{"id":19904,"date":"2018-02-17T17:27:19","date_gmt":"2018-02-17T17:27:19","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=19904"},"modified":"2018-02-17T17:27:19","modified_gmt":"2018-02-17T17:27:19","slug":"temos-que-ter-a-coragem-de-dizer-que-quem-esta-com-fuzil-precisa-ser-punido-diz-sociologo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/temos-que-ter-a-coragem-de-dizer-que-quem-esta-com-fuzil-precisa-ser-punido-diz-sociologo\/","title":{"rendered":"Temos que ter a coragem de dizer que quem est\u00e1 com fuzil precisa ser punido, diz soci\u00f3logo"},"content":{"rendered":"<p>Depois de assistir \u00e0 chacina mais violenta de sua hist\u00f3ria &#8211; com 14 mortos alvejados a esmo em uma festa de rua &#8211; o Cear\u00e1 enfrentou uma sangrenta rebeli\u00e3o penitenci\u00e1ria que resultou em 10 mortos. Tudo em menos de 48 horas, no come\u00e7o dessa semana. Um ano antes, o Brasil foi impactado por revoltas violentas em s\u00e9rie nos pres\u00eddios do Norte e Nordeste brasileiros.<\/p>\n<p>Se os casos chocam a popula\u00e7\u00e3o em geral, os epis\u00f3dios n\u00e3o surpreendem especialistas como o soci\u00f3logo Renato S\u00e9rgio de Lima, diretor-presidente do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas em S\u00e3o Paulo. Lima acompanha os movimentos das fac\u00e7\u00f5es criminosas e a resposta do poder p\u00fablico a eles e diz que tanto a escalada da viol\u00eancia dos grupos quanto a dificuldade do Estado em responder a isso eram esperados.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, em Londres, Lima atribui o aumento da criminalidade violenta a uma nova din\u00e2mica do crime organizado &#8211; em especial \u00e0 guerra travada entre os ex-aliados PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) &#8211; e \u00e0 dificuldade de a\u00e7\u00f5es planejadas e integradas entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a, Judici\u00e1rio e Minist\u00e9rio P\u00fablico, dentro e fora dos pres\u00eddios.<\/p>\n<p>Para ele, h\u00e1 uma autocr\u00edtica a ser feita entre estudiosos de seguran\u00e7a p\u00fablica, e os especialistas n\u00e3o tem sido eficientes em se comunicar com a popula\u00e7\u00e3o. E no debate a gente erra dando combust\u00edvel a figuras como Bolsonaro e se esquece de gerar um debate que tenha empatia junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, diz Lima.<\/p>\n<p>Leia os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Rio Branco, no Acre, \u00e9 a capital onde os homic\u00eddios mais aumentaram no pa\u00eds. Como o sr. v\u00ea esse avan\u00e7o da criminalidade violenta rumo ao Norte do Brasil? Era algo esperado? O que explica esse movimento que passa pelo Nordeste e chega ao Norte?<\/p>\n<p>Renato S\u00e9rgio de Lima &#8211; O Norte \u00e9 uma \u00e1rea de fronteira, mas sempre teve inova\u00e7\u00f5es. Por exemplo, o Par\u00e1 foi o primeiro estado a integrar as pol\u00edticas de seguran\u00e7a trazendo para uma mesma coordena\u00e7\u00e3o as pol\u00edcias Civil e Militar no come\u00e7o dos anos 1990. Fez um trabalho intenso de redesenho da gest\u00e3o da \u00e1rea. O Acre, no come\u00e7o dos anos 2000, tamb\u00e9m fez isso. Mas se a gente olhar o Acre, h\u00e1 uma quest\u00e3o muito forte de ilegalidade na fronteira, que \u00e9 completamente porosa, sem nenhum tipo de controle oficial, n\u00e3o s\u00f3 no Acre, mas em toda regi\u00e3o Norte. Drogas, armas, passa qualquer coisa ali. Voc\u00ea tem problema geopol\u00edtico e estrat\u00e9gico. O governo estadual \u00e9 quem gerencia as pol\u00edcias e, at\u00e9 a \u00faltima d\u00e9cada, tinha pol\u00edticas integradas. Isso deixou de existir de alguma forma. Voc\u00ea tem uma mudan\u00e7a que tem a ver com governan\u00e7a na qual cada pol\u00edcia pensa por si s\u00f3 e presta contas ao governador. N\u00e3o existe planejamento, integra\u00e7\u00e3o. Isso vem acontecendo em v\u00e1rios lugares do pa\u00eds.