{"id":19388,"date":"2018-02-17T15:35:54","date_gmt":"2018-02-17T15:35:54","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=19388"},"modified":"2018-02-17T15:35:54","modified_gmt":"2018-02-17T15:35:54","slug":"baianas-do-carnaval-enfrentam-maratona-para-marcar-presenca-na-sapucai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/baianas-do-carnaval-enfrentam-maratona-para-marcar-presenca-na-sapucai\/","title":{"rendered":"Baianas do carnaval enfrentam maratona para marcar presen\u00e7a na Sapuca\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>Tia Sandra (a primeira da esquerda para a direita, na frente) lidera o grupo de baianas que desfila em v\u00e1rias escolas. Tia Verinha (a segunda da direita para a esquerda, na frente) \u00e9 uma das animadas integrantes do grupo e desfilar\u00e1 apesar de ter uma costela quebrada<\/p>\n<p>A idade, entre 60 e 80 anos, n\u00e3o \u00e9 empecilho para um grupo 20 de senhoras que gosta de desfilar em mais de uma escola de samba, no mesmo ano. Mas n\u00e3o basta passar na avenida. Precisa ser em um espa\u00e7o espec\u00edfico no enredo de cada uma das agremia\u00e7\u00f5es: a ala das baianas.<\/p>\n<p>Umas, vestidas com o figurino pr\u00f3prio, j\u00e1 come\u00e7am a extravasar a alegria em blocos de rua que antecedem o in\u00edcio do carnaval, mas na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, a partida para a maratona \u00e9 na sexta-feira (9) no grupo da s\u00e9rie A, continua no domingo (10) e na segunda (11) no Grupo Especial, sem esquecer das escolas das s\u00e9ries B, C, D e E, que saem na Estrada Intendente Magalh\u00e3es, no bairro do Campinho, na zona norte, entre s\u00e1bado (10) e ter\u00e7a-feira (13). A programa\u00e7\u00e3o da agenda \u00e9 minuciosa para n\u00e3o ter problemas com os hor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Depois de passar em todas as escolas programadas, que este ano s\u00e3o cinco, Tia Verinha, de 66 anos, ainda ter\u00e1 f\u00f4lego para o bloco do bairro, mesmo com uma fratura na costela. \u201cEu ca\u00ed na rua. Levei um tombo bobo\u201d.<\/p>\n<p>Nos anos 80 Tia Verinha era passista, mas a falta de uma baiana na escola a fez atender ao pedido para compor a ala e nunca mais saiu. \u201cA baiana \u00e9 a m\u00e3e da escola\u201d, disse, vaidosa, destacando que gosta da cerim\u00f4nia para a entrada das baianas e da velha guarda nos ensaios das escolas de samba.\u00c9 muito respeito.<\/p>\n<p>Orgulho de ser baiana<\/p>\n<p>Todas as baianas t\u00eam a sua escola do cora\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o impede de desfilar em outra agremia\u00e7\u00e3o. O que move tanta disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pertencer \u00e0 ala das baianas de uma escola espec\u00edfica, e sim ser baiana. \u201cNingu\u00e9m tem baiana. As baianas s\u00e3o do samba. Elas s\u00e3o livres para desfilar em todas as escolas. Todas as baianas representam uma arte, que \u00e9 a arte de girar, de passar alegria e entusiasmo na avenida\u201d, diz Tia Sandra, que coordena de um grupo de baianas h\u00e1 muito tempo: foram 30 anos na Porto da Pedra, do munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo, na regi\u00e3o metropolitana, e agora tem cinco anos que atua na Para\u00edso do Tuiuti, de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, bairro da zona norte do Rio.<\/p>\n<p>Para Tia Sandra, saber que cada uma das suas \u201cmeninas\u201d tem necessidades diferentes \u00e9 o que mant\u00e9m a uni\u00e3o de todas. Tem que entender as circunst\u00e2ncias diversas entre elas, como o tempo para participar dos ensaios, a dist\u00e2ncia para se deslocar para a quadra da escola, as atividades que desenvolvem para manter o or\u00e7amento da fam\u00edlia, a falta de seguran\u00e7a na comunidade onde moram.