{"id":20246,"date":"2018-02-17T18:48:06","date_gmt":"2018-02-17T18:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20246"},"modified":"2018-02-17T18:48:06","modified_gmt":"2018-02-17T18:48:06","slug":"mais-da-metade-da-industria-brasileira-esta-tecnologicamente-defasada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/mais-da-metade-da-industria-brasileira-esta-tecnologicamente-defasada\/","title":{"rendered":"Mais da metade da ind\u00fastria brasileira est\u00e1 tecnologicamente defasada"},"content":{"rendered":"<p>Roupas esportivas produzidas pela Sol Sport, de Jaragu\u00e1 do Sul (SC), v\u00e3o passar a sair da f\u00e1brica com um chip na etiqueta que indica ao fabricante e ao lojista a quantidade de pe\u00e7as dispon\u00edveis e quais delas t\u00eam mais sa\u00edda. Com o novo sistema em fase de implanta\u00e7\u00e3o, a empresa quer reduzir os estoques de quatro meses para dez dias e produzir s\u00f3 o que est\u00e1 vendido. Ao cortar custos e melhorar a produtividade, a Sol Sport quer avan\u00e7ar no mercado interno e recuperar terreno perdido externamente por falta de competitividade.<\/p>\n<p>A iniciativa faz parte de um movimento de adapta\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica \u00e0s novas tecnologias que v\u00eam revolucionando a forma de produ\u00e7\u00e3o industrial em todo o mundo &#8211; a chamada ind\u00fastria 4.0. Mas a Sol Sports pode ser considerada uma exce\u00e7\u00e3o em seu ramo de atua\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Estudo in\u00e9dito realizado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) aponta que, de 24 setores industriais brasileiros, mais da metade (14, incluindo o de vestu\u00e1rio e t\u00eaxtil) est\u00e1 bastante atrasada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais.<\/p>\n<p>O estudo constatou que esses setores correm riscos de se tornar t\u00e3o ineficientes a ponto de serem exclu\u00eddos da chamada quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial &#8211; que ser\u00e1 baseada na digitaliza\u00e7\u00e3o e robotiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas e dos processos produtivos para aumentar a efici\u00eancia. Os 14 setores que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel respondem por cerca de 40% da produ\u00e7\u00e3o industrial e por 38,9% do PIB Industrial brasileiro, de acordo com o IBGE.<\/p>\n<p>Eles precisam de investimentos urgentes, pois n\u00e3o ter\u00e3o competitividade principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses que competem diretamente com o Brasil, afirma Jo\u00e3o Em\u00edlio Gon\u00e7alves, gerente executivo de Pol\u00edtica Industrial da CNI. S\u00e3o setores com baixo grau de inova\u00e7\u00e3o, pouca inser\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio exterior e produtividade inferior \u00e0 m\u00e9dia internacional.<\/p>\n<p>Ele ressalta que empresas desses setores ter\u00e3o enorme desafio de competitividade e o senso de urg\u00eancia de atualiza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 dado pela pr\u00f3pria concorr\u00eancia. A mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica \u00e9 grande e vai ocorrer muito mais r\u00e1pido do que outras revolu\u00e7\u00f5es, diz. A falta de competitividade pode levar os produtos dessas empresas a serem substitu\u00eddos por importados.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves afirma que, apesar do resultado preocupante do estudo, o Brasil ainda n\u00e3o tem um atraso t\u00e3o grave assim em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. Mas que pode se distanciar cada vez mais, se n\u00e3o entrar na onda da moderniza\u00e7\u00e3o urgentemente.<\/p>\n<p>Tem de ser uma decis\u00e3o nacional; n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o sobre incentivos, benef\u00edcios para este ou aquele setor, afirma Gon\u00e7alves. Estamos falando do limite de sobreviv\u00eancia do setor industrial.