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; O crime organizado tamb\u00e9m mudou?<\/p>\n<p>Lima &#8211; H\u00e1 uma nova din\u00e2mica do crime organizado que ganhou uma escala nacional a partir dos pres\u00eddios. A gente tem sim toda uma disputa de rotas de tr\u00e1fico, mas o controle territorial \u00e9 feito a partir do controle dos pres\u00eddios. S\u00e3o cerca de 30 organiza\u00e7\u00f5es criminosas no pa\u00eds, praticamente todas nasceram dentro dos pres\u00eddios. O Acre, por exemplo, j\u00e1 teve crises fortes nos pres\u00eddios. A gente aceita que as pris\u00f5es sejam escrit\u00f3rios do crime organizado.<\/p>\n<p>E voc\u00ea tem ainda um fator que tem mais a ver com o Nordeste, que \u00e9 o efeito perverso do crescimento que tivemos na economia. Antes da crise que come\u00e7ou em 2014, tivemos uma interioriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. As cidades cresceram, a riqueza come\u00e7ou a circular para al\u00e9m das capitais e as institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, principalmente as pol\u00edcias, mas tamb\u00e9m o Judici\u00e1rio e o Minist\u00e9rio P\u00fablico, n\u00e3o tiveram a mesma capacidade e a mesma capilaridade. As respostas p\u00fablicas n\u00e3o seguiram na mesma velocidade.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Depois do Acre, \u00e9 poss\u00edvel apontar quais estados podem passar por situa\u00e7\u00e3o similar de crescimento acelerado de homic\u00eddios e crimes violentos justamente por essa conjun\u00e7\u00e3o de fatores?<\/p>\n<p>Lima &#8211; N\u00f3s tivemos, no come\u00e7o do ano passado, o Amazonas (com uma s\u00e9rie de rebeli\u00f5es violentas e mortes nos pres\u00eddios em janeiro de 2017). Rond\u00f4nia \u00e9 uma bomba rel\u00f3gio. Rond\u00f4nia e Roraima s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que, \u00e0s vezes, a gente d\u00e1 pouca aten\u00e7\u00e3o, mas exigem cuidado redobrado. Toda regi\u00e3o Norte, de alguma forma, \u00e9 uma nova fronteira para um outro patamar de criminalidade. O que a BBC identificou [na reportagem sobre a escalada do crime no Acre] s\u00f3 revela o qu\u00e3o violenta s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es no Brasil. A viol\u00eancia faz parte da nossa hist\u00f3ria. No momento em que voc\u00ea tem institui\u00e7\u00f5es pouco estruturadas para conter a viol\u00eancia, voc\u00ea permite que ela se manifeste. Uma coisa que a gente tem que deixar muito explicita \u00e9 que a din\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 resultado do crime organizado. A quantidade de viol\u00eancia dom\u00e9stica, de crimes de mando por conflitos fundi\u00e1rios&#8230; o crime organizado \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental nesse tabuleiro, mas \u00e9 s\u00f3 um dos problemas que n\u00f3s temos no Brasil e que se manifestam com for\u00e7a no Norte e Nordeste porque s\u00e3o regi\u00f5es que t\u00eam, no linguajar t\u00e9cnico, capacidade institucional ainda extremante fr\u00e1geis para fazer frente ao que a gente est\u00e1 vivenciando.