{"id":18739,"date":"2018-02-17T14:21:24","date_gmt":"2018-02-17T14:21:24","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=18739"},"modified":"2018-02-17T14:21:24","modified_gmt":"2018-02-17T14:21:24","slug":"taleba-ja-ameaca-70-do-territorio-do-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/taleba-ja-ameaca-70-do-territorio-do-afeganistao\/","title":{"rendered":"Taleb\u00e3 j\u00e1 amea\u00e7a 70% do territ\u00f3rio do Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Bilh\u00f5es de d\u00f3lares j\u00e1 foram gastos pela coaliz\u00e3o que h\u00e1 17 anos tenta derrotar o Taleb\u00e3, grupo que governou o Afeganist\u00e3o entre 1996 e 2001 e que acolheu Osama Bin Laden.<\/p>\n<p>Estima-se que s\u00f3 os Estados Unidos, que comandaram a a\u00e7\u00e3o das tropas estrangeiras a partir daquele ano, tenham desembolsado US$ 17 bilh\u00f5es. Tamanho esfor\u00e7o b\u00e9lico e financeiro, contudo, n\u00e3o conseguiu conter o avan\u00e7o do grupo que, atualmente, est\u00e1 ativo em 70% do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 o que indica levantamento feito pela BBC, que mapeou \u00e1reas do Afeganist\u00e3o que est\u00e3o sob amea\u00e7a ou sob o comando do Taleb\u00e3 desde a retirada das tropas estrangeiras em 2014 &#8211; os EUA ainda mat\u00eam, contudo, militares no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O governo afeg\u00e3o minimizou o levantamento, dizendo que controla a maioria das \u00e1reas. Mas ataques recentes reivindicados pelo Taleb\u00e3 e pelo grupo autodenominado Estado Isl\u00e2mico, com centenas de v\u00edtimas, d\u00e3o indicativo da for\u00e7a que ainda t\u00eam esses grupos.<\/p>\n<p>Em resposta, tanto autoridades afeg\u00e3s quanto os Estados Unidos t\u00eam descartado a possibilidade de di\u00e1logo. No ano passado, Trump anunciou que as tropas americanas ficariam no pa\u00eds sem previs\u00e3o de retirada.<\/p>\n<p>O levantamento levou em conta ataques registrados entre agosto e novembro de 2017, e retrata a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a em cada um dos 399 distritos do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Rep\u00f3rteres da BBC entrevistaram mais de 1,2 mil pessoas de todos os distritos para fazer uma an\u00e1lise mais aprofundada dos ataques registrados no pa\u00eds no per\u00edodo.<\/p>\n<p>As conversas foram feitas pessoalmente ou por telefone, e todas as informa\u00e7\u00f5es coletadas foram checadas com pelo menos duas ou at\u00e9 com seis fontes diferentes. Em alguns casos, rep\u00f3rteres da BBC foram a esta\u00e7\u00f5es rodovi\u00e1rias para encontrar pessoas viajando de e para regi\u00f5es remotas e distritos de dif\u00edcil acesso na tentativa de confirmar a situa\u00e7\u00e3o narrada pelos entrevistados.<\/p>\n<p>Os resultados desse levantamento mostram como 15 milh\u00f5es de pessoas, o equivalente a metade da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e3o vivendo em \u00e1reas controladas pelo Taleb\u00e3 ou em locais onde o grupo atua abertamente e comanda ataques regulares.<\/p>\n<p>Mapa<\/p>\n<p>O levantamento indica de forma clara como o Taleb\u00e3 avan\u00e7ou do sul, seu tradicional reduto, em dire\u00e7\u00e3o ao leste, oeste e norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Desde 2014, o Taleb\u00e3 vem ampliando o controle de \u00e1reas da prov\u00edncia de Helmand como Sangin, Musa Qala e Nad-e Ali, locais onde as for\u00e7as estrangeiras haviam desbancado o grupo em 2001. Mais de 450 militares brit\u00e2nicos morreram em Helmand entre 2001 e 2014.