<\/p>\n<p>A CNI pretende levar o estudo ao Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os nos pr\u00f3ximos dias, para tentar tra\u00e7ar um programa de inova\u00e7\u00e3o que envolva empresas, entidades, universidades e governo. Uma das sugest\u00f5es ser\u00e1 a abertura de linhas especiais de cr\u00e9dito pelo BNDES.<br \/>\nMetodologia<\/p>\n<p>Para identificar a situa\u00e7\u00e3o das empresas, a CNI cruzou dados de produtividade, exporta\u00e7\u00e3o e taxa de inova\u00e7\u00e3o dos setores industriais brasileiros em compara\u00e7\u00e3o com o desempenho desses segmentos nas 30 maiores economias do mundo, a maioria delas competidoras diretas dos produtos nacionais, como China, Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha (pa\u00eds onde nasceu o conceito da ind\u00fastria 4.0).<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m identificou os setores mais avan\u00e7ados nos quesitos avaliados, at\u00e9 mesmo com m\u00e9dias acima da internacional. Entre eles est\u00e3o as ind\u00fastrias extrativista, aliment\u00edcia, de bebidas e celulose e papel. Gon\u00e7alves explica que, por terem alta produtividade e elevado coeficiente de exporta\u00e7\u00e3o, esses setores s\u00e3o mais competitivos.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa, por\u00e9m, que esse grupo est\u00e1 tranquilo. Tem de continuar se atualizando para manter a competitividade, diz Gon\u00e7alves. \u00c9 o que est\u00e1 fazendo, por exemplo, a Gerdau, empresa do setor de metalurgia, cuja posi\u00e7\u00e3o no estudo \u00e9 de n\u00edvel m\u00e9dio, por se destacar em inova\u00e7\u00e3o e produtividade, mas n\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, a empresa instalou em suas 11 f\u00e1bricas no Pa\u00eds equipamentos e sistemas que v\u00e3o levar a uma economia de custos de R$ 15 milh\u00f5es anuais, diz a diretora de TI, Cl\u00e1udia Piunti. Uma das a\u00e7\u00f5es foi a migra\u00e7\u00e3o das bases de dados para o ambiente virtual (a nuvem), que gerou redu\u00e7\u00e3o de 50% do custo com armazenamento de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o foi a automatiza\u00e7\u00e3o do processo do invent\u00e1rio, com uso de drones que fazem fotos do estoque de sucatas e as enviam para um sistema que identifica e mede o que est\u00e1 dispon\u00edvel. Antes, eram necess\u00e1rios tr\u00eas dias para fazer essa classifica\u00e7\u00e3o, e agora s\u00e3o sete minutos, explica Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p>As iniciativas de inova\u00e7\u00e3o digital do grupo j\u00e1 somaram investimentos acima de R$ 150 milh\u00f5es.<br \/>\nPersonaliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A Sol Sports vai investir neste ano e no pr\u00f3ximo 10% de seu faturamento, de cerca de R$ 10 milh\u00f5es anuais, em automa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas de corte de tecido e de costura, sensores para conectar equipamentos e programas que v\u00e3o permitir a personaliza\u00e7\u00e3o da roupa.<\/p>\n<p>Queremos atuar num nicho de produto de alto valor tecnol\u00f3gico customizado, diz Ary Carlos Pradi, s\u00f3cio da empresa. O cliente vai escolher o material, o tipo de tecido e cor da roupa que quer.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 expandir presen\u00e7a no mercado interno e recuperar o espa\u00e7o perdido no mercado externo.<\/p>\n<p>At\u00e9 2008 a Sol Sports exportava 80% de sua produ\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o que hoje \u00e9 de 30%. O grupo, segundo Pradi, perdeu competitividade para grupos externos, principalmente da China, al\u00e9m de enfrentar problemas com log\u00edstica, infraestrutura e taxas cambiais. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roupas esportivas produzidas pela Sol Sport, de Jaragu\u00e1 do Sul (SC), v\u00e3o passar a sair da f\u00e1brica com um chip na etiqueta que indica ao fabricante e ao lojista a quantidade de pe\u00e7as dispon\u00edveis e quais delas t\u00eam mais sa\u00edda. 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