{"id":12333,"date":"2018-01-19T16:41:32","date_gmt":"2018-01-19T16:41:32","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=12333"},"modified":"2018-01-19T16:41:32","modified_gmt":"2018-01-19T16:41:32","slug":"desaparecimento-de-sem-terras-no-amazonas-faz-um-mes-suspeitos-estao-foragidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/desaparecimento-de-sem-terras-no-amazonas-faz-um-mes-suspeitos-estao-foragidos\/","title":{"rendered":"Desaparecimento de sem-terras no Amazonas faz um m\u00eas; suspeitos est\u00e3o foragidos"},"content":{"rendered":"<p>O desaparecimento de tr\u00eas trabalhadores rurais sem terra em Canutama, no Amazonas, completa um m\u00eas neste domingo (14) e continua a desafiar as autoridades do Amazonas, ao mesmo tempo em que motiva cr\u00edticas dos familiares dos desaparecidos, pela demora em solucionar o caso.<\/p>\n<p>Segundo testemunhas, Fl\u00e1vio Lima de Souza, de 42 anos; Marinalva Silva de Souza, de 37 anos, e Jairo Feitoza Pereira, de 52 anos, foram vistos pela \u00faltima vez inspecionando parte de uma propriedade rural que est\u00e1  ocupada por cerca de 200 sem-terra desde 2015, em Canutama, no sul do Amazonas, pr\u00f3ximo \u00e0 divisa com Rond\u00f4nia \u2013 uma regi\u00e3o de dif\u00edcil acesso e vegeta\u00e7\u00e3o densa.<\/p>\n<p>Ex-brigadista do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores Rurais da Comunidade da Regi\u00e3o do Igarap\u00e9 Araras (Asprocria), Fl\u00e1vio chegou a pedir o apoio de organiza\u00e7\u00f5es sociais como a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) para denunciar as amea\u00e7as que dizia sofrer de madeireiros e funcion\u00e1rios da Fazenda Shalom.<\/p>\n<p>J\u00e1 Marinalva registrou um boletim de ocorr\u00eancia semanas antes dos tr\u00eas desaparecerem. No BO, a que a Ag\u00eancia Brasil teve acesso, Marinalva denuncia a a\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios da fazenda para intimidar os sem-terra, como a destrui\u00e7\u00e3o de manilhas que os ocupantes planejavam instalar na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Suspeitos foragidos<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 3, a Pol\u00edcia Civil do Amazonas divulgou as fotos e os nomes do fazendeiro, Antonio Mijoler Garcia Filho, 61 anos, e do caseiro Rinaldo da Silva Mota, 38 anos, procurados por homic\u00eddio qualificado. Eles s\u00e3o suspeitos de envolvimento no sumi\u00e7o das lideran\u00e7as sem terra.<\/p>\n<p>Suas pris\u00f5es foram autorizadas pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Amazonas (TJ-AM) em 28 de dezembro, sete dias ap\u00f3s a Pol\u00edcia Civil tornar p\u00fablico que o delegado respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o pediria \u00e0 Justi\u00e7a a pris\u00e3o preventiva dos dois suspeitos e autoriza\u00e7\u00e3o para realizar buscas e apreens\u00f5es em endere\u00e7os ligados a eles.<\/p>\n<p>Segundo o Tribunal, os pedidos de pris\u00e3o s\u00f3 foram ajuizados no dia 23, um s\u00e1bado. Em fun\u00e7\u00e3o do feriado de Natal, s\u00f3 puderam ser encaminhados para aprecia\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o dia 26, quando a ju\u00edza Joseilda Pereira Bilio assumiu a titularidade da Vara de Canutama. Os mandados foram expedidos dois dias depois.<\/p>\n<p>Segundo parentes dos desaparecidos que acompanham o caso, com a demora, os suspeitos conseguiram deixar Canutama. No dia 29, a Pol\u00edcia Civil informou que equipes da 62\u00aa Delegacia Interativa se deslocaram at\u00e9 a capital de Rond\u00f4nia, Porto Velho, a apenas 60 quil\u00f4metros de Canutama. A inten\u00e7\u00e3o era cumprir os mandados de pris\u00e3o, mas nem o fazendeiro, nem o caseiro foram localizados nos endere\u00e7os de que a Pol\u00edcia dispunha. Desde ent\u00e3o, Mijoler e Mota s\u00e3o considerados foragidos.<\/p>\n<p>Como o local das buscas fica pr\u00f3ximo a Porto Velho, parentes e integrantes do grupo de sem terra decidiram pedir apoio ao governo de Rond\u00f4nia. No \u00faltimo dia 28, eles se reuniram com o vice-governador Daniel Pereira que, prontamente, enviou um of\u00edcio ao governador do Amazonas, Amazonino Mendes, oferecendo ajuda nas buscas por Fl\u00e1vio, Marinalva e Jairo.