{"id":18701,"date":"2018-02-17T14:17:03","date_gmt":"2018-02-17T14:17:03","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=18701"},"modified":"2018-02-17T14:17:03","modified_gmt":"2018-02-17T14:17:03","slug":"casal-brasileiro-e-acusado-de-lavar-milhoes-de-esquema-que-leva-imigrantes-de-barco-ate-a-florida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/casal-brasileiro-e-acusado-de-lavar-milhoes-de-esquema-que-leva-imigrantes-de-barco-ate-a-florida\/","title":{"rendered":"Casal brasileiro \u00e9 acusado de \u2018lavar\u2019 milh\u00f5es de esquema que leva imigrantes de barco at\u00e9 a Fl\u00f3rida"},"content":{"rendered":"<p>Um casal de brasileiros estaria no cora\u00e7\u00e3o de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos US$ 8,37 milh\u00f5es (ou R$ 27 milh\u00f5es) nos \u00faltimos tr\u00eas anos com o contrabando de pessoas &#8211; especialmente brasileiros &#8211; para os Estados Unidos, segundo documentos oficiais da pol\u00edcia americana obtidos pela BBC Brasil.<\/p>\n<p>Presos na semana passada em Miami, Eduardo Pereira, de 49 anos, e sua mulher, Marcia Tiago, de 48, seriam os respons\u00e1veis por lavar e introduzir no sistema banc\u00e1rio americano os lucros recebidos irregularmente por uma rede de coiotes, como s\u00e3o conhecidos os agentes ilegais que fazem o transporte internacional de migrantes em condi\u00e7\u00f5es perigosas.<\/p>\n<p>Diferente do tr\u00e1fico de pessoas, que pode envolver explora\u00e7\u00e3o sexual, escravid\u00e3o ou venda de \u00f3rg\u00e3os, o contrabando de pessoas acontece quando organiza\u00e7\u00f5es cobram para burlar leis de imigra\u00e7\u00e3o e levar pessoas para outros pa\u00edses, com consentimento dos viajantes.<\/p>\n<p>Em um mandado de pris\u00e3o de 32 p\u00e1ginas, a For\u00e7a-tarefa de Lavagem de Dinheiro do Condado de Broward, na Fl\u00f3rida, aponta que os brasileiros seriam donos ou titulares principais das contas banc\u00e1rias de quatro empresas de fachada, todas criadas para fazer circular os lucros da rede de coiotes &#8211; que cobravam entre US$ 15 mil e US$ 20 mil (ou R$ 48 mil a R$ 64 mil) para brasileiros que quisessem migrar para os EUA pelo sul da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>Normalmente, a pessoa contrabandeada era levada de avi\u00e3o do Brasil para o Caribe, onde n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade de visto de viagem, e depois era levada de barco para o sul da Florida, afirmam os detetives no documento.<\/p>\n<p>De l\u00e1, a organiza\u00e7\u00e3o levava as pessoas contrabandeadas de carro para Nova Jersey e Pensilv\u00e2nia, normalmente seu destino final.<\/p>\n<p>Na maior parte dos casos, o pagamento &#8211; ou parte significante dele &#8211; era realizado j\u00e1 em solo americano, geralmente em dinheiro, por amigos ou familiares, ap\u00f3s a chegada em seguran\u00e7a, aponta o documento.<\/p>\n<p>Pereira e Tiago est\u00e3o presos em Miami. Por ordem da ju\u00edza Mindy Glazer, que ordenou a pris\u00e3o, o casal poder\u00e1 ficar detido em pris\u00e3o domiciliar se pagar fian\u00e7a de US$ 300 mil (quase R$ 1 milh\u00e3o) cada um. Eles tamb\u00e9m precisar\u00e3o provar que o dinheiro usado para esse pagamento veio de uma fonte legal.<\/p>\n<p>Rota Caribe<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a estadual da Fl\u00f3rida, respons\u00e1vel pelo julgamento dos brasileiros, afirmou \u00e0 BBC Brasil que os dois ser\u00e3o participar\u00e3o de novas audi\u00eancias judiciais em 22 de fevereiro.<\/p>\n<p>Procurado pela reportagem, o consulado brasileiro em Miami afirmou que est\u00e1 acompanhando a pris\u00e3o dos brasileiros, a exemplo do que fazemos nas situa\u00e7\u00f5es de deten\u00e7\u00e3o de nacionais.<\/p>\n<p>Questionado sobre a situa\u00e7\u00e3o dos acusados, o consulado disse que nenhum dos nacionais fez contato com o Consulado-Geral at\u00e9 o momento para solicitar assist\u00eancia e que, por quest\u00f5es de privacidade, existem limites nas informa\u00e7\u00f5es que podemos transmitir para a imprensa.<\/p>\n<p>Os advogados de Eduardo Pereira e Marcia Tiago n\u00e3o foram localizados at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>O trabalho da for\u00e7a-farefa da Fl\u00f3rida \u00e9 parte de uma iniciativa maior, conduzida pelo Departamento de Seguran\u00e7a Interna dos EUA, chamada Opera\u00e7\u00e3o: Rota Caribe.<\/p>\n<p>Segundo o governo americano, a organiza\u00e7\u00e3o criminosa da qual os brasileiros fariam parte est\u00e1 associada a 61 flagrantes de imigrantes ilegais em embarca\u00e7\u00f5es provenientes de pa\u00edses como as Bahamas com destino \u00e0 Fl\u00f3rida desde 2007.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o escrit\u00f3rio de investiga\u00e7\u00f5es do departamento, a organiza\u00e7\u00e3o teria sido respons\u00e1vel pela vinda de 5 mil estrangeiros para os EUA por ano, sempre em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de seguran\u00e7a.