\u00e1rio ela n\u00e3o sobreviveria.<br \/>\nM\u00e3es s\u00e3o hero\u00ednas<\/p>\n<p>Ao fim, a opera\u00e7\u00e3o foi um sucesso. Foi um privil\u00e9gio e uma honra estar envolvido em algo que as pessoas nem sabem que \u00e9 poss\u00edvel, disse o m\u00e9dico. Mas, em casos assim, as m\u00e3es \u00e9 que s\u00e3o as verdadeiras hero\u00ednas, porque colocam seu corpo em risco em nome de suas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Margaret ficou em repouso pelo restante da gesta\u00e7\u00e3o. A meta era chegar \u00e0 38\u00aa semana, mas, de novo, foi necess\u00e1rio adiantar os planos. Em 6 de junho de 2016, Lynlee nasceu com 36 semanas e 5 dias em uma cesariana.<\/p>\n<p>Foi emocionante ouvi-la chorar, segur\u00e1-la e beij\u00e1-la. Hav\u00edamos passado por muita coisa para chegar at\u00e9 ali.<\/p>\n<p>Com oito dias de vida, Lynlee passou por mais uma cirurgia para remover o que restava do tumor.<\/p>\n<p>Hoje, com 1 anos e 8 meses, ela est\u00e1 muito bem, contou sua m\u00e3e. As opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram o fim. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o para o resto de sua vida, porque o tumor pode voltar, ent\u00e3o, precisamos monitorar, disse Margaret.<\/p>\n<p>Mas Lynlee hoje \u00e9 brincalhona e ativa: corre por todo o lado e n\u00e3o gosta de ficar parada, disse.<\/p>\n<p>Ela sempre foi uma beb\u00ea muito feliz. Toda manh\u00e3, ela acorda sorrindo. Gosta muito de brincar, ama m\u00fasica. \u00c9 uma alegria ver ela. N\u00e3o sabia que isso seria poss\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um beb\u00ea pode nascer duas vezes? N\u00e3o \u00e9 o caso da absoluta maioria das crian\u00e7as, mas foi assim para a pequena Lynlee Boemer. 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