{"id":17625,"date":"2018-02-17T12:06:36","date_gmt":"2018-02-17T12:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=17625"},"modified":"2018-02-17T12:06:36","modified_gmt":"2018-02-17T12:06:36","slug":"contrabando-aumenta-94-e-atinge-r-23-bilhoes-no-ano-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/contrabando-aumenta-94-e-atinge-r-23-bilhoes-no-ano-passado\/","title":{"rendered":"Contrabando aumenta 9,4% e atinge R$ 2,3 bilh\u00f5es no ano passado"},"content":{"rendered":"<p>A apreens\u00e3o de drogas, mercadorias e cigarros contrabandeados no Brasil somou mais R$ 2,3 bilh\u00f5es em 2017. Segundo a Receita Federal, o valor \u00e9 recorde e representa um crescimento de 9,4% em rela\u00e7\u00e3o a 2016, quando foram apreendidos R$ 2,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o divulgado hoje (26) pela Receita mostra que a apreens\u00e3o de cigarros cresceu mais de 11%, com um volume de mais de 221 milh\u00f5es de ma\u00e7os, e a captura de drogas mais do que dobrou, alcan\u00e7ando percentual de varia\u00e7\u00e3o de 122,4% em rela\u00e7\u00e3o a 2016. Foram apreendidos no ano passado mais de 45 toneladas de maconha, coca\u00edna, crack e drogas sint\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Fronteira<\/p>\n<p>Mais de um quarto de todo o volume apreendido pela Receita Federal vem da fronteira do Brasil com o Paraguai, \u00e1rea que somou mais de R$ 600 milh\u00f5es de produtos de importa\u00e7\u00e3o proibida. S\u00f3 no posto de Foz do Igua\u00e7u, que abrange um dos pontos mais movimentados da fronteira brasileira com o pa\u00eds vizinho, o volume apreendido chegou a R$ 260 milh\u00f5es, montante 19% maior do que o registrado em 2016.<\/p>\n<p>Nas unidades da Receita Federal que atuam na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, o volume apreendido vale cerca de R$ 367 milh\u00f5es. Segundo o delegado Marcelo Rodrigues, auditor fiscal da Receita Federal em Ponta Por\u00e3 (MS), o montante ainda est\u00e1 subestimado devido a problemas internos do \u00f3rg\u00e3o que dificultaram o registro das opera\u00e7\u00f5es. O valor pode passar dos R$ 400 milh\u00f5es, de acordo com ele.<\/p>\n<p>\u201cNo lado do Mato Grosso do Sul n\u00f3s temos 670 km de fronteira com o Paraguai, sem nenhum acidente geogr\u00e1fico que separe os pa\u00edses. Isso em si j\u00e1 \u00e9 um complicador, porque simplesmente passa carreta lotada de cigarro por essa fronteira com muita facilidade, n\u00e3o precisa carregar num barco, fazer toda uma log\u00edstica, simplesmente passa numa estrada vicinal qualquer, ao longo desses 670 km tem uma infinidade de estradas\u201d, relata o delegado.<\/p>\n<p>O cigarro foi o produto mais contrabandeado na fronteira com o Paraguai. O produto corresponde a cerca de 75% de todo o valor apreendido pela Receita em Mato Grosso do Sul (MS).<\/p>\n<p>\u201cEm termos de quantidade e de valor, o cigarro \u00e9 disparado o maior volume. As apreens\u00f5es aqui na regi\u00e3o do MS s\u00e3o no atacado. Agora, mal come\u00e7ou o ano, j\u00e1 tivemos uma apreens\u00e3o de seis carretas juntas, um comboio lotado de cigarro apreendido. Isso eleva absurdamente o valor, mesmo que a quantidade de autua\u00e7\u00f5es n\u00e3o seja muito grande, mas o valor \u00e9 muito elevado\u201d, explicou Rodrigues.<br \/>\nProdutos eletr\u00f4nicos, materiais de inform\u00e1tica e suplementos alimentares eram contrabandeados para Belo Horizonte<\/p>\n<p>Produtos eletr\u00f4nicos, materiais de inform\u00e1tica e suplementos alimentares contrabandeados  Arquivo\/Pol\u00edcia Federal \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Na fronteira do Paran\u00e1, os ma\u00e7os de cigarro representam 40% do total de mercadorias ilegais apreendidas em 2017. A Receita de Foz do Igua\u00e7u apreendeu cerca de 20 milh\u00f5es de ma\u00e7os de cigarro na regi\u00e3o, montante que vale aproximadamente R$ 100 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ve\u00edculos e drogas, os produtos eletr\u00f4nicos e de inform\u00e1tica aparecem como os mais contrabandeados na regi\u00e3o. Armas, muni\u00e7\u00f5es e medicamentos proibidos, principalmente aqueles com fins est\u00e9ticos, como emagrecimento ou preenchimento de botox facial tamb\u00e9m est\u00e3o na lista dos itens mais apreendidos pelos agentes fiscais.