<\/p>\n<p>Quando eu saio de casa, n\u00e3o sei se vou voltar vivo, diz Sardar, de Sjondand, um distrito a oeste que tem sofrido ataques semanais. Explos\u00f5es, terror e o Taleb\u00e3 s\u00e3o parte do nosso dia a dia.<\/p>\n<p>O levantamento da BBC tamb\u00e9m indica que o Estado Isl\u00e2mico est\u00e1 mais ativo no Afeganist\u00e3o, apesar de ter menos poder que o Taleb\u00e3.<br \/>\nQual fatia do territ\u00f3rio est\u00e1 nas m\u00e3os do Taleb\u00e3?<\/p>\n<p>A coleta de dados precisos e confi\u00e1veis sobre o conflito no Afeganist\u00e3o tem ficado cada vez mais dif\u00edcil desde que as tropas estrangeiras deixaram o pa\u00eds e que as estat\u00edsticas ficaram sob a responsabilidade das forcas de seguran\u00e7a afeg\u00e3s.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es anteriores da for\u00e7a do Taleb\u00e3 nem sempre levavam em conta informa\u00e7\u00f5es de todos os quase 400 distritos do pa\u00eds, e muitas vezes eram criticadas por estarem subestimando a realidade.<\/p>\n<p>O levantamento da BBC mostra que atualmente o Taleb\u00e3 controla 14 distritos (4% do pa\u00eds) e tem presen\u00e7a ativa e declarada em outras 263 \u00e1reas (66% do territ\u00f3rio). Isso significa uma propor\u00e7\u00e3o mais elevada do que qualquer outra estimativa j\u00e1 feita sobre a for\u00e7a do grupo extremista.<\/p>\n<p>Nessas \u00e1reas onde h\u00e1 presen\u00e7a ativa, s\u00e3o frequentes os ataques contra o governo, desde a\u00e7\u00f5es coletivas em bases militares a emboscadas ou atos direcionados em comboios ou pontos de controle oficiais.<\/p>\n<p>No per\u00edodo analisado, ataques foram contabilizados com graus de frequ\u00eancia variados. H\u00e1 desde \u00e1reas com uma presen\u00e7a mais esparsa do Taleb\u00e3, que registraram um ataque a cada tr\u00eas meses, at\u00e9 locais com maior atua\u00e7\u00e3o do grupo, que sofrem pelo menos dois ataques por semana.<\/p>\n<p>Por quest\u00f5es metodol\u00f3gicas, definiu-se que os distritos controlados pelo governo s\u00e3o os que t\u00eam chefe, comandante da pol\u00edcia ou corte que representam Cabul &#8211; sede do governo.<\/p>\n<p>Amruddin, que comanda uma empresa de transporte local, mora em Baharak, regi\u00e3o classificada pela BBC como n\u00edvel m\u00e9dio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do Taleb\u00e3. Ele tamb\u00e9m narra a rotina di\u00e1ria de tens\u00e3o, em especial porque vive perto da \u00e1rea de confronto.<\/p>\n<p>Quando o governo come\u00e7a a lutar contra o Taleb\u00e3, estamos na linha de fogo cruzado, deixando a vida em suspenso. Est\u00e1 calmo no momento, mas o Taleb\u00e3 ainda est\u00e1 aqui.<\/p>\n<p>Em Sangin, \u00e1rea controlada pelo grupo, Mohammad Reza, pai de oito filhos, diz que a vida \u00e9 melhor porque h\u00e1 paz.<\/p>\n<p>S\u00f3 ficou violento quando as for\u00e7as governamentais chegaram.<\/p>\n<p>A BBC identificou 122 distritos, o equivalente 30% do Afeganist\u00e3o, que n\u00e3o tinha uma presen\u00e7a aberta do Taleb\u00e3. Essas \u00e1reas foram classificadas como controladas pelo governo, mas isso n\u00e3o significa que est\u00e3o livres de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Cabul e outras cidades grandes, por exemplo, t\u00eam sofrido ataques massivos perpetrados a partir de \u00e1reas adjacentes ou pelas chamadas c\u00e9lulas adormecidas &#8211; isso aconteceu n\u00e3o apenas durante o per\u00edodo analisado, mas tamb\u00e9m antes e depois.<\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o abandonar suas casas, fazendas, ranchos ou viver sob o dom\u00ednio taleb\u00e3, diz uma professora de um distrito no norte de Cabul.