{"id":20160,"date":"2018-02-17T18:27:55","date_gmt":"2018-02-17T18:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=20160"},"modified":"2018-02-17T18:27:55","modified_gmt":"2018-02-17T18:27:55","slug":"imperatriz-conta-enredo-dos-200-anos-do-museu-nacional-na-sapucai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/imperatriz-conta-enredo-dos-200-anos-do-museu-nacional-na-sapucai\/","title":{"rendered":"Imperatriz conta enredo dos 200 anos do Museu Nacional na Sapuca\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>A escola Imperatriz Leopoldinense, do bairro de Ramos, na zona da Leopoldina, no norte da capital fluminense, conta os 200 anos do Museu Nacional no seu desfile no grupo especial do carnaval carioca, na segunda-feira que vem (12). Para chegar at\u00e9 l\u00e1, a escola conta com o esfor\u00e7o de uma grande equipe.<\/p>\n<p>A partir desta reportagem, a Ag\u00eancia Brasil publica uma s\u00e9rie, nesta semana pr\u00e9via ao carnaval, em que conta sobre os preparativos para os desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do trabalho incessante da escola est\u00e1 Regina Cairo, de 72 anos e h\u00e1 44 envolvida com a Imperatriz. De l\u00e1 para c\u00e1, chegou a se afastar da escola por um per\u00edodo, mas h\u00e1 30 anos \u00e9 funcion\u00e1ria da agremia\u00e7\u00e3o, onde o trabalho n\u00e3o para durante o ano todo.<\/p>\n<p>Dona Regininha, funcion\u00e1ria da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense<\/p>\n<p>Dona Regininha atua na Imperatriz h\u00e1 44 anos e h\u00e1 30 \u00e9 funcion\u00e1ria da escola<\/p>\n<p>Dona Regininha, como \u00e9 chamada, est\u00e1 \u00e0 frente do trabalho incessante do barrac\u00e3o da Imperatriz na Cidade do Samba, na regi\u00e3o portu\u00e1ria da capital. \u201c\u00c9 muito bom trabalhar dentro de uma escola de samba. A gente fica aqui o ano inteiro. Somos registrados pela escola. Aqui voc\u00ea tem seus amigos, uma fun\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma responsabilidade\u201d, contou.<\/p>\n<p>Na rotina da escola de samba, ap\u00f3s o desfile, o movimento no galp\u00e3o para o ano seguinte come\u00e7a a esquentar em abril e se intensifica com o passar dos meses. Quando chega perto do carnaval, cerca de 230 pessoas trabalham no local. Dona Regininha admitiu que em alguns barrac\u00f5es, o estresse \u00e0s v\u00e9speras do desfile pode ser grande, principalmente para as escolas menos organizadas. Mas a ansiedade \u00e9 geral. \u201cQuando est\u00e1 chegando pertinho, \u00e9 terr\u00edvel\u201d, opinou.<\/p>\n<p>O trabalho nos barrac\u00f5es \u00e9 retomado ap\u00f3s o desfile com a desmontagem dos carros aleg\u00f3ricos, separando o que pode ser aproveitado de materiais, como ferragens e madeira. O esfor\u00e7o diminui os custos do ano seguinte. Com o enredo definido, s\u00e3o feitos o planejamento da compra de materiais e a avalia\u00e7\u00e3o os recursos financeiros dispon\u00edveis para cobrir os gastos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio contratar os especialistas que v\u00e3o trabalhar nas alegorias, entre ferreiros, escultores, eletricistas e os respons\u00e1veis pelos mecanismos que ser\u00e3o utilizados para dar movimento na decora\u00e7\u00e3o dos carros.<\/p>\n<p>Para este ano, o batalh\u00e3o aumentou, com a contrata\u00e7\u00e3o de engenheiros que acompanharam cada modalidade de engenharia envolvida nas alegorias. Essa foi uma das determina\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho que, ap\u00f3s uma fiscaliza\u00e7\u00e3o, interditou os barrac\u00f5es da Cidade do Samba entre outubro e novembro, at\u00e9 que tudo fosse providenciado.<\/p>\n<p>Dona Regininha bota ordem no local e as solicita\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais diversas, desde atender \u00e0s necessidades dos profissionais respons\u00e1veis pelo desenvolvimento das alegorias at\u00e9 ver o que \u00e9 necess\u00e1rio para os materiais que ser\u00e3o usados na confec\u00e7\u00e3o das fantasias no ateli\u00ea montado no quarto andar do barrac\u00e3o. Apesar da correria, ela diz que no fim sempre d\u00e1 certo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um filho que tem de nascer. Tem dia e hora para acontecer. \u00c0s vezes a coisa \u00e9 bem mais f\u00e1cil do que a gente pensa. Ai, meu Deus, n\u00e3o vai dar! Mas acaba dando tempo. Nunca vi n\u00e3o dar certo\u201d, contou, acrescentando que, perto do dia do desfile, no entanto, os profissionais que trabalham no barrac\u00e3o ficam mais nervosos, com medo dos atrasos.<\/p>\n<p>Cuidar ainda da alimenta\u00e7\u00e3o dos profissionais \u00e9 outra atribui\u00e7\u00e3o de Dona Regininha, que administra um refeit\u00f3rio que funciona em todos os turnos. \u201cTemos um caf\u00e9 da manh\u00e3, damos almo\u00e7o e uma janta, uma sopa para eles irem alimentados, embora n\u00e3o fa\u00e7am ser\u00e3o at\u00e9 tarde. A gente tem a preocupa\u00e7\u00e3o de dar a alimenta\u00e7\u00e3o para eles chegarem em casa j\u00e1 mais forradinhos. Tem gente que mora longe. Tem hor\u00e1rio para tudo, parece jardim de inf\u00e2ncia\u201d, disse, achando gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Para a funcion\u00e1ria da Imperatriz, o trabalho feito ao longo do ano credencia a escola na luta pelo t\u00edtulo de campe\u00e3 de 2018. A Verde e Branco conquistou o campeonato oito vezes: em 1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001.