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 saber administrar tudo isso, os problemas, e conseguir contornar tudo. Passar para a diretoria que mesmo que n\u00e3o tenham vindo um dia, elas sabem o samba e est\u00e3o ensaiando forte. A gente tem um grupo no Whatsapp e eu passo para elas as orienta\u00e7\u00f5es da diretoria. A coordenadora Sandra n\u00e3o \u00e9 nada, se elas n\u00e3o estiverem me apoiando\u201d, afirmou, mostrando como administra o grupo.<\/p>\n<p>A alegria nos olhos delas \u00e9 vis\u00edvel quando comentam o momento especial do desfile, quando o ritmo do samba enredo facilita o giro da baiana. A coreografia do grupo costuma emocionar o p\u00fablico.<\/p>\n<p>O desafio do figurino<\/p>\n<p>Mas a vida de baiana tem tamb\u00e9m suas dificuldades. Uma delas \u00e9 o figurino. \u201cO carnavalesco n\u00e3o pensa que dentro daquela roupa est\u00e3o senhoras de 60, 70, 80 anos. Ele pensa que todas elas t\u00eam no m\u00e1ximo 20 anos para carregar aquela coisa toda, aqueles enfeites\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para evitar que o peso da roupa prejudique a evolu\u00e7\u00e3o da ala e garantir o efeito visual esperado, Tia Sandra adotou a estrat\u00e9gia de se aproximar do carnavalesco. Logo que s\u00e3o apresentadas as fantasias das alas, no in\u00edcio da prepara\u00e7\u00e3o para o carnaval do ano, Tia Sandra pega o prot\u00f3tipo e faz experi\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cNa Porto da Pedra, todos os carnavalescos que passavam por l\u00e1 j\u00e1 me conheciam e, por trabalhar durante muito tempo, eu me intrometia na roupa. Eu vestia, rodava para l\u00e1 e rodava para e dizia para o carnavalesco: olha, n\u00e3o d\u00e1 para fazer o que voc\u00ea quer com essa roupa. A\u00ed a gente sa\u00eda mudando a roupa, n\u00e3o tirando o brilho que ele planejava, mas mudando alguns tecidos e algumas coisas que tornasse a fantasia mais acess\u00edvel para elas [as baianas] vestirem. Nos cinco anos que estou aqui [Tuiuti], mostrei a minha cara para o carnavalesco e ele tem me escutado\u201d, contou.<\/p>\n<p>Tia Sandra reconheceu que o formato dos chap\u00e9us ou o tipo de sapato da fantasia podem incomodar durante o desfile, mas n\u00e3o teve d\u00favida para apontar o peso das ombreiras com \u201cesplendores gigantescos\u201d nas costas como a maior dificuldade para uma baiana.<\/p>\n<p>\u201cBaiana propriamente dita tem um chap\u00e9u, um pano nas costas diferenciado. Agora, [o carnavalesco] acha que tem que carregar adere\u00e7os enormes, coisas nas m\u00e3os, que n\u00e3o t\u00eam muito a ver com o simbolismo de uma baiana, \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>A ala da Tuiuti, formada por 80 baianas, promete muita empolga\u00e7\u00e3o para este ano, e n\u00e3o quer nem saber da rigidez dos diretores de harmonia, que t\u00eam a responsabilidade de n\u00e3o permitir espa\u00e7os entre os componentes da escola.<\/p>\n<p>\u201cEscola de samba n\u00e3o \u00e9 um quartel, \u00e9 uma coisa leve, descontra\u00edda. A gente vem para mostrar a nossa roupa e agradecer ao p\u00fablico que est\u00e1 l\u00e1 nos assistindo. Para fazer isso a gente precisa evoluir,<br \/>\nbrincar e estar linda para o povo gostar daquilo est\u00e1 vendo. Ent\u00e3o, a gente vai ter muitas surpresas com a Tuiuti este ano\u201d, revelou.<\/p>\n<p>O enredo da escola este ano \u00e9 Meu Deus, Meu Deus, est\u00e1 extinta a escravid\u00e3o?. Com ele a escola pretende fazer pensar que, apesar de ter ocorrido a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, n\u00e3o houve integra\u00e7\u00e3o, igualdade de direitos e cidadania. \u201cA gente precisa mostrar isso com o nosso canto, soltar a nossa voz para verem que o nosso samba, neste Brasil de hoje, \u00e9 muito atual. Fazer a pergunta para a popula\u00e7\u00e3o, se a gente est\u00e1 liberto ou n\u00e3o\u201d, defendeu Tia Sandra, destacando que as baianas representam a nobreza africana dentro do enredo.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Lidia Neves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tia Sandra (a primeira da esquerda para a direita, na frente) lidera o grupo de baianas que desfila em v\u00e1rias escolas. 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