<\/p>\n<p>Ela disse que a fam\u00edlia saiu da vila em outubro. Foram buscar ref\u00fagio no centro do distrito, \u00e1rea ainda controlada pelo governo. Mas seu irm\u00e3o acabou morto em um ataque de um homem-bomba dois dias depois da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Do lado oeste da capital, Jamila, m\u00e3e de cinco, diz: Dois foguetes taleb\u00e3s ca\u00edram nos fundos do nosso jardim no m\u00eas passado. Moramos a poucos metros do escrit\u00f3rio do chefe do distrito. N\u00e3o \u00e9 seguro aqui, relata.<\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m revelou que o Taleb\u00e3 passou, subitamente, a cobrar taxas dos moradores das \u00e1reas onde controla. Os extremistas for\u00e7am fazendeiros, comerciantes locais e at\u00e9 quem transporta mercadorias a pagar taxas, apesar de deixar o governo no controle de servi\u00e7os b\u00e1sicos como escolas e hospitais.<\/p>\n<p>Eles est\u00e3o cobrando pessoas pela energia el\u00e9trica que a gente fornece, diz o chefe de um dos distritos no sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O levantamento feito pela BBC foi avaliado pela Rede de Analistas do Afeganist\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa sem fins lucrativos baseada em Cabul. A co-diretora da entidade, Kate Clark, disse ser t\u00e3o bem vinda quanto rara uma pesquisa t\u00e3o bem apurada sobre a guerra afeg\u00e3.<\/p>\n<p>As descobertas s\u00e3o chocantes, mas infelizmente n\u00e3o nos surpreendem. S\u00e3o verdadeiras e o mapeamento sobre a extens\u00e3o do conflito \u00e9 preciso, avaliou Clark.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 inc\u00f4modo perceber que cada ponto laranja no mapa se traduz em vidas perdidas e prejudicadas.<br \/>\nO que \u00e9 o Taleb\u00e3?<\/p>\n<p>&#8211; Grupo isl\u00e2mico que atua no Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Surgiu a partir de tribos que vivem na fronteira entre os dois pa\u00edses, depois da ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica do Afeganist\u00e3o (1979-89)<\/p>\n<p>&#8211; A linha dura taleb\u00e3 assumiu o comando do Afeganist\u00e3o em 1996 e foi afastada do poder cinco anos depois pela a\u00e7\u00e3o comandada pelos EUA<\/p>\n<p>&#8211; No poder, o Taleb\u00e3 imp\u00f4s uma interpreta\u00e7\u00e3o radical da sharia, a lei isl\u00e2mica, com execu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, amputa\u00e7\u00f5es e mulheres banidas da vida p\u00fablica<\/p>\n<p>&#8211; Homens foram obrigados a usar barbas e mulheres, a vestir burcas cobrindo todo o corpo. Televis\u00e3o, m\u00fasica e cinema foram proibidos.<\/p>\n<p>&#8211; O Taleb\u00e3 deu abrigo aos l\u00edderes da al-Qaeda antes e depois de terem sido afastados do poder e, desde ent\u00e3o, t\u00eam lutado na tentativa de recuperar poder e territ\u00f3rio<\/p>\n<p>A viol\u00eancia tem aumentado desde que as tropas internacionais deixaram o pa\u00eds h\u00e1 tr\u00eas anos. Mais de 8,5 mil civis foram mortos ou feridos nos nove primeiros meses de 2017, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). As estat\u00edsticas oficiais que contabilizam o total de v\u00edtimas no passado ainda n\u00e3o foram divulgadas.<\/p>\n<p>A maioria dos afeg\u00e3os morre nos ataques dos insurgentes, mas tamb\u00e9m sofre com as contraofensivas apoiadas pelos americanos, com opera\u00e7\u00f5es tanto por terra quanto por ar.<\/p>\n<p>Boa parte dos atos de viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 reportada, mas os ataques maiores nas m\u00e9dias e grandes cidades ganham as manchetes. A frequ\u00eancia desses ataques est\u00e1 aumentando e as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s parecem enfrentar dificuldade para cont\u00ea-los.