{"id":17849,"date":"2018-02-17T12:31:19","date_gmt":"2018-02-17T12:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=17849"},"modified":"2018-02-17T12:31:19","modified_gmt":"2018-02-17T12:31:19","slug":"fortaleza-lamenta-chacina-e-especialistas-pedem-medidas-para-area-de-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/fortaleza-lamenta-chacina-e-especialistas-pedem-medidas-para-area-de-seguranca\/","title":{"rendered":"Fortaleza lamenta chacina e especialistas pedem medidas para \u00e1rea de seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A chuva deste s\u00e1bado (27) poderia ser recebida de bom grado em Fortaleza, dada a estiagem que h\u00e1 anos castiga o Cear\u00e1. Mas as \u00e1guas assumiram outro significado. \u201cFortaleza chora de tristeza hoje. A frase, replicada nas redes sociais, sintetiza o sentimento dos que  veem pessoas serem assassinadas constantemente na capital cearense. O rito, de t\u00e3o comum, ganha ares de rotina. Apenas neste m\u00eas, 200 homic\u00eddios j\u00e1 foram registrados no estado, segundo a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social.<\/p>\n<p>Na madrugada de hoje, 14 pessoas foram mortas na maior chacina j\u00e1 registrada no estado. Uma pessoa segue internada em estado grave no Instituto Doutor Jos\u00e9 Frota. O n\u00famero poderia ser maior, j\u00e1 que uma bomba, que n\u00e3o chegou a explodir, foi encontrada e retirada h\u00e1 pouco da casa de shows, invadida por um grupo durante a madrugada, informou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Cear\u00e1 (Sinpol-CE), Francisco Lucas de Oliveira. Ele acompanhou a opera\u00e7\u00e3o no local, onde tamb\u00e9m ouviu relatos de que o tiroteio contra as pessoas que estavam na festa durou pelo menos 25 minutos.<\/p>\n<p>Pelas redes sociais, o governador Camilo Santana referiu-se \u00e0 chacina como \u201cato selvagem e inaceit\u00e1vel\u201d. No texto, ele afirma que convocou imediatamente o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Andr\u00e9 Costa, e a c\u00fapula da Secretaria de Seguran\u00e7a, e determinou rigor absoluto nas investiga\u00e7\u00f5es e busca incessante dos criminosos, para que todos os envolvidos sejam identificados e presos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. N\u00e3o aceitaremos de forma alguma que esse tipo barb\u00e1rie fique impune. Confio na nossa pol\u00edcia e tenho absoluta convic\u00e7\u00e3o de que uma resposta ser\u00e1 dada muito em breve\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, uma pessoa envolvida na chacina do bairro Cajazeiras foi presa, segundo a Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social. Outras pessoas j\u00e1 foram identificadas. A pol\u00edcia trabalha para deter suspeitos, auxiliada por outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Fac\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Madre Tereza de Calcut\u00e1 \u00e9 o nome da rua onde est\u00e1 localizado o forr\u00f3 que sofreu o ataque. L\u00e1, a ideia de tranquilidade, associada ao nome da religiosa, n\u00e3o passa de lembran\u00e7a.\u201cEu tenho 16 anos de pol\u00edcia e n\u00e3o me recordo de ter um procedente desse tipo, porque est\u00e3o ocorrendo v\u00e1rias chacinas, mas nenhuma assim, em um local p\u00fablico, com pessoas que n\u00e3o fazem parte de grupo algum. Morreu um homem que vendia cachorro-quente na porta, um motorista de Uber que esperava passageiro\u201d, lamentou Francisco Lucas de Oliveira, que teme novos atos violentos em retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parte do medo est\u00e1 associado \u00e0 possibilidade de o ataque ter sido promovido por uma fac\u00e7\u00e3o criminosa chamada Guardi\u00f5es do Estado. \u201cA comunidade n\u00e3o fala com a pol\u00edcia. As pessoas sequer saem de suas casas, a rua est\u00e1 vazia. Hoje, Fortaleza est\u00e1 vivendo um clima de bastante tens\u00e3o\u201d, relata Oliveira. Outra pessoa, que n\u00e3o quis se identificar e esteve no local, disse \u00e0 reportagem que a comunidade ser\u00e1 submetida a toque de recolher n\u00e3o oficial hoje.