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Norte, o n\u00famero de apreens\u00f5es quase dobrou no ano passado. Segundo dados da Superintend\u00eancia da Receita Federal da 2\u00aa regi\u00e3o, que abrange os estados do Par\u00e1, Amazonas, Rond\u00f4nia, Roraima, Amap\u00e1 e Acre, em 2017, o volume apreendido na regi\u00e3o somou quase R$ 45 milh\u00f5es, contra R$ 24,5 milh\u00f5es apreendidos em 2016, aumento de 92%, aproximadamente.<\/p>\n<p>A Receita Federal informou que tem desenvolvido a\u00e7\u00f5es para melhorar a seguran\u00e7a do ambiente de neg\u00f3cios no \u00e2mbito do com\u00e9rcio internacional. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, os resultados alcan\u00e7ados se devem \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de vigil\u00e2ncia e repress\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o do sistema eletr\u00f4nico par controle de encomendas postais, entre outras a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Crime organizado<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do contrabando preocupam entidades que atuam no combate ao com\u00e9rcio ilegal. Segundo o F\u00f3rum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o volume de apreens\u00f5es demonstra que o neg\u00f3cio do contrabando \u00e9 lucrativo para organiza\u00e7\u00f5es criminosas, que ainda financiam o tr\u00e1fico de drogas, armas e muni\u00e7\u00f5es no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito atrativo esse com\u00e9rcio ilegal. O desafio permanente \u00e9 conseguir diminuir o espa\u00e7o para essas a\u00e7\u00f5es, especialmente, fortalecendo o controle das nossas fronteiras, isso \u00e9 fundamental n\u00e3o s\u00f3 para o combate ao contrabando, mas tamb\u00e9m para o combate do crime organizado, que vem ocupando espa\u00e7os importantes nas fronteiras brasileiras\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil o advogado Edson Vismona, presidente do F\u00f3rum.<\/p>\n<p>O especialista afirmou que uma das principais causas para o problema \u00e9 a falta de investimento nas for\u00e7as policiais que atuam na \u00e1rea de fronteira, como a Pol\u00edcia Federal, Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal e For\u00e7as Armadas<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um permanente contingenciamento de recursos, que neste ano chegou a quase metade. Ou seja, \u00e9 muito dif\u00edcil voc\u00ea conseguir, em uma \u00e1rea t\u00e3o sens\u00edvel e dif\u00edcil, agir sem o apoio e a a\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias, sem recursos financeiros. Se contingenciamos recursos da \u00e1rea de seguran\u00e7a, voc\u00ea est\u00e1 abrindo as portas para o crime. Ent\u00e3o, temos que combater de forma articulada e permanente, que \u00e9 a nossa proposta e o governo tem sido sens\u00edvel a isso\u201d, ressaltou o advogado, que tamb\u00e9m preside o Instituto Brasileiro de \u00c9tica Concorrencial (ETCO).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de recursos, Vismona atribui o aumento do contrabando ao elevado custo dos impostos sobre alguns produtos no Brasil, principalmente o cigarro, que em outros pa\u00edses, como o Paraguai, \u00e9 produzido e comercializado com uma carga tribut\u00e1ria muito menor.<\/p>\n<p>Levantamento feito pelo instituto mostra que tr\u00eas a cada dez brasileiros costumam comprar produtos contrabandeados. Quase 90% deles considera que o elevado custo dos impostos no Brasil favorece a entrada de mercadorias contrabandeadas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO Paraguai \u00e9 o grande produtor do cigarro contrabandeado, que j\u00e1 domina o mercado brasileiro. Isso \u00e9 inaceit\u00e1vel, 48% do mercado est\u00e1 nas m\u00e3os do contrabando. Temos que ter uma equaliza\u00e7\u00e3o maior de impostos, para que haja uma desmotiva\u00e7\u00e3o ao contrabando. Para se ter ideia, em 2015, 30% do mercado brasileiro estava na m\u00e3o do contrabandista. Com as mudan\u00e7as na tributa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em 2016 pulou para 45% e agora 48%. Para aqueles que falam que quando aumenta o imposto, diminui o consumo, n\u00e3o \u00e9 verdade. Aumentou o imposto e aumentou o mercado ilegal, o consumo se estabiliza e migra para o ilegal.\u201d<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Maria Claudia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A apreens\u00e3o de drogas, mercadorias e cigarros contrabandeados no Brasil somou mais R$ 2,3 bilh\u00f5es em 2017. Segundo a Receita Federal, o valor \u00e9 recorde e representa um crescimento de 9,4% em rela\u00e7\u00e3o a 2016, quando foram apreendidos R$ 2,1 bilh\u00f5es. 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