{"id":20336,"date":"2018-02-17T19:09:13","date_gmt":"2018-02-17T19:09:13","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20336"},"modified":"2018-02-17T19:09:13","modified_gmt":"2018-02-17T19:09:13","slug":"salah-abdeslam-a-radicalizacao-relampago-de-um-criminoso-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/salah-abdeslam-a-radicalizacao-relampago-de-um-criminoso-comum\/","title":{"rendered":"Salah Abdeslam: a radicaliza\u00e7\u00e3o rel\u00e2mpago de um criminoso comum"},"content":{"rendered":"<p>Salah Abdeslam, o \u00fanico sobrevivente das c\u00e9lulas jihadistas respons\u00e1veis pelos atentados de Paris em 2015 e em julgamento na B\u00e9lgica por um tiroteio que levou \u00e0 sua pris\u00e3o, continua a ser um enigma.<\/p>\n<p>Em Molenbeek, sub\u00farbio de Bruxelas onde reside a fam\u00edlia Abdeslam, Salah n\u00e3o deixou a imagem de um aprendiz de jihadista, mas de um menino presun\u00e7oso e arruaceiro.<\/p>\n<p>Um delinquente comum, que fumava maconha, bebia cerveja e n\u00e3o era apegado \u00e0 religi\u00e3o, antes de se radicalizar em um tempo recorde.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia antiterrorista francesa acredita que Abdeslam desempenhou um papel central nos ataques de 13 de novembro de 2015, quando tr\u00eas comandos jihadistas do grupo Estado Isl\u00e2mico (EI) semearam o terror em bares, restaurantes, nos arredores do est\u00e1dio de France e em uma casa de shows de Paris, matando 130 pessoas.<\/p>\n<p>Este cidad\u00e3o franc\u00eas, de origem marroquina, atualmente com 28 anos, foi encarregado de alugar os ve\u00edculos e as casas utilizadas pelos terroristas e de organizar a viagem dos membros desta rede extremista at\u00e9 a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Na noite do massacre, portava um cinto de explosivos. Mas ao contr\u00e1rio de seu irm\u00e3o, Brahim, desistiu de se explodir, deixando o artefato em uma lixeira.<\/p>\n<p>Depois de fugir da Fran\u00e7a em um carro ap\u00f3s os atentados, e apesar de sua foto circular por toda a Europa, conseguiu se esconder por quatro meses.<\/p>\n<p>Foi capturado em Molenbeek, em mar\u00e7o de 2016, durante uma grande opera\u00e7\u00e3o policial, na qual foi ferido a bala na perna.<\/p>\n<p>&#8211; Se mant\u00e9m em sil\u00eancio &#8211;<\/p>\n<p>Desde sua extradi\u00e7\u00e3o para a Fran\u00e7a em abril de 2016, Abdeslam tem se escondido em seu sil\u00eancio. Durante os cinco interrogat\u00f3rios se negou a responder as perguntas dos investigadores.<\/p>\n<p>No tiroteio que resultou em sua captura, tr\u00eas agentes ficaram feridos e um jihadista argelino morreu.<\/p>\n<p>Abdeslam est\u00e1 preso em regime de isolamento muito estrito na maior pris\u00e3o da Europa, em Fleury-M\u00e9rogis.<\/p>\n<p>No entanto, nos \u00faltimos meses, teve suas condi\u00e7\u00f5es de dente\u00e7\u00e3o relaxadas devido a temores sobre sua sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Concretamente, uma das janelas de sua cela foi destampada, e assim pode escutar os barulhos do exterior.<\/p>\n<p>Tudo indica que ser\u00e1 transferido a uma pris\u00e3o de seguran\u00e7a m\u00e1xima no norte da Fran\u00e7a, mais pr\u00f3xima da B\u00e9lgica, para facilitar o transporte durante o julgamento.<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e1s companhias &#8211;<\/p>\n<p>Como seus irm\u00e3os, Mohamed e Brahim, Salah morava com os pais e a irm\u00e3 em um pr\u00e9dio muito bonito com vista para a prefeitura de Molenbeek. Era uma fam\u00edlia unida, aberta e liberal, n\u00e3o muito religiosa, relembrou Olivier Martins, ex-advogado de Brahim, pouco depois de sua captura.<\/p>\n<p>Salah trabalhou como t\u00e9cnico na STIB, a empresa de transporte p\u00fablico de Bruxelas. Em mar\u00e7o de 2013, abriu um bar com seu irm\u00e3o, Les B\u00e9guines, no t\u00e9rreo de um edif\u00edcio de tijolos vermelhos em Molenbeek. Brahim era o propriet\u00e1rio; Salah, o gerente.<\/p>\n<p>Salah e Brahim tiveram uma juventude normal. Eles gostavam de futebol, sa\u00edam para festas, voltavam com garotas, segundo Jamal, professor e amigo de um dos irm\u00e3os Abdeslam. Bebiam, fumavam, mas n\u00e3o eram radicais, de acordo com Youssef, outro de seus conhecidos.<\/p>\n<p>Um dia, segundo Jamal, chegaram as m\u00e1s companhias, em um mau momento. Entre seus amigos estava Abdelhamid Abaaoud, que rapidamente se converteu em um dos jihadistas belgas mais not\u00f3rios e suposto c\u00e9rebro dos atentados de Paris. Ap\u00f3s um roubo em 2010, foram juntos para a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos meses que antecederam os atentados, j\u00e1 n\u00e3o bebiam e rezavam um pouco mais do que de costume, relatou outro irm\u00e3o, Mohamed, detido em Bruxelas no dia seguinte aos ataques, mas liberado logo depois, livre de acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na sexta-feira 13, Brahim se explodiu na Boulevard Voltaire. Segundo uma an\u00e1lise recentemente revelada pela r\u00e1dio France Inter, o cinto de explosivos de Salah tinha um defeito, mas n\u00e3o se sabe se ele tentou ativ\u00e1-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salah Abdeslam, o \u00fanico sobrevivente das c\u00e9lulas jihadistas respons\u00e1veis pelos atentados de Paris em 2015 e em julgamento na B\u00e9lgica por um tiroteio que levou \u00e0 sua pris\u00e3o, continua a ser um enigma. 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