<br \/>\nImage caption Travessia partindo das Bahamas vem se tornando uma alternativa \u00e0 tradicional rota pelo M\u00e9xico | Foto: Guarda Costeira dos EUA<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, por telefone, um porta-voz do Departamento de Seguran\u00e7a Interna informou que a Rota Caribe \u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o em andamento e afirmou que o governo n\u00e3o comentar\u00e1 o caso at\u00e9 que todas as linhas de apura\u00e7\u00e3o sejam conclu\u00eddas.<\/p>\n<p>Em novembro de 2016, ainda segundo o documento do governo dos EUA, uma embarca\u00e7\u00e3o associada ao esquema, e contratada por um brasileiro ligado ao casal preso em Miami, se perdeu no mar do Caribe com 19 pessoas &#8211; incluindo brasileiros, cubanos, dominicanos e americanos.<\/p>\n<p>O mesmo homem teria comprado outros dois barcos nos Estados Unidos, com apoio dos dois brasileiros presos.<\/p>\n<p>Piratas do Caribe<\/p>\n<p>Bra\u00e7o brasileiro da Opera\u00e7\u00e3o: Rota Caribe, a opera\u00e7\u00e3o Piratas do Caribe, da Pol\u00edcia Federal, apura a presen\u00e7a de coiotes em solo brasileiro desde janeiro do ano passado. Pelo menos quatro pessoas foram presas por envolvimento no esquema, em Minas Gerais e em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>Segundo a PF, 12 brasileiros viajavam na embarca\u00e7\u00e3o desaparecida ap\u00f3s sair das Bahamas rumo aos EUA. Eles viviam nos Estados de Minas Gerais, Par\u00e1, Paran\u00e1, Rond\u00f4nia e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica realizada na C\u00e2mara dos Deputados, em dezembro, o delegado-chefe da opera\u00e7\u00e3o, Raphael Baggio, disse que as investiga\u00e7\u00f5es continuam e que a principal suspeita \u00e9 que a embarca\u00e7\u00e3o desaparecida tenha naufragado no caminho para o mar da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>Tudo indica que houve um naufr\u00e1gio. N\u00e3o estou afirmando com certeza, disse Baggio durante a audi\u00eancia.<br \/>\nImage caption Delegado Raphael Baggio, da PF, foi \u00e0 C\u00e2mara falar sobre as investiga\u00e7\u00f5es | Foto: L\u00facio Bernardo Junior\/Ag. C\u00e2mara<\/p>\n<p>Uma comiss\u00e3o externa formada por cinco deputados acompanha as investiga\u00e7\u00f5es sobre o caso em Bras\u00edlia. A BBC Brasil n\u00e3o conseguiu contato com o delegado da Pol\u00edcia Federal brasileira para comentar as pris\u00f5es ligadas ao esquema nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Segundo a reportagem apurou, novos mandados de busca da opera\u00e7\u00e3o Piratas do Caribe est\u00e3o previstos para as pr\u00f3ximas semanas em Estados da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. O objetivo \u00e9 prender e desvendar a rede de contatos de coiotes associados \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o internacional em solo brasileiro.<br \/>\nLavagem de dinheiro<\/p>\n<p>O esquema de contrabando humano, segundo a pol\u00edcia americana, gerava uma grande quantidade de dinheiro vivo, que em seguida era lavada pelas empresas controladas pelo casal de brasileiros.<\/p>\n<p>Segundo o documento da for\u00e7a tarefa dos EUA, a dupla presa em Miami mantinha c\u00famplices em empresas nas \u00e1reas de constru\u00e7\u00e3o civil e limpeza para o processo de lavagem de dinheiro do contrabando de pessoas.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es dos detetives apontam que Pereira e Tiago passavam dinheiro vivo para empres\u00e1rios pagarem funcion\u00e1rios contratados ilegalmente. Assim, os patr\u00f5es conseguiam manter a exist\u00eancia dos funcion\u00e1rios em segredo.<\/p>\n<p>Eles se beneficiavam usando o dinheiro do contrabando de pessoas para pagar os funcion\u00e1rios ilegais sem precisarem usar seus pr\u00f3prios fundos, evitando grandes saques que poderiam chamar aten\u00e7\u00e3o de autoridades, aponta o mandado de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Em troca, esses empres\u00e1rios contratavam pequenos servi\u00e7os das empresas de fachada do casal brasileiro, devolvendo o dinheiro ilegal de forma limpa.<\/p>\n<p>Era um esquema de benef\u00edcio m\u00fatuo, afirmam os investigadores. Todas as partes conseguiram evitar a identifica\u00e7\u00e3o de irregularidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um casal de brasileiros estaria no cora\u00e7\u00e3o de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos US$ 8,37 milh\u00f5es (ou R$ 27 milh\u00f5es) nos \u00faltimos tr\u00eas anos com o contrabando de pessoas &#8211; especialmente brasileiros &#8211; para os Estados Unidos, segundo documentos oficiais da pol\u00edcia americana obtidos pela BBC Brasil. 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