{"id":13056,"date":"2018-01-21T15:57:40","date_gmt":"2018-01-21T15:57:40","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=13056"},"modified":"2018-01-21T15:57:40","modified_gmt":"2018-01-21T15:57:40","slug":"barata-vacina-de-febre-amarela-tem-estoques-no-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/barata-vacina-de-febre-amarela-tem-estoques-no-limite\/","title":{"rendered":"Barata, vacina de febre amarela tem estoques no limite"},"content":{"rendered":"<p>Voltada principalmente a pa\u00edses da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Sul, a vacina contra a febre amarela enfrenta obst\u00e1culos que amea\u00e7am seus estoques. Entre eles, est\u00e3o o complexo processo de produ\u00e7\u00e3o, que utiliza de ovo de galinha a maquin\u00e1rio moderno, e o reduzido n\u00famero de fabricantes, desencorajados pelo baixo pre\u00e7o final.<\/p>\n<p>A busca pela imuniza\u00e7\u00e3o provocou na \u00faltima semana filas que se estenderam pelas madrugadas em S\u00e3o Paulo. Desde janeiro de 2017, o Estado registrou 81 casos da doen\u00e7a, com 36 mortes.<\/p>\n<p>Houve ainda ao menos tr\u00eas \u00f3bitos associados a efeitos adversos graves da imuniza\u00e7\u00e3o. Embora muito raros (a frequ\u00eancia \u00e9 de um para um milh\u00e3o), eles existem e, por isso, especialistas recomendam aten\u00e7\u00e3o aos grupos com contraindica\u00e7\u00f5es.Embora considerada segura e de alta efic\u00e1cia, a vacina contra a febre amarela tem s\u00f3 quatro produtores certificados pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade). O maior, Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos (Bio-Manguinhos), fica no Rio de Janeiro, e faz a imuniza\u00e7\u00e3o desde 1937.<\/p>\n<p>Vinculado \u00e0 Fiocruz, deve produzir at\u00e9 48,3 milh\u00f5es de doses neste ano, todas para a rede p\u00fablica de sa\u00fade a um pre\u00e7o unit\u00e1rio de R$ 3,50.<\/p>\n<p>Aos outros tr\u00eas fabricantes &#8211; Sanofi Pasteur, na Fran\u00e7a, Institut Pasteur, no Senegal, e Centro Federal Chumakov, na R\u00fassia -, cabe o abastecimento da rede privada e de todo o resto do planeta, inclusive \u00e1reas end\u00eamicas na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Ao todo, a produ\u00e7\u00e3o mundial estimada para este ano \u00e9 de 105 a 132 milh\u00f5es de doses. Estudo publicado em agosto do ano passado no peri\u00f3dico m\u00e9dico &#8220;The Lancet&#8221; estima em 393 milh\u00f5es a 472 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas que precisam ser vacinadas em \u00e1reas com circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<p>A escassez de vacinas na \u00c1frica levou a uma situa\u00e7\u00e3o limite em 2016, quando um surto atingiu a capital de Angola, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e o Qu\u00eania.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos sorte&#8221;, escreveu no &#8220;New York Times&#8221; Seth Berkley, diretor da organiza\u00e7\u00e3o internacional Gavi, que apoia o estoque global de vacinas da OMS. &#8220;O fabricante brasileiro disponibilizou 2,5 milh\u00f5es de doses da vacina, e o surto foi contido.&#8221;<\/p>\n<p>Para atingir uma escala maior, a entidade optou pelo fracionamento da vacina, o que possibilitou que cada dose pudesse ser usada por cinco pessoas. A contrapartida \u00e9 a incerteza sobre o tempo de imuniza\u00e7\u00e3o: hoje, o que se sabe \u00e9 que a dose fracionada vale por oito anos. Mais estudos ser\u00e3o feitos para avaliar se esse per\u00edodo \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Meses depois de ajudar a abastecer o estoque internacional de vacinas, em 2017 o Brasil teve que recorrer a ele em meio ao maior surto da doen\u00e7a j\u00e1 registrado desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Foram 779 casos de julho de 2016 a junho de 2017, principalmente em Minas Gerais.