{"id":19400,"date":"2018-02-17T15:37:17","date_gmt":"2018-02-17T15:37:17","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=19400"},"modified":"2018-02-17T15:37:17","modified_gmt":"2018-02-17T15:37:17","slug":"sem-desfile-oficial-escolas-de-samba-se-apresentam-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/sem-desfile-oficial-escolas-de-samba-se-apresentam-em-brasilia\/","title":{"rendered":"Sem desfile oficial, escolas de samba se apresentam em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Diante de um p\u00fablico t\u00edmido e em uma noite de temperatura amena ap\u00f3s um dia chuvoso, as seis escolas de samba do grupo especial do DF iniciaram nesta sexta-feira (2) as apresenta\u00e7\u00f5es deste ano no complexo cultural da Funarte, no centro de Bras\u00edlia. Pelo quarto ano consecutivo, o carnaval da capital do pa\u00eds n\u00e3o ter\u00e1 um desfile formal, com competi\u00e7\u00f5es entre as escolas, mas o chamado Bras\u00edlia Samba Show. O evento, que ocorre com a presen\u00e7a de artistas de express\u00e3o nacional, tem como objetivo manter as agremia\u00e7\u00f5es em evid\u00eancia enquanto n\u00e3o voltam \u00e0 programa\u00e7\u00e3o tradicional da folia.<\/p>\n<p>O Bras\u00edlia Samba Show \u00e9 uma forma paliativa de dar visibilidade \u00e0s escolas de samba do Distrito Federal, que n\u00e3o desfilam em uma competi\u00e7\u00e3o oficial carnavalesca desde 2014. O motivo \u00e9 a falta de dinheiro. Segundo o governo do Distrito Federal, o or\u00e7amento destinado nos anos anteriores ao desfile era de R$ 6 milh\u00f5es. Atualmente, est\u00e3o previstos gastos de apenas R$ 5 milh\u00f5es para todo o carnaval, incluindo o financiamento de bloquinhos de rua, as escolas e os demais custos com a estrutura.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente n\u00e3o tivemos o carnaval por mais um ano, mas estamos tentando manter a cultura do samba e dos desfiles ainda viva\u201d, afirma o diretor da Uni\u00e3o das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do Distrito Federal (Uniesbe), Adriano Gardini.<\/p>\n<p>Presidente da primeira escola a se apresentar ao p\u00fablico, a Imp\u00e9rio do Guar\u00e1, Edvaldo Lucas reclama da falta de tempo para organizar as escolas. Segundo ele, somente em janeiro o governo confirmou as atra\u00e7\u00f5es e, at\u00e9 o dia de hoje, o financiamento n\u00e3o havia sido liberado. \u201cIsso aqui, eu estou fazendo do meu bolso, para depois entrar o recurso e eu cobrir cheques meus. Um monte de coisa que a gente fica at\u00e9 com medo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O gestor da escola defende que haja um trabalho cont\u00ednuo de prepara\u00e7\u00e3o para o Carnaval, com, pelo menos, seis meses de anteced\u00eancia, mas como se considera um amante do samba, diz ainda ter esperan\u00e7as de que o carnaval brasiliense melhore.<\/p>\n<p>\u00c9 como se voc\u00ea torcesse para um time de futebol, e voc\u00ea tem paix\u00e3o. Quem gosta de samba, de escola de samba, tem essa vis\u00e3o. Cuidar. E isso, a gente cuida, porque a gente sabe que a comunidade e muitas vezes at\u00e9 com sal\u00e1rio a gente ajuda. Tem uma s\u00e9rie de coisa por tr\u00e1s que, quem n\u00e3o conhece, n\u00e3o sabe. Mas a gente espera que o governo venha, abrace as escolas, porque isso atinge totalmente a comunidade, a fam\u00edlia mesmo, afirma.<\/p>\n<p>Em 2017, apenas as seis escolas do grupo especial desfilaram, em propor\u00e7\u00f5es menores, e sa\u00edram separadas, com blocos carnavalescos ao longo da cidade. Neste ano, a ideia foi reunir as escolas em um mesmo dia, mas com o dobro de recursos: de acordo com a Secretaria de Cultura do DF, R$ 600 mil ser\u00e3o distribu\u00eddos igualmente entre elas. Ao todo, a festa de hoje custar\u00e1 R$ 955 mil, incluindo as contrata\u00e7\u00f5es de dois shows, que v\u00e3o ocorrer at\u00e9 a madrugada deste s\u00e1bado (3).<\/p>\n<p>De acordo com Edvaldo Lucas, diferentemente das 800 pessoas que em geral comp\u00f5em uma escola de samba de grupo especial, cada agremia\u00e7\u00e3o deve contar com cerca de 80 integrantes este ano.<\/p>\n<p>Passista<\/p>\n<p>A passista da Unidos da Vila Planalto e do Lago Sul, Ana Cl\u00e1udia Sousa, que esperava o momento de entrar no palco com sua escola, diz que a iniciativa \u00e9 uma forma de estimular as comunidades a n\u00e3o abandonarem a tradi\u00e7\u00e3o, mas aponta alternativas que devem ser promovidas ao longo do ano, e n\u00e3o somente durante o Carnaval.<\/p>\n<p>\u201cAjudar nos barrac\u00f5es de todas as escolas, incentivar a galera a tocar bateria e a ter mais baterias, porque \u00e0s vezes a gente toca com a bateria emprestada. Al\u00e9m de ser bom para o Carnaval, isso \u00e9 bom at\u00e9 para integrar as crian\u00e7as de rua, \u00e9 uma inclus\u00e3o\u201d, sugere.<\/p>\n<p>A massoterapeuta Luciana Oliveira, que curtia as apresenta\u00e7\u00f5es antes de participar do desfile da Associa\u00e7\u00e3o Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), tamb\u00e9m d\u00e1 dicas para o samba brasiliense tocar de uma forma mais ritmada. \u201cOficinas nas escolas, divulga\u00e7\u00e3o melhor da parte do governo, al\u00e9m da verba, que n\u00e3o est\u00e1 sendo liberada totalmente. Investimento \u00e9 o principal, porque R$ 100 mil n\u00e3o d\u00e1 nem para come\u00e7o de conversa\u201d, explica ela, que h\u00e1 20 anos faz parte da Aruc.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, um grupo de trabalho foi criado com a participa\u00e7\u00e3o do governo distrital e representantes das escolas de samba com o objetivo de encontrar solu\u00e7\u00f5es para o financiamento da folia. O GDF alega que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confirmar se haver\u00e1 ou n\u00e3o desfile em 2019, mas a inten\u00e7\u00e3o das conversas, que devem continuar nos pr\u00f3ximos meses, \u00e9 gerar sustentabilidade \u00e0s agremia\u00e7\u00f5es, inclusive por meio de editais lan\u00e7ados n\u00e3o apenas na \u00e9poca do Carnaval.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das seis escolas de samba do grupo especial, o evento, que deve varar a madrugada, vai contar ainda com os shows dos cantores Martn\u00e1lia e Xande de Pilares.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante de um p\u00fablico t\u00edmido e em uma noite de temperatura amena ap\u00f3s um dia chuvoso, as seis escolas de samba do grupo especial do DF iniciaram nesta sexta-feira (2) as apresenta\u00e7\u00f5es deste ano no complexo cultural da Funarte, no centro de Bras\u00edlia. 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