<\/p>\n<p>At\u00e9 ontem (12), o governo de Rond\u00f4nia n\u00e3o tinha recebido nenhuma resposta. Segundo a assessoria da vice-governadoria, embora a Pol\u00edcia Civil de Rond\u00f4nia tenha auxiliado nas buscas logo nos primeiros dias ap\u00f3s o an\u00fancio dos desaparecimentos, acabou por se afastar j\u00e1 que, oficialmente, o trabalho \u201c\u00e9 da al\u00e7ada do governo do Amazonas\u201d.<\/p>\n<p>Falta de estrutura<\/p>\n<p>Doze militares do Ex\u00e9rcito tamb\u00e9m auxiliaram nas buscas aos sem-terra entre os dias 20 e 24 de dezembro, mas suspenderam os trabalhos sem encontrar qualquer ind\u00edcio do paradeiro dos tr\u00eas desaparecidos. Desde ent\u00e3o, a Pol\u00edcia Civil do Amazonas tem atuado na solu\u00e7\u00e3o do caso com o apoio de homens do Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (COE) da Pol\u00edcia Militar do Amazonas.<\/p>\n<p>Para parentes dos tr\u00eas sem terra desaparecidos, as for\u00e7as policiais de Canutama e regi\u00e3o n\u00e3o tem os equipamentos, estrutura e pessoal adequados ou em n\u00famero suficiente para esclarecer o desaparecimento. Al\u00e9m do apoio de equipes de Porto Velho, eles pedem que a Pol\u00edcia Federal entre no caso.<\/p>\n<p>\u201cAfinal, o crime ocorreu em terras da Uni\u00e3o, no contexto de um conflito agr\u00e1rio\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a irm\u00e3 de Fl\u00e1vio, Lucicleia Lima de Souza, ao informar que j\u00e1 solicitou ao Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) que pe\u00e7a a interven\u00e7\u00e3o da PF. \u201cIsso acalmaria um pouco nosso cora\u00e7\u00e3o, pois a PF atuaria com maior isen\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para Maria Petronila Neto, uma das coordenadoras da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) em Rond\u00f4nia, a \u201cmorosidade\u201d do Poder P\u00fablico facilitou a fuga dos suspeitos. \u201cAt\u00e9 agora, n\u00e3o temos nada de concreto. Os suspeitos continuam foragidos e n\u00e3o h\u00e1 nem ao menos uma pista sobre o paradeiro dos tr\u00eas sem-terra. Algumas pessoas temem falar, mas desconfiam da atua\u00e7\u00e3o das autoridades locais\u201d, disse Petronila, lembrando que a demora entre a apresenta\u00e7\u00e3o dos pedidos de pris\u00e3o e de buscas e apreens\u00f5es e a efetiva a\u00e7\u00e3o policial tamb\u00e9m pode ter permitido que provas fossem destru\u00eddas e vest\u00edgios apagados. \u201cS\u00f3 saberemos o que de fato aconteceu quando a pol\u00edcia colocar as m\u00e3os nestes foragidos.\u201d<\/p>\n<p>Procurado na quinta-feira (11), o governo do Amazonas at\u00e9 o momento n\u00e3o respondeu \u00e0s perguntas da reportagem e \u00e0s cr\u00edticas de Lucicleia e de Petronila. O Incra acompanha a situa\u00e7\u00e3o por meio da Ouvidoria Agr\u00e1ria Nacional, que encaminhou ontem of\u00edcio \u00e0 Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Amazonas pedindo mais agilidade nas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o instituto, a \u00e1rea ocupada pertence \u00e0 Uni\u00e3o e a Justi\u00e7a Federal j\u00e1 concedeu uma decis\u00e3o liminar (provis\u00f3ria) favor\u00e1vel ao cancelamento do que classifica como \u201cregistro irregular\u201d da propriedade do im\u00f3vel conhecido como Igarap\u00e9 das Araras e a autarquia est\u00e1 apenas aguardando a decis\u00e3o judicial definitiva para definir o destino do im\u00f3vel rural.<\/p>\n<p>Formado por representantes do Estado e da sociedade civil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) j\u00e1 agendou para sua pr\u00f3xima reuni\u00e3o, no dia 29, a discuss\u00e3o do desaparecimento de deve discutir o desaparecimento de Fl\u00e1vio, Marinalva e Jairo Feitoza Pereira e a tens\u00e3o fundi\u00e1ria no Amazonas.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Denise Griesinger<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desaparecimento de tr\u00eas trabalhadores rurais sem terra em Canutama, no Amazonas, completa um m\u00eas neste domingo (14) e continua a desafiar as autoridades do Amazonas, ao mesmo tempo em que motiva cr\u00edticas dos familiares dos desaparecidos, pela demora em solucionar o caso. 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