<\/p>\n<p>Durante a coleta de dados feita pela BBC, homens armados invadiram a sede da TV Shamshad de Cabul, deixando um integrante da equipe morto e 20 feridos. O Estado Isl\u00e2mico reivindicou o ataque. Houve outras a\u00e7\u00f5es violentas em Kandahar, Herat e Jalalabad.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 10 dias deste m\u00eas, tr\u00eas ataques deixaram mais de 130 pessoas mortas. Em maio passado, Cabul experimentou o mais fatal ataque perpetrado por \u00fanico combatente desde 2001, com 150 mortos e mais de 300 feridos. Nessa a\u00e7\u00e3o, um caminh\u00e3o bomba explodiu onde deveria ser a parte mais segura da cidade. Nesse caso, contudo, nenhum grupo reivindicou autoria.<\/p>\n<p>Mas a onda de viol\u00eancia crescente deixa os moradores da capital vulner\u00e1veis.<br \/>\nQu\u00e3o forte \u00e9 o Estado Isl\u00e2mico na regi\u00e3o?<\/p>\n<p>Diferentemente do Taleb\u00e3, o Estado Isl\u00e2mico tem atua\u00e7\u00e3o restrita a uma \u00e1rea relativamente pequena pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com o Paquist\u00e3o. Ainda assim, tem dado mostras de que pode atingir seus alvos em lugares como Cabul.<\/p>\n<p>Durante o levantamento conduzido pela BBC, pelo menos 50 pessoas morreram em Jalalabad. Algumas das v\u00edtimas foram mortas a tiros e outras v\u00edtimas de explos\u00f5es. Tr\u00eas foram decapitadas, uma marca do EI.<\/p>\n<p>Meu tio foi morto na porta de casa, disse o comerciante Mashriqiwal. Ele era um oficial de seguran\u00e7a na cidade. Eu tive que sair de Jalalabad, conta. Minha casa ainda est\u00e1 l\u00e1, mas virou um lugar perigoso demais para morar e para ir a lugares p\u00fablicos, observa o comerciante.<\/p>\n<p>Moradores e autoridades locais com quem a BBC conversou disseram que o EI est\u00e1 presente em 30 distritos, n\u00e3o apenas no leste, mas em lugares mais ao norte como Khanabad e Kohistanat.<br \/>\nMapa atua\u00e7\u00e3o do EI no Afeganist\u00e3o<\/p>\n<p>O grupo tem lutado tanto contra o ex\u00e9rcito afeg\u00e3o quanto contra o Taleb\u00e3 por territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Em 2017, o n\u00famero de ataques atribu\u00eddos ao EI cresceu. A maioria deles tinha como alvos centros urbanos e mu\u00e7ulmanos xiitas, em a\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias quase nunca vistas em 40 anos de conflitos no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>O EI, no entanto, n\u00e3o tem controle absoluto de nenhum distrito no momento. Mas o grupo j\u00e1 conseguiu ocupar territ\u00f3rio no norte do distrito de Darzab, expulsando centenas pessoas de casa.<br \/>\nO que diz o governo local?<\/p>\n<p>Ao ser confrontado com os dados coletados pela BBC, Shah Hussain Murtazavi, porta-voz do presidente Ashraf Ghani, declarou: Algumas \u00e1reas dos distritos podem ter mudados de m\u00e3o, mas, se voc\u00ea olhar a situa\u00e7\u00e3o nos anos de 2017 e 2018, as atividades do Taleb\u00e3 e do EI reduziram consideravelmente.<\/p>\n<p>Segundo o porta-voz, as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s t\u00eam ganhado a guerra nos vilarejos. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel que os combatentes assumam o controle de uma prov\u00edncia, um distrito ou de uma rodovia. N\u00e3o resta d\u00favidas que eles mudaram a natureza da guerra e passaram a atacar Cabul, mesquitas e mercados, disse.<\/p>\n<p>Murtazavi afirmou ainda que o levantamento da BBC foi influenciado por conversas com pessoas que podem ter sido v\u00edtimas de incidentes, talvez em algum momento um dia. Mas as atividades conduzidas e servi\u00e7os prestados pelos nossos administradores locais nos distritos mostram que o governo est\u00e1 no controle na maioria absoluta das \u00e1reas. