{"id":20188,"date":"2018-02-17T18:34:29","date_gmt":"2018-02-17T18:34:29","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20188"},"modified":"2018-02-17T18:34:29","modified_gmt":"2018-02-17T18:34:29","slug":"pacientes-com-cancer-precisam-de-apoio-para-vencer-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/pacientes-com-cancer-precisam-de-apoio-para-vencer-a-doenca\/","title":{"rendered":"Pacientes com c\u00e2ncer precisam de apoio para vencer a doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>L\u00edverson Souza da Silva tinha 22 anos quando recebeu o primeiro comprimido quimioter\u00e1pico, minutos depois de ouvir o diagn\u00f3stico de leucemia no Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro, em 30 de dezembro de 2010. Ele foi internado naquele mesmo dia, e s\u00f3 saiu do hospital dois meses depois.<\/p>\n<p>Esse foi o in\u00edcio de seu tratamento de quatro anos contra a doen\u00e7a, que \u00e9 tema de mobiliza\u00e7\u00e3o internacional neste domingo (4), com o Dia Mundial do C\u00e2ncer.<\/p>\n<p>A leucemia de L\u00edverson est\u00e1 em remiss\u00e3o, per\u00edodo em que a doen\u00e7a desapareceu, mas o paciente continua em observa\u00e7\u00e3o para que um poss\u00edvel retorno seja diagnosticado rapidamente. De sua experi\u00eancia, esse carioca destaca o engajamento das pessoas \u00e0 sua volta e tamb\u00e9m os sacrif\u00edcios necess\u00e1rios para ajud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Quando a gente fala de um c\u00e2ncer, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a pessoa que fica doente, \u00e9 a comunidade em volta dela, diz ele. Sua m\u00e3e precisou parar de trabalhar para acompanh\u00e1-lo em consultas e interna\u00e7\u00f5es, e amigos organizavam rifas e festas para ajudar sua fam\u00edlia financeiramente.<\/p>\n<p>Ao receber alta de sua primeira interna\u00e7\u00e3o, ele precisou morar de favor na casa de um tio, porque sua casa era uma constru\u00e7\u00e3o antiga, com mofo e infiltra\u00e7\u00f5es que prejudicariam a sa\u00fade de uma pessoa j\u00e1 debilitada.<\/p>\n<p>Eu tinha pouca intimidade com ele [o tio], s\u00f3 via uma, duas vezes por ano, apesar de ser um cara muito bacana. Mesmo assim, ele separou um quarto e passei um ano e meio, quase dois anos morando com ele. O apoio da fam\u00edlia em casos como o de L\u00edverson, na avalia\u00e7\u00e3o da diretora-geral do Instituto Nacional do C\u00e2ncer Jos\u00e9 Alencar Gomes da Silva (Inca), Ana Cristina Pinho Mendes, \u00e9 determinante.<\/p>\n<p>A maneira como o indiv\u00edduo e seus familiares lidam com o c\u00e2ncer \u00e9 definitiva at\u00e9 para o pr\u00f3prio progn\u00f3stico e os resultados dos tratamentos, diz a diretora do \u00f3rg\u00e3o, que iniciou uma campanha para reduzir a estigmatiza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e desconstruir a ideia de que ser diagnosticado com c\u00e2ncer \u00e9 receber uma senten\u00e7a de morte.<\/p>\n<p>No ambulat\u00f3rio, a gente v\u00ea pessoas que nem mencionam a palavra c\u00e2ncer. Familiares que tapam a boca, falam \u201caquela doen\u00e7a\u201d, \u201caquele problema\u201d e nem verbalizam. O fato \u00e9 que hoje o c\u00e2ncer \u00e9 completamente diferente do que era h\u00e1 10 anos, h\u00e1 15 anos. Os tratamentos s\u00e3o m\u00faltiplos e complementares.<\/p>\n<p>O apoio multidisciplinar recebido durante o tratamento fez L\u00edverson buscar o curso de Psicologia. Seu primeiro Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio foi ainda em condi\u00e7\u00f5es especiais, nas depend\u00eancias do HemoRio. Ele n\u00e3o passou e, na segunda tentativa, conseguiu uma bolsa integral para estudar em uma faculdade privada, onde j\u00e1 est\u00e1 no s\u00e9timo per\u00edodo.