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, com as mortes pela doen\u00e7a nas proximidades da capital paulista, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade teve que adotar o fracionamento para bloquear o avan\u00e7o do v\u00edrus em 76 cidades dos Estados de S\u00e3o Paulo, Rio e Bahia. Bio-Manguinhos suspendeu todas as exporta\u00e7\u00f5es e tenta antecipar a produ\u00e7\u00e3o da vacina contra a febre amarela.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um processo simples. Primeiro, porque, para aumentar o n\u00famero de doses, seria preciso reduzir a fabrica\u00e7\u00e3o de outras vacinas, como a tr\u00edplice viral. Em segundo lugar, porque o processo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 longo e complexo.<\/p>\n<p>A PRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A tecnologia foi desenvolvida nos anos 1930 e, em 1951, rendeu o pr\u00eamio Nobel ao sul-africano Max Theiler.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a com ovos de galinha produzidos sem pat\u00f3genos -agentes causadores de doen\u00e7as. No caso de Bio-Manguinhos, eles v\u00eam de um produtor no Tri\u00e2ngulo Mineiro. &#8220;Para produzir esse tipo de ovo, \u00e9 necess\u00e1rio ter instala\u00e7\u00f5es especiais, certificadas e com todos os testes de controle de\u00a0qualidade&#8221;, explica Akira Homma, assessor cient\u00edfico s\u00eanior do instituto.<\/p>\n<p>Cada ovo \u00e9 inoculado com uma cepa atenuada do v\u00edrus da febre amarela e rende at\u00e9 200 doses. Com todos os insumos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, a vacina leva ao menos 60 dias para ficar pronta. As etapas finais envolvem grandes maquin\u00e1rios, que precisam de limpeza e desinfec\u00e7\u00e3o cuidadosos.<\/p>\n<p>&#8220;Por requerer alto investimento em instala\u00e7\u00f5es, equipamentos, procedimentos, recursos humanos altamente qualificados, o custo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 alto, e o pre\u00e7o \u00e9 um dos mais baixos entre as vacinas existentes&#8221;, diz Homma.<\/p>\n<p>J\u00e1 o mercado est\u00e1 centrado na \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul. Nos pa\u00edses desenvolvidos a vacina \u00e9 usada s\u00f3 por quem vai viajar para \u00e1reas afetadas. Portanto, &#8220;o retorno financeiro \u00e9 baixo e o risco \u00e9 alto&#8221;, define o assessor.<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos um problema de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de BCG [contra a tuberculose], que pouco interessa a outros investidores de fora&#8221;, diz Isabela Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m nessa imuniza\u00e7\u00e3o o Brasil \u00e9 autossuficiente. &#8220;Estamos muito bem [na produ\u00e7\u00e3o de vacinas] quando comparados a outros pa\u00edses n\u00e3o ricos.&#8221;<\/p>\n<p>Diretor do Instituto Evandro Chagas e especialista em febre amarela, Pedro Vasconcelos defende que se estude novas tecnologias para produzir a vacina da febre amarela. &#8220;Chegou a hora de pensar em uma nova abordagem t\u00e3o ou mais segura que possa ampliar a nossa produ\u00e7\u00e3o no mesmo espa\u00e7o&#8221;, diz.Atualmente, Bio-Manguinhos pesquisa a produ\u00e7\u00e3o de doses com o v\u00edrus inativado ou feitas a partir de folhas de tabaco, em vez de ovos. Os estudos, por\u00e9m, ainda est\u00e3o em est\u00e1gio inicial. Com informa\u00e7\u00f5es da Folhapress<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltada principalmente a pa\u00edses da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Sul, a vacina contra a febre amarela enfrenta obst\u00e1culos que amea\u00e7am seus estoques. Entre eles, est\u00e3o o complexo processo de produ\u00e7\u00e3o, que utiliza de ovo de galinha a maquin\u00e1rio moderno, e o reduzido n\u00famero de fabricantes, desencorajados pelo baixo pre\u00e7o final. 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