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Um leitor da BBC Brasil que \u00e9 do Acre nos escreveu comentando que antes n\u00e3o se via arma de grosso calibre como fuzil no Estado e, mais recentemente, h\u00e1 sempre not\u00edcia de uso ou apreens\u00e3o desse tipo de armamento. O acesso f\u00e1cil \u00e0s armas pesadas \u00e9 parte da explica\u00e7\u00e3o para o aumento da criminalidade violenta?<\/p>\n<p>Lima &#8211; A viol\u00eancia urbana que mata no Brasil usa rev\u00f3lver e pistola.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; N\u00e3o \u00e9 fuzil?<\/p>\n<p>Lima &#8211; N\u00e3o \u00e9 fuzil. Isso n\u00e3o quer dizer que o crime organizado n\u00e3o est\u00e1 se armando para suas disputas de territ\u00f3rio num momento em que voc\u00ea tem uma mudan\u00e7a de patamar principalmente com a cis\u00e3o do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV), que antes eram aliados e hoje s\u00e3o inimigos e tentam fortalecer suas posi\u00e7\u00f5es. Essas armas est\u00e3o chegando sem controle por v\u00e1rias frentes e o Estado brasileiro n\u00e3o tem conseguindo frear esse fluxo porque, de fato, nossas fronteiras s\u00e3o muito porosas. \u00c9 muito dif\u00edcil combater o tr\u00e1fico de armas porque as fronteiras s\u00e3o dif\u00edceis de serem vigiadas. At\u00e9 na fronteira dos EUA com o M\u00e9xico, uma das mais vigiadas, passa um monte de coisa. Tem que ter clareza que n\u00e3o existe um escudo que nos blinde ou um muro a la Donald Trump que nos proteja. Precisa ter informa\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia. A quest\u00e3o da arma \u00e9 importante quando se fala de seguran\u00e7a p\u00fablica. O fuzil e a metralhadora s\u00e3o armas de guerra e se n\u00f3s consegu\u00edssemos controlar melhor a ponta de produ\u00e7\u00e3o e se tiv\u00e9ssemos acordos de coopera\u00e7\u00e3o para saber por onde essas armas circulam, com certeza ter\u00edamos uma maior efetividade na seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Intelig\u00eancia pode ser uma arma mais eficiente?<\/p>\n<p>Lima &#8211; Intelig\u00eancia e armas de poder de parada. Como foi feito em v\u00e1rios lugares trocando fuzis por carabinas. N\u00e3o \u00e9 porque o crime organizado adota estrat\u00e9gia de guerrilha que a pol\u00edcia precisa fazer o mesmo. Se a gente n\u00e3o tiver doutrina do uso de armas nesse sentido, a gente pode estar colocando em cheque todo um esfor\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica. \u00c9 um risco quando as pessoas ficam dizendo&#8230; \u00e9 claro que assusta e precisamos ter poder de capacidade de fazer frente a isso, mas n\u00e3o pode autorizar todo mundo (a usar fuzis).<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Com a desmilitariza\u00e7\u00e3o das Farc, pode ser que se busque um outro inimigo p\u00fablico regional. O senhor acha que o PCC caminha para ser esse inimigo?<\/p>\n<p>Lima &#8211; O PCC de fato \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que precisa ser muito conhecida e acho que \u00e9 relativamente pouco conhecida pelas institui\u00e7\u00f5es. Temos investigadores e pessoas que conhecem muito, mas as corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o incorporaram esse conhecimento para al\u00e9m do delegado A, o promotor X, ou a for\u00e7a especial H. Esse \u00e9 o primeiro ponto. O segundo \u00e9: com a desmobiliza\u00e7\u00e3o das Farc no plano regional, o PCC \u00e9 o que mais se aproxima de um grande inimigo regional. Ele tem capacidade operacional, tem muito dinheiro, tem capacidade de aliciamento e corrup\u00e7\u00e3o e, de alguma