<\/p>\n<p>No final do tratamento, eu comecei a trabalhar voluntariamente em uma ONG [organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental], e foi onde conheci minha atual esposa, que desenvolve trabalho volunt\u00e1rio comigo at\u00e9 hoje, na ONG Pr\u00f3-Humanos, afirma ele, que se casou no ano passado, aos 29 anos, e alugou um apartamento em Guaratiba, na zona oeste do Rio. Seus planos s\u00e3o se formar, se estabilizar financeiramente e ter filhos.<\/p>\n<p>Boatos e cuidados com o corpo<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a que o c\u00e2ncer trouxe para a cabeleireira Fabiani Monteiro, de 43 anos, foi observar e cuidar melhor do corpo. Quando foi diagnosticada com c\u00e2ncer de mama, aos 39 anos, ela conta que nunca realizava o autoexame e se apavorou ao se deparar com um n\u00f3dulo de oito cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>Com a doen\u00e7a em remiss\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas anos, ela tenta passar essa experi\u00eancia a outros pacientes, trabalhando na ONG Renascer.<\/p>\n<p>Hoje em dia, eu chamo muita aten\u00e7\u00e3o das mulheres para isso. Eu poderia ter descoberto esse n\u00f3dulo mais precocemente e o dano seria bem menor, diz ela, que tamb\u00e9m defende que o acolhimento e a positividade das pessoas mais pr\u00f3ximas s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p>Atrapalha muito quando voc\u00ea v\u00ea que aquela pessoa ao seu lado n\u00e3o acredita que voc\u00ea vai ser curada. Quando voc\u00ea ve, ela se entrega \u00e0 ideia de que voc\u00ea vai morrer e aquilo vai te consumir. Durante o per\u00edodo em que esteve doente, ela lembra que ouvia frequentemente conselhos absurdos.<\/p>\n<p>A gente escuta muita coisa. Voc\u00ea vai criando uma bolha e acaba perdendo ainda mais a sua qualidade de vida, confessa ela, que acredita que o paciente com c\u00e2ncer, ao receber o diagn\u00f3stico, precisa ter cuidado com a busca desesperada por informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O momento do diagn\u00f3stico \u00e9 o susto. Voc\u00ea quer correr atr\u00e1s do seu preju\u00edzo e buscar a cura pelos seus meios. \u00c9 quando voc\u00ea come\u00e7a a procurar no doutor Google e acha informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o procedem.<\/p>\n<p>O combate a not\u00edcias falsas e a boatos sobre a doen\u00e7a \u00e9 um dos focos do Inca este ano, o que motivou a realiza\u00e7\u00e3o de um debate na sede do instituto na \u00faltima sexta-feira (2).<\/p>\n<p>Para a diretora-geral do Inca, o combate aos boatos representa uma forma de prevenir o c\u00e2ncer, porque a consequ\u00eancia muitas vezes \u00e9 afastar os pacientes dos tratamentos corretos e criar falsas expectativas:Isso gera ansiedade, gera muitas vezes expectativas irreais, fantasiosas e frustra\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o funcionam. \u00c9 preciso que a informa\u00e7\u00e3o correta chegue ao paciente e quanto mais informa\u00e7\u00e3o, mais preparado o paciente estar\u00e1 para enfrentar a doen\u00e7a, argumenta.<\/p>\n<p>Para tirar d\u00favidas e desmentir boatos, a Funda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ncer, entidade sem fins lucrativos, parceira do Inca, ter\u00e1 um consult\u00f3rio online, que ser\u00e1 transmitido ao vivo durante este domingo no Facebook da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Oito profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade, entre m\u00e9dicos oncologistas de todas as especialidades e enfermeiros, estar\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da sociedade, falando das a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, tipos de c\u00e2ncer mais frequentes e inova\u00e7\u00f5es em termos de tratamento.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Kleber Sampaio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edverson Souza da Silva tinha 22 anos quando recebeu o primeiro comprimido quimioter\u00e1pico, minutos depois de ouvir o diagn\u00f3stico de leucemia no Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro, em 30 de dezembro de 2010. 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