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Andr\u00e9 Costa, evitou atribuir o crime \u00e0 fac\u00e7\u00e3o, argumentando que as investiga\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o em curso. Em coletiva, disse tratar-se de um \u201cevento isolado\u201d e chegou a comparar a situa\u00e7\u00e3o com ataques a shows nos Estados Unidos. Nas redes sociais, h\u00e1 fotos e v\u00eddeos do grupo Guardi\u00f5es do Estado reivindicando o crime, al\u00e9m de postagens citando bairros que poderiam vir a sofrer novas investidas.<\/p>\n<p>Sa\u00eddas<\/p>\n<p>Luiz F\u00e1bio Paiva, professor da Universidade Federal do Cear\u00e1 e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia, disse que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 passou de emerg\u00eancia para cat\u00e1strofe.As pessoas que vivem neste estado podem ser assassinadas a qualquer momento por sujeitos que est\u00e3o organizados e com disposi\u00e7\u00e3o para matar\u201d, afirmou. Dados da Secretaria de Seguran\u00e7a mostram que, em 2017, ocorreram 5.134 casos de mortes violentas no estado.<\/p>\n<p>Paiva acredita ser necess\u00e1rio redirecionar os investimentos em seguran\u00e7a p\u00fablica. De acordo com ele, h\u00e1 anos que muitos recursos t\u00eam sido investidos em policiamentos ostensivo. \u201cEsse tipo de policiamento n\u00e3o resolve, n\u00e3o \u00e9 adequado para tratar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o.\u201d Para ele, o resultado desse tipo de a\u00e7\u00e3o tem sido a pris\u00e3o das pessoas que atuam no mercado de varejo de drogas, os chamados avi\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses que enfrentaram situa\u00e7\u00f5es que envolvem crime organizado resolveram a quest\u00e3o com trabalho de intelig\u00eancia e a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da Justi\u00e7a para apurar e responsabilizar quem de fato controla os grupos, porque voc\u00ea tem que desfazer todo o sistema de financiamento deles\u201d, acrescentou o pesquisador. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 intelig\u00eancia, ele detalha que o que tem sido observado \u00e9 o uso de armas de grosso calibre, o que denota fragilidade na prote\u00e7\u00e3o das fronteiras.<\/p>\n<p>Para o presidente do Sinpol, Francisco Lucas de Oliveira, a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de seguran\u00e7a exige que pol\u00edticas sejam repensadas. Ele lista quatro medidas para combater as fac\u00e7\u00f5es criminosas, como \u201cretomar os pres\u00eddios, pois \u00e9 de l\u00e1 que est\u00e1 vindo toda essa carga de comando; bater forte no poder financeiro dessas fac\u00e7\u00f5es; desfazer a divis\u00e3o dos pres\u00eddios por fac\u00e7\u00f5es, que \u00e9 como eles est\u00e3o organizados hoje, e fortalecer a pol\u00edcia de investiga\u00e7\u00e3o, que hoje tem uma estrutura prec\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Brasil procurou o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a sobre as pol\u00edticas atualmente centradas no programa Cear\u00e1 Pac\u00edfico. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, contudo, n\u00e3o obteve retorno. Costa est\u00e1 acompanhando as investiga\u00e7\u00f5es no local da chacina.<\/p>\n<p>V\u00edtimas<\/p>\n<p>A Coordenadoria Especial de Pol\u00edticas P\u00fablicas dos Direitos Humanos (COPDH), vinculada ao gabinete do governo do estado, informou que trabalha para acompanhar as v\u00edtimas que sobreviveram e os familiares das falecidas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um processo dif\u00edcil, porque envolve fac\u00e7\u00f5es criminosas. H\u00e1 uma s\u00e9rie de delicadezas no acompanhamento dessas pessoas, como saber, por exemplo, se elas permanecem em situa\u00e7\u00e3o de ame\u00e7a\u201d, disse o coordenador da COPDH, Demitri Cruz. De acordo com ele, di\u00e1logos com outras institui\u00e7\u00f5es, como a Defensoria P\u00fablica do Cear\u00e1, t\u00eam sido feitos para viabilizar esse atendimento.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Maria Claudia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chuva deste s\u00e1bado (27) poderia ser recebida de bom grado em Fortaleza, dada a estiagem que h\u00e1 anos castiga o Cear\u00e1. Mas as \u00e1guas assumiram outro significado. \u201cFortaleza chora de tristeza hoje. A frase, replicada nas redes sociais, sintetiza o sentimento dos que veem pessoas serem assassinadas constantemente na capital cearense. 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