forma, controla fatias importantes de territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; N\u00e3o s\u00f3 no Brasil&#8230;<\/p>\n<p>Lima &#8211; N\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em outros lugares, principalmente no Paraguai. Agora uma coisa importante \u00e9 que o dinheiro que compra a droga pode n\u00e3o estar no Brasil. A ordem banc\u00e1ria pode sair de outros pa\u00edses. O dinheiro est\u00e1 circulando. Isso mostra a import\u00e2ncia de ter intelig\u00eancia financeira forte para fazer frente a isso. A gente se esquece disso e acha que tem que ficar com um fuzil na frente de uma favela enfrentando um traficante que, na verdade, \u00e9 s\u00f3 um funcion\u00e1rio de uma cadeia muito mais poderosa que ele.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; O pr\u00f3prio PCC tem essa ambi\u00e7\u00e3o de ser o inimigo?<\/p>\n<p>Lima &#8211; O PCC n\u00e3o tem ambi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica como as Farc de ser um poder paralelo. O PCC visa lucro. Voc\u00ea n\u00e3o tem o PCC contra o Estado como voc\u00ea tinha a Farc contra o Estado colombiano tentando implantar um regime comunista. Nem PCC ou os comandos, nenhuma dessas organiza\u00e7\u00f5es, querem mudar o plano, eles querem \u00e9 ganhar dinheiro. At\u00e9 vai se associar a pol\u00edticos e eleger candidatos. Isso \u00e9 verdade, mas n\u00e3o para impor uma nova ordem pol\u00edtica ou porque querem mudan\u00e7a, \u00e9 simplesmente porque querem aumentar os lucros. Por isso, o pr\u00f3prio PCC seria contra a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas porque \u00e9 um neg\u00f3cio super lucrativo, contra um maior controle de fluxo de armas. O pr\u00f3prio crime organizado joga a favor dos pensamentos mais conservadores e reacion\u00e1rios porque resolver a situa\u00e7\u00e3o enfraqueceria o poder de fogo das fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Na sua avalia\u00e7\u00e3o, o PCC est\u00e1 se colocando naturalmente como o pr\u00f3ximo inimigo?<\/p>\n<p>Lima &#8211; Nosso principal inimigo na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 o crime organizado, \u00e9 a inefici\u00eancia do Estado. O nosso inimigo est\u00e1 em outro lugar, \u00e9 nossa incompet\u00eancia p\u00fablica em gerir seguran\u00e7a. O PCC \u00e9 fruto perverso da pol\u00edtica penitenci\u00e1ria brasileira. A gente n\u00e3o pode ter medo de dizer isso. Nos \u00faltimos anos, s\u00f3 cerca de 13% dos presos s\u00e3o acusados de homic\u00eddios e estupros e a popula\u00e7\u00e3o (carcer\u00e1ria) por crimes de droga mais do que dobrou. A pol\u00edtica penitenci\u00e1ria \u00e9, no fundo, a direta respons\u00e1vel pelo fortalecimento das fac\u00e7\u00f5es criminosas. A gente n\u00e3o pode fugir dessa discuss\u00e3o. O Estado est\u00e1 fracassando e quando falo Estado, n\u00e3o \u00e9 o poder Executivo apenas. O poder Judici\u00e1rio est\u00e1 muito ausente desse debate. O Judici\u00e1rio faz, em meio \u00e0s crises, declara\u00e7\u00f5es indignadas de que n\u00e3o podemos admitir, mas continua demorando a julgar casos de presos provis\u00f3rios, continua priorizando prender crimes relacionados a drogas. E n\u00e3o lida com quest\u00f5es pr\u00e1ticas da governan\u00e7a do sistema.