{"id":18052,"date":"2018-02-17T13:00:29","date_gmt":"2018-02-17T13:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=18052"},"modified":"2018-02-17T13:00:29","modified_gmt":"2018-02-17T13:00:29","slug":"dia-da-visibilidade-trans-marca-luta-pelo-acesso-a-direitos-de-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/dia-da-visibilidade-trans-marca-luta-pelo-acesso-a-direitos-de-cidadania\/","title":{"rendered":"Dia da Visibilidade Trans marca luta pelo acesso a direitos de cidadania"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSer trans no Brasil \u00e9 transgredir\u201d. A frase, dita por Marina Reidel, coordenadora-geral de Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos LGBT do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos (MDH), resume a vida de quem tem que lutar por trabalho, pol\u00edticas de sa\u00fade, contra a viol\u00eancia e, inclusive, pelo reconhecimento da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Para evidenciar as particularidades dessa popula\u00e7\u00e3o, o dia 29 de janeiro foi consagrado como Dia da Visibilidade Trans \u2013 popula\u00e7\u00e3o que engloba travestis, bem como homens e mulheres trans. A data marca uma das primeiras iniciativas p\u00fablicas contra a transfobia, a campanha Travesti e Respeito: j\u00e1 est\u00e1 na hora dos dois serem vistos juntos, lan\u00e7ada em 2004 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, conquistas foram obtidas por essa popula\u00e7\u00e3o. Uma das mais importantes foi o decreto presidencial, publicado em abril de 2016, que autorizou o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de g\u00eanero de travestis e transexuais no \u00e2mbito da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal. Como resultado disso, segundo Marina Reidel, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos t\u00eam discutido o tema e publicado regras sobre uso do nome social, sendo a mais recente a resolu\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o que autoriza o uso do nome social de travestis e transexuais nos registros escolares da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, decis\u00e3o que refor\u00e7a uma anterior, do Conselho Nacional de Combate \u00e0 Discrimina\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00f5es dos Direitos de L\u00e9sbicas, Gays, Travestis e Transexuais.<\/p>\n<p>O caminho para a supera\u00e7\u00e3o do preconceito, contudo, \u00e9 longo, e muitas portas fechadas s\u00e3o encontradas pelas pessoas que assumem uma identidade de g\u00eanero diferente do sexo biol\u00f3gico. Para Marina Reidel, a sociedade brasileira \u00e9 \u201ctransf\u00f3bica\u201d e condiciona as pessoas a viverem a hetenormatividade [a heterossexualidade como padr\u00e3o impositivo]. Por isso, \u201cser travesti no Brasil \u00e9 prova de resist\u00eancia e embate na luta por pol\u00edticas p\u00fablicas de igualdade de direitos. Somos cidad\u00e3s e cidad\u00e3os; temos o direito de viver nossas vidas como nos compreendemos\u201d, defende.<\/p>\n<p>Uma grave evid\u00eancia dessa situa\u00e7\u00e3o foi explicitada pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), no Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2017. O estudo comprova que, apenas em 2017, ocorreram 179 assassinatos de travestis ou transexuais, o maior \u00edndice de homic\u00eddios relacionados \u00e0 transfobia em 10 anos . Isso significa que, a cada 48 horas, uma pessoa trans \u00e9 morta no pa\u00eds. Organiza\u00e7\u00f5es que atuam em defesa dos direitos dessa popula\u00e7\u00e3o apontam que pol\u00edticas s\u00e3o necess\u00e1rias para romper com esse cen\u00e1rio de viol\u00eancia. Hoje, isso faz com que a expectativa de vida dela seja de, aproximadamente, 35 anos, conforme a pesquisa que resultou no livro Travestis Envelhecem, do doutor em psicologia social Pedro Sammarco.<\/p>\n<p>Marginaliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Cientista pol\u00edtico, Marcelo Caetano afirma que a realidade das pessoas trans no Brasil atual \u00e9 a da marginaliza\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00fameros apontam que mais de 90% das mulheres trans trabalham com prostitui\u00e7\u00e3o: quando todo um segmento populacional \u00e9 relegado a uma \u00fanica profiss\u00e3o, especialmente uma t\u00e3o marginalizada, n\u00e3o se pode falar em vontade e autonomia, mas sim na total falta de op\u00e7\u00e3o e completa exclus\u00e3o das possibilidades da vida social\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Hoje com 30 anos, Caetano assumiu sua real identidade de g\u00eanero aos 18, e enfatiza que n\u00e3o h\u00e1 sequer dados sobre a exist\u00eancia de homens trans como ele, \u201co que por si s\u00f3 j\u00e1 diz muito sobre o estado das coisas\u201d. Diante do quadro, diz ser \u201curgente compreender que as diferen\u00e7as nos fazem melhores como sociedade, como indiv\u00edduos, por isso n\u00e3o devem nunca ser fator de exclus\u00e3o. \u00c9 preciso entender que vidas trans importam, e nos garantir emprego, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros direitos fundamentais \u00e9 apenas nos tratar como o m\u00ednimo: seres humanos\u201d.<\/p>\n<p>As duas dimens\u00f5es \u2013 do desafio e das possibilidades \u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o evidenciadas pela presidenta da Antra, Keila Simpson. Embora ser trans seja, para ela, \u201cenjaular um le\u00e3o a todo dia\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m ser perseverante e sonhadora. \u201c\u00c9 sonhar que a luta de hoje \u00e9 lutada para que quem venha depois de n\u00f3s possa experimentar alguns avan\u00e7os que a gente conseguiu plantar. Por mais adversidades que a gente tenha, e a gente tem todos os dias, existe ainda esperan\u00e7a de continuar na luta, de reagir, de saber que um dia a gente vai viver num pa\u00eds mais igual para todas n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Davi Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSer trans no Brasil \u00e9 transgredir\u201d. A frase, dita por Marina Reidel, coordenadora-geral de Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos LGBT do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos (MDH), resume a vida de quem tem que lutar por trabalho, pol\u00edticas de sa\u00fade, contra a viol\u00eancia e, inclusive, pelo reconhecimento da pr\u00f3pria exist\u00eancia. 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