<\/p>\n<p>Enredo<\/p>\n<p>Este ano, o enredo Uma Noite Real no Museu Nacional homenageia o museu instalado na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio. Criado por dom Jo\u00e3o VI em junho de 1818, ainda com o nome de Museu Real, o Museu Nacional \u00e9 a mais antiga institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Brasil e o maior centro de visita\u00e7\u00e3o sobre hist\u00f3ria natural e antropol\u00f3gica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Segundo o carnavalesco Cah\u00ea Rodrigues, al\u00e9m da homenagem ao museu, o enredo tamb\u00e9m chamar\u00e1 aten\u00e7\u00e3o para o estado prec\u00e1rio de suas instala\u00e7\u00f5es. \u201cQuem visitou o museu h\u00e1 pouco tempo sabe as condi\u00e7\u00f5es em que se encontra. O museu clama por ajuda, assim como v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, mas a gente est\u00e1 falando de um bicenten\u00e1rio de um museu hist\u00f3rico. Qualquer barulho que a gente fa\u00e7a na imprensa para que algu\u00e9m olhe com mais carinho para aquela institui\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 qualquer dia que uma institui\u00e7\u00e3o no Brasil completa 200 anos\u201d,disse.<\/p>\n<p>Cah\u00ea contou que, quando levou a proposta do enredo para a dire\u00e7\u00e3o da Imperatriz, ela foi logo aceita. Ele relatou que os profissionais do museu se emocionaram em saber que as comemora\u00e7\u00f5es do bicenten\u00e1rio come\u00e7ariam com o desfile de uma escola de samba na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed.<\/p>\n<p>\u201cEles j\u00e1 tinham uma agenda de eventos que come\u00e7a em junho, mas n\u00e3o podiam imaginar que uma escola de samba como a Imperatriz pudesse exaltar a sua hist\u00f3ria. Claro que o carnaval tem o poder de m\u00eddia e de divulga\u00e7\u00e3o, de agregar valores. Eles vislumbraram a possibilidade de uma repercuss\u00e3o gigantesca e \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo. Tem pessoas que nunca passaram pela Quinta da Boa Vista que est\u00e3o frequentando. Tem componentes da escola com mais de 60 anos que nunca foram ao museu e o visitaram agora por conta do enredo da Imperatriz\u201d, disse, empolgado com a possibilidade de a escola levantar uma bandeira da cultura nacional.  \u201cIsso realmente \u00e9 o carnaval fazendo a sua parte na sociedade\u201d, completou.<\/p>\n<p>Tradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O diretor de carnaval Wagner Ara\u00fajo lembrou que a Imperatriz \u00e9 uma escola muito ligada \u00e0 comunidade, que em grande parte tem renda mais baixa, e este ano volta a passar na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed com um enredo contando a hist\u00f3ria de reis, rainhas, pr\u00edncipes e princesas, como foi em alguns anos em que levou o t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Essa tem\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o, pois, segundo o diretor, agrada aos componentes da escola, que gostam de se sentir bem-vestidos. Em alguns momentos, outros temas n\u00e3o foram t\u00e3o bem recebidos na comunidade.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 fizemos alguns carnavais em que a fantasia impressionou a comunidade negativamente, porque eram roupas simples\u201d, afirmou Ara\u00fajo, lembrando que o cuidado com as fantasias ocorreu at\u00e9 nos anos em que a escola teve os enredos sobre o jogador Zico, os cantores Zez\u00e9 de Camargo e Luciano e o l\u00edder sul-africano Mandela.<\/p>\n<p>Dona Regininha concorda. \u201cEu gosto de ver a suntuosidade da coisa. A Imperatriz acostumou a gente assim, a ver carnavais bonitos. Eu venho de carnavais com Arlindo Rodrigues, um mestre. Este tipo de enredo eu gosto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Desfile da comunidade<\/p>\n<p>A Imperatriz Leopoldinense vai este ano para a avenida com 2600 componentes no ch\u00e3o e 110 nas alegorias. Como n\u00e3o tem ala comercial, a escola paga todas as fantasias, que s\u00e3o distribu\u00eddas para pessoas que frequentam a agremia\u00e7\u00e3o e para comunidades da zona da Leopoldina, pr\u00f3ximas \u00e0 quadra.<\/p>\n<p>Wagner Ara\u00fajo destacou que, durante anos, as alas das escolas vendiam as fantasias por pre\u00e7os elevados e apenas baianas, os ritmistas da bateria, a velha guarda, as alas infantis e os passistas ganhavam o figurino. A mudan\u00e7a, segundo ele, foi para melhor. Os componentes entram na avenida mais identificados \u00e0s escolas e cantam o samba com mais for\u00e7a, um bom caminho para conseguir notas mais altas no quesito evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Lidia Neves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola Imperatriz Leopoldinense, do bairro de Ramos, na zona da Leopoldina, no norte da capital fluminense, conta os 200 anos do Museu Nacional no seu desfile no grupo especial do carnaval carioca, na segunda-feira que vem (12). Para chegar at\u00e9 l\u00e1, a escola conta com o esfor\u00e7o de uma grande equipe. 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