<br \/>\nProtesto no centro de S\u00e3o Paulo com cartaz com rosto das v\u00edtimas<br \/>\nImage caption Em 2016, houve manifesta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo em mem\u00f3ria dos dez anos dos Crimes de Maio como ficou conhecida a s\u00e9rie de ataques promovida por integrantes do PCC | Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Tem ganhado for\u00e7a popular a ideia de aumentar a repress\u00e3o na Seguran\u00e7a P\u00fablica. H\u00e1 um descompasso entre o que pensam alguns especialistas &#8211; que recomendam a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas, por exemplo &#8211; e o que a popula\u00e7\u00e3o parece querer?<\/p>\n<p>Lima &#8211; A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 amedrontada, ela n\u00e3o acredita nas pol\u00edticas p\u00fablicas e, quando precisa, n\u00e3o pode contar com os servi\u00e7os p\u00fablicos e principalmente com a pol\u00edcia. E tem uma rela\u00e7\u00e3o extremamente contradit\u00f3ria com a pol\u00edcia, de esperan\u00e7a e medo. A pol\u00edcia que muitas vezes gera medo \u00e9 aquela a qual a popula\u00e7\u00e3o recorre para resolver problemas. O Brasil tem fracassado em desenhar uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica e tamb\u00e9m tem fracassado ao construir um discurso que fa\u00e7a um contraponto civilizat\u00f3rio ao discurso, por exemplo, do Jair Bolsonaro que atingiu 18% da prefer\u00eancia do eleitorado (segundo pesquisa Datafolha feita no fim de janeiro). Qual \u00e9 o discurso do Bolsonaro? \u00c9 s\u00f3 o discurso da ordem, n\u00e3o \u00e9 mais nada. Contraposto com quest\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas, ele n\u00e3o sabe e n\u00e3o tem nenhuma proposta. \u00c9 a reivindica\u00e7\u00e3o de ordem, uma ordem imposta pelo medo e pela viol\u00eancia.<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Pelo visto, est\u00e1 dando certo&#8230;<\/p>\n<p>Lima &#8211; N\u00e3o adianta um discurso baseado s\u00f3 em evid\u00eancia, s\u00f3 no que dizem os dados. Os especialistas erram ao achar que a raz\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de convencer a popula\u00e7\u00e3o. Se a gente olhar o que acontece com o Bolsonaro, ele n\u00e3o tem nenhuma racionalidade na argumenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 pura emo\u00e7\u00e3o. E est\u00e1 com 18% (de inten\u00e7\u00f5es de voto). A gente precisa dizer que os dados mostram que h\u00e1 caminhos e eles passam pela agenda de direitos. Mas n\u00e3o \u00e9 dizer que \u00e9 preciso primeiro resolver as desigualdades sociais, mas apontar caminhos que resolva o problema da criminalidade hoje. Temos cometido um erro hist\u00f3rico.<br \/>\nRenato S\u00e9rgio de Lima<br \/>\nImage caption Renato S\u00e9rgio de Lima: A viol\u00eancia urbana que mais mata no Brasil usa rev\u00f3lver e pistola, n\u00e3o \u00e9 fuzil| Foto: Gabriel Jabur\/Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/p>\n<p>BBC Brasil &#8211; Qual erro?<\/p>\n<p>Lima &#8211; Temos que ter a coragem de dizer que quem est\u00e1 com fuzil precisa ser punido, sim. N\u00e3o posso achar que ele n\u00e3o pode porque h\u00e1 desigualdades. Esse \u00e9 o que precisa ser punido, ser preso. O estado de direito n\u00e3o \u00e9 vingan\u00e7a, \u00e9 puni\u00e7\u00e3o. E no debate a gente erra dando combust\u00edvel a figuras como Bolsonaro e se esquece de gerar um debate que tenha empatia junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de assistir \u00e0 chacina mais violenta de sua hist\u00f3ria &#8211; com 14 mortos alvejados a esmo em uma festa de rua &#8211; o Cear\u00e1 enfrentou uma sangrenta rebeli\u00e3o penitenci\u00e1ria que resultou em 10 mortos. Tudo em menos de 48 horas, no come\u00e7o dessa semana. 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