{"id":12448,"date":"2018-01-19T17:21:51","date_gmt":"2018-01-19T17:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=12448"},"modified":"2018-01-19T17:21:51","modified_gmt":"2018-01-19T17:21:51","slug":"tunisia-lembra-setimo-aniversario-de-sua-revolucao-em-clima-tenso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/tunisia-lembra-setimo-aniversario-de-sua-revolucao-em-clima-tenso\/","title":{"rendered":"Tun\u00edsia lembra s\u00e9timo anivers\u00e1rio de sua revolu\u00e7\u00e3o em clima tenso"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma semana de confrontos sociais, os tunisianos marcaram neste domingo (14) o s\u00e9timo anivers\u00e1rio de sua revolu\u00e7\u00e3o, alguns exprimindo orgulho e outros ainda com raiva diante da persist\u00eancia das mesmas mazelas &#8211; pobreza, desemprego e corrup\u00e7\u00e3o &#8211; que levaram \u00e0 queda da ditadura.<\/p>\n<p>Sob forte esquema de seguran\u00e7a, centenas de partid\u00e1rios de diferentes movimentos foram \u00e0 avenida Habib Burguiba, epicentro da contesta\u00e7\u00e3o de janeiro de 2011, marcar o anivers\u00e1rio da revolta que causou a queda de Zine el Abidine Ben Ali ap\u00f3s 23 anos de poder.<\/p>\n<p>Membros do coletivo cidad\u00e3o Manich Msamah (Eu n\u00e3o perdoarei) desfilaram exibindo fotos de m\u00e1rtires da revolu\u00e7\u00e3o, enquanto jovens manifestantes pediam emprego. Partidos pol\u00edticos instalaram estandes.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor coisa que poderia ter acontecido, apesar das dificuldades. Enquanto houver pessoas (que acreditam nela), haver\u00e1 esperan\u00e7a, afirmou Mohamed Wajdi, jovem tunisiano que participou das comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar de terem decorrido sem incidentes, o descontentamento social ficou marcado no \u00fanico pa\u00eds sobrevivente da Primavera \u00c1rabe.<\/p>\n<p>Sete anos ap\u00f3s a partida de Ben Ali, que vive no ex\u00edlio na Ar\u00e1bia Saudita, muitos tunisianos acreditam que ganharam liberdade, mas perderam em padr\u00e3o de vida.<\/p>\n<p>Apesar do sucesso relativo de sua transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, a Tun\u00edsia n\u00e3o se livrou da morosidade econ\u00f4mica e social. Durante a semana passada, protestos pac\u00edficos e dist\u00farbios noturnos abalaram v\u00e1rias cidades.<\/p>\n<p>&#8211; Cesto vazio &#8211;<\/p>\n<p>Alimentado por um desemprego persistente (de 15%, segundo dados oficiais), o descontentamento social tem sido exacerbado pelos aumentos de impostos previstos para 2018, abocanhando um poder de compra que tamb\u00e9m \u00e9 afetado pelo aumento da infla\u00e7\u00e3o (mais de 6% no final de 2017).<\/p>\n<p>Os manifestantes exigem a revis\u00e3o do or\u00e7amento votado em dezembro, mas tamb\u00e9m uma luta mais efetiva contra a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em frente \u00e0 sede do poderoso sindicato UGTT, mil pessoas come\u00e7avam a se manifestar esta manh\u00e3, como Fued El Arbi, que exibia uma cesta vazia com a men\u00e7\u00e3o 2018.<\/p>\n<p>Esta cesta vazia resume a nossa situa\u00e7\u00e3o med\u00edocre sete anos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, criticou este professor de filosofia.<\/p>\n<p>O UGTT convocou uma passeata no centro da cidade, assim como a Frente Popular (oposi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O partido esquerdista foi acusado pelo primeiro-ministro Yussef Chahed de ser respons\u00e1vel pela agita\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos dias, quando cerca de 803 pessoas suspeitas de viol\u00eancia, roubos e saques foram presas, de acordo com o Minist\u00e9rio do Interior.<\/p>\n<p>O presidente Beji Caid Essebsi decidiu marcar o anivers\u00e1rio visitando o bairro de Ettadhamen, na periferia de T\u00fanis, onde ocorreram confrontos entre jovens manifestantes e as for\u00e7as de seguran\u00e7a na semana passada. Ele deve inaugurar um centro juvenil.<\/p>\n<p>&#8211; Livres, mas com fome &#8211;<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o tunisiana foi desencadeada pela autoimola\u00e7\u00e3o, em 17 de dezembro de 2010, em Sidi Buzid &#8211; cidade no interior do pa\u00eds &#8211; do vendedor Mohamed Buazizi, desesperado com a pobreza e a humilha\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o popular, o presidente Ben Ali fugiu do pa\u00eds em 14 de janeiro. O levante fez 338 mortos.<\/p>\n<p>Para a cientista pol\u00edtica Olfa Lamloum, a agita\u00e7\u00e3o social dos \u00faltimos dias revela uma raiva carregada pelas mesmas (pessoas) que se mobilizaram em 2011 e n\u00e3o conseguiram nada.<\/p>\n<p>Faz sete anos que n\u00e3o vemos nada entrar. Temos a liberdade, \u00e9 verdade, mas estamos com mais fome do que antes, resumiu \u00e0 AFP Walid, um desempregado de 38 anos em Teburba, perto de T\u00fanis.<\/p>\n<p>O movimento social foi lan\u00e7ado no in\u00edcio de janeiro sob o lema Fech Nestannew (O que estamos esperando?), cujos instigadores exigem mais justi\u00e7a social em resposta aos aumentos de impostos decididos no novo or\u00e7amento.<\/p>\n<p>Em dificuldade financeira, especialmente ap\u00f3s a crise no setor tur\u00edstico ligada a uma s\u00e9rie de ataques jihadistas em 2015, a Tun\u00edsia obteve em 2016 um empr\u00e9stimo de 2,4 bilh\u00f5es de euros ao longo de quatro anos do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Em troca, comprometeu-se a reduzir seu d\u00e9ficit p\u00fablico e reformas econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>O presidente Essebsi, que se reuniu no s\u00e1bado com l\u00edderes de partidos governamentais, empregadores e UGTT, reconheceu que o clima social e o clima pol\u00edtico n\u00e3o eram bons. \u00c0 noite, o governo prometeu um plano de a\u00e7\u00e3o que deveria atingir mais de 120 mil benefici\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma semana de confrontos sociais, os tunisianos marcaram neste domingo (14) o s\u00e9timo anivers\u00e1rio de sua revolu\u00e7\u00e3o, alguns exprimindo orgulho e outros ainda com raiva diante da persist\u00eancia das mesmas mazelas &#8211; pobreza, desemprego e corrup\u00e7\u00e3o &#8211; que levaram \u00e0 queda da ditadura. 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