{"id":20386,"date":"2018-02-17T19:20:56","date_gmt":"2018-02-17T19:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20386"},"modified":"2018-02-17T19:20:56","modified_gmt":"2018-02-17T19:20:56","slug":"uniao-da-ilha-desfila-os-sabores-da-culinaria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/uniao-da-ilha-desfila-os-sabores-da-culinaria-brasileira\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o da Ilha desfila os sabores da culin\u00e1ria brasileira"},"content":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o da Ilha do Governador, da zona norte do Rio, entra no Samb\u00f3dromo na segunda-feira de carnaval (12) com os sabores e pratos da culin\u00e1ria brasileira representados no enredo Brasil bom de boca. Se \u00e9 para falar de comida, claro que n\u00e3o podiam faltar os chefes de cozinha, escolhidos ap\u00f3s intensa procura. A premiada chefe Fl\u00e1via Quaresma deu assessoria ao carnavalesco da Azul, Vermelho e Branco da Ilha, Severo Luzardo. Fl\u00e1via disse que quando a not\u00edcia sobre o enredo da escola se espalhou, come\u00e7aram a chegar os pedidos dos chefes para participar do desfile. E a\u00ed surgiu uma quest\u00e3o dif\u00edcil de resolver: como arranjar lugar nas alegorias para atender tanta gente?<\/p>\n<p>\u201cOs chefes come\u00e7aram a me ligar para estar nos carros e n\u00e3o tinha mais lugar. E eu enlouquecendo o carnavalesco, que me disse que os carros t\u00eam uma estrutura e n\u00e3o dava para botar mais ningu\u00e9m\u201d, contou Fl\u00e1via. O jeito foi trazer um carro com v\u00e1rios chefes e o restante desfilar\u00e1 nas outras alegorias, representando a culin\u00e1ria da sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta reportagem \u00e9 parte da s\u00e9rie que a Ag\u00eancia Brasil publica, at\u00e9 o carnaval, sobre os preparativos para os desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. Confira as demais mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Quaresma revelou que a anima\u00e7\u00e3o dos chefes de fora do Rio foi tanta que eles resolveram bancar os pr\u00f3prios custos com passagem e hospedagem para estar no desfile da Ilha. Assim, ela conseguiu driblar a dificuldade financeira que as escolas enfrentaram este ano com cortes de recursos.<\/p>\n<p>\u201cO Claude [Troisgros], o Laurent [Suaudeau] e a Roberta Sudbrack, que moram no Rio, foi mais f\u00e1cil, porque eles j\u00e1 est\u00e3o aqui, mas s\u00e3o 18 estados representados. Todos [os chefes est\u00e3o] vindo por conta pr\u00f3pria, pagando passagem e estadia. Eu falei: s\u00f3 garanto a divers\u00e3o e o momento \u00fanico na vida de voc\u00eas\u201d, informou.<\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Para a dona de um restaurante carioca, a experi\u00eancia de desfilar em escolas de samba n\u00e3o \u00e9 nova, mas este ano, Fl\u00e1via quase desmaiou de emo\u00e7\u00e3o, quando o carnavalesco disse que a gastronomia brasileira ia ser o enredo da Ilha. Atravessar a avenida dos desfiles, agora, ser\u00e1 diferente, porque o enredo \u00e9 a gastronomia, algo que lhe d\u00e1 muito prazer.<\/p>\n<p>\u201cTantos anos que a gente ficou esperando para ver se algu\u00e9m ia falar da gastronomia. A primeira reuni\u00e3o que a gente teve foi aqui no barrac\u00e3o [da Cidade do Samba] e eu enlouqueci. J\u00e1 tinha a estrutura dos carros e o Severo me deu uma aula de como estava interpretando na avenida a gastronomia. Fiquei arrepiada, ele lembrou de tudo com tantos detalhes!\u201d, revelou, aprovando o trabalho do carnavalesco.<\/p>\n<p>Setores<\/p>\n<p>A primeira parte do enredo vai mostrar os produtos que vieram de fora, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil. A partir da\u00ed, as influ\u00eancias dos portugueses e seu pa\u00eds de origem se misturam com os alimentos que encontraram por aqui, como o milho, o caju e a pimenta usada pelos ind\u00edgenas. A influ\u00eancia dos nativos da Am\u00e9rica na culin\u00e1ria brasileira estar\u00e1 representada no segundo setor do enredo. \u201cO pato no tucupi \u00e9 uma comida ind\u00edgena que est\u00e1 at\u00e9 hoje no prato do brasileiro, [assim como] o tacac\u00e1. S\u00e3o coisas da culin\u00e1ria ind\u00edgena\u201d, explicou Severo Luzardo.