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 um n\u00famero pequeno de \u00e1reas onde o Taleb\u00e3 est\u00e1 presente, salientou o porta-voz.<\/p>\n<p>Entretanto, em uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que a situa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a no pa\u00eds tem se deteriorado, o presidente Donald Trump enviou no ano passado outros 3 mil soldados ao Afeganist\u00e3o. Com o refor\u00e7o, o efetivo americano no pa\u00eds chegou a 14 mil.<\/p>\n<p>O tema das vit\u00f3rias militares e de quem est\u00e1 controlando o territ\u00f3rio afeg\u00e3o \u00e9 controverso.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da publica\u00e7\u00e3o do levantamento da BBC, militares dos EUA negaram tentar impedir que um \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o do governo local divulgasse a estimativa oficial de quanto do territ\u00f3rio est\u00e1 sob controle do Taleb\u00e3. Em relat\u00f3rio, a Inspetoria Geral para a Reconstru\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o (Sigar, na sigla em ingl\u00eas) definiu essa possibilidade como preocupante.<\/p>\n<p>Enquanto isso, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de um fim do conflito na regi\u00e3o. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de afeg\u00e3os cresce amea\u00e7ada pela viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Minhas crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o seguras fora de casa, ent\u00e3o n\u00e3o os deixo sair, disse Pahlawan, vendedor de tapetes em Cabul que tem 13 filhos. Eles basicamente est\u00e3o presos em casa. Montei uma escola em casa. O mundo deles \u00e9 de paredes e tapetes. Apesar de estarmos em Cabul, \u00e9 como se fosse uma selva.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho dormido bem nessa semana. Acontece toda vez que uma trag\u00e9dia ocorre na nossa cidade. Meu filho de 7 anos entra no meu quarto e me fala que estou mais velho, lembrando-me de que \u00e9 o dia do meu anivers\u00e1rio. Como se eu fosse esquecer. Rio e me levanto da cama.<\/p>\n<p>Quando eu saio de casa, paro para olhar para tr\u00e1s e ver minha fam\u00edlia tomando caf\u00e9 da manh\u00e3. Vou voltar para casa hoje? Essa \u00e9 a \u00faltima vez que vou v\u00ea-los? Todos n\u00f3s pensamos assim em Cabul atualmente.<\/p>\n<p>Meus colegas da BBC est\u00e3o me esperando no carro. Trocamos informa\u00e7\u00f5es sobre os \u00faltimos ataques. Um deles, uma m\u00e3e de duas crian\u00e7as pequenas come\u00e7a a chorar. Diz que \u00e0s vezes gostaria de explodir para acabar com tudo de uma vez por todas. Mas n\u00e3o quer machucar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Digo a ela que podemos buscar ajuda. Mas ela n\u00e3o me ouve. O motorista est\u00e1 trocando de esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio, na tentativa de melhorar o clima. Uma m\u00fasica pop com letra sem sentido come\u00e7a a tocar. \u00c9 s\u00f3 mais um dia em Cabul. Apenas mais um dia em que a gente espera que vai sobreviver.<\/p>\n<p>Os nomes de alguns dos entrevistados foram alterados para proteger suas identidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bilh\u00f5es de d\u00f3lares j\u00e1 foram gastos pela coaliz\u00e3o que h\u00e1 17 anos tenta derrotar o Taleb\u00e3, grupo que governou o Afeganist\u00e3o entre 1996 e 2001 e que acolheu Osama Bin Laden. Estima-se que s\u00f3 os Estados Unidos, que comandaram a a\u00e7\u00e3o das tropas estrangeiras a partir daquele ano, tenham desembolsado US$ 17 bilh\u00f5es. 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