<\/p>\n<p>Para a ala de baianas, o carnavalesco reservou um toque especial. Elas estar\u00e3o vestidas em alus\u00e3o \u00e0 pacova da terra. \u201cEm uma das cartas de Pero Vaz de Caminha de volta para Portugal ele descreve que encontrou aqui no Brasil uma esp\u00e9cie de banana que os nativos chamavam de pacova, que era pequena e sem gosto. OK, mas era a nossa culin\u00e1ria e at\u00e9 hoje, na regi\u00e3o Norte, se encontra pacova na feira e nas receitas est\u00e1 escrito pacova. Isso \u00e9 bacana, \u00e9 nossa culin\u00e1ria\u201d, indicou. Em algumas regi\u00f5es a pacova tamb\u00e9m \u00e9 chamada de pacoba ou pacov\u00e3.<\/p>\n<p>O terceiro setor vai mostrar a influ\u00eancia dos negros que vieram para o Brasil e dos seus pratos que se tornaram comuns na gastronomia do pa\u00eds, como a feijoada e o acaraj\u00e9. \u201cNos ensinaram muitas coisas e, sobretudo, botaram o tempero na culin\u00e1ria brasileira. At\u00e9 ent\u00e3o, a culin\u00e1ria da corte era muito insossa\u201d, pontuou, acrescentando que as fantasias dos ritmistas da bateria far\u00e3o refer\u00eancia aos cozinheiros negros.<\/p>\n<p>No quarto setor, a escola vai fazer uma cr\u00edtica de que apesar de produzir e exportar grande quantidade de alimentos, parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira ainda sofre com a fome. \u201cDeveria ser o contr\u00e1rio. A gente produz o alimento para o mundo. N\u00f3s dever\u00edamos ser uma na\u00e7\u00e3o fort\u00edssima. Sabemos produzir, temos pesquisas tecnol\u00f3gicas. N\u00e3o temos \u00e9 uma administra\u00e7\u00e3o\u201d, apontou Luzardo, sem entrar no vi\u00e9s pol\u00edtico do tema.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, com o cacau, a escola vai mostrar a alegria dos doces, uma homenagem \u00e0s av\u00f3s que fazem os bolos caseiros, comuns na lembran\u00e7a de muitas fam\u00edlias. O setor vai apresentar, ainda, algumas das prefer\u00eancias dos brasileiros, inclu\u00eddas at\u00e9 em listas de turistas que chegam ao pa\u00eds. \u201cInvariavelmente tem a coxinha de galinha, a caipirinha, o a\u00e7a\u00ed e o p\u00e3o de queijo, que hoje \u00e9 exportado. A gente vai mostrando para o mundo que temos peculiaridades\u201d, disse o carnavalesco.<\/p>\n<p>O desfile termina com um grande boteco \u2013 na vis\u00e3o de Luzardo, uma institui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cO brasileiro vai l\u00e1 para comer, para beber, conversar, falar de pol\u00edtica, de carnaval, de futebol, de tudo, antes de ir para a casa. \u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o em que a comida nos agrega. \u00c9 a gastronomia brasileira sendo bem representada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Descontra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O carnavalesco destacou que o enredo vai permitir que a Ilha se apresente leve e com muita evolu\u00e7\u00e3o, o que caracterizou v\u00e1rios desfiles da escola na avenida. E isso empolgou os componentes. Antes de definir os figurinos das alas, o carnavalesco teve o cuidado de mostrar e conversar sobre os prot\u00f3tipos das fantasias com os integrantes. \u201cEst\u00e1 todo mundo feliz. N\u00e3o tenho reclama\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Com tanta comida representada na avenida, a chefe Fl\u00e1via Quaresma avaliou que a fome no desfile da Ilha ser\u00e1 apenas a do t\u00edtulo de campe\u00e3, que, j\u00e1 que o menu j\u00e1 come\u00e7ou a ser preparado. Tem o pr\u00e9-carnaval que os chefes j\u00e1 est\u00e3o organizando. Como vem muita gente de outros estados, j\u00e1 tem gente perguntando onde vai se reunir, em que boteco, para experimentar as coisas do Rio, que muitos j\u00e1 conhecem, mas tem muita novidade [na comida], gra\u00e7as a Deus. Para a avenida, a gente est\u00e1 pensando o que vai levar e tem o p\u00f3s-carnaval, que j\u00e1 est\u00e1 programado. Agora, a fome mesmo com que a gente vai entrar [na avenida] \u00e9 uma fome enorme de t\u00edtulo e a vontade absurda de vencer\u201d, disse Fl\u00e1via, acreditando do campeonato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o da Ilha do Governador, da zona norte do Rio, entra no Samb\u00f3dromo na segunda-feira de carnaval (12) com os sabores e pratos da culin\u00e1ria brasileira representados no enredo Brasil bom de boca. Se \u00e9 para falar de comida, claro que n\u00e3o podiam faltar os chefes de cozinha, escolhidos ap\u00f3s intensa procura. 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