{"id":12329,"date":"2018-01-19T16:40:04","date_gmt":"2018-01-19T16:40:04","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=12329"},"modified":"2018-01-19T16:40:04","modified_gmt":"2018-01-19T16:40:04","slug":"maior-exposicao-de-arte-contemporanea-africana-chega-ao-rio-no-dia-20-deste-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/maior-exposicao-de-arte-contemporanea-africana-chega-ao-rio-no-dia-20-deste-mes\/","title":{"rendered":"Maior exposi\u00e7\u00e3o de arte contempor\u00e2nea africana chega ao Rio no dia 20 deste m\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Uma exposi\u00e7\u00e3o com os artistas contempor\u00e2neos mais promissores do continente africano desembarca no Rio de Janeiro no pr\u00f3ximo s\u00e1bado (20). Reunindo duas dezenas de nomes que chamam aten\u00e7\u00e3o internacional, mas que s\u00e3o pouco conhecidos no Brasil, al\u00e9m de dois artistas afro-brasileiros, a Ex Africa traz uma mostra dos dilemas e desafios do continente hoje e que se assemelham ao de pa\u00edses latinos.<\/p>\n<p>At\u00e9 26 de mar\u00e7o, a mostra estar\u00e1 aberta ao p\u00fablico no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade.<\/p>\n<p>A exibi\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por mais de 80 obras, entre pinturas, esculturas, instala\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos e performances, com espa\u00e7o privilegiado para a fotografia. \u201cA fotografia talvez seja, ao lado da escultura, o grande destaque da arte africana atual, sobretudo, na \u00c1frica do Sul, cujos fot\u00f3grafos, ao meu ver, est\u00e3o entre os mais originais do mundo\u201d, afirmou o curador alem\u00e3o Alfons Hug. Ele trabalhou no Brasil por mais de 15 anos e em pa\u00edses africanos, por quatro anos. Na Nig\u00e9ria, foi diretor do Instituto Goethe.<\/p>\n<p>Os trabalhos da Ex Africa se relacionam por meio de quatro eixos e mostram um continente em cont\u00ednuo e efervescente processo de renova\u00e7\u00e3o criativa e art\u00edstica. As obras t\u00eam refer\u00eancia no passado de coloniza\u00e7\u00e3o europeia, dialogam com a escraviza\u00e7\u00e3o, mas buscam discutir os reflexos da hist\u00f3ria no presente, principalmente nos anos que sucederam a independ\u00eancia desses pa\u00edses, a partir da d\u00e9cada de 1950. O passeio pela mostra conduz o visitante por quest\u00f5es como migra\u00e7\u00e3o, passado p\u00f3s-colonial, racismo e gentrifica\u00e7\u00e3o, temas comuns tamb\u00e9m nas grandes cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Em Ponte City, por exemplo, o artista sul-africano Mikhael Subotzky em colabora\u00e7\u00e3o com o ingl\u00eas Patrick Waterhouse apresentam uma instala\u00e7\u00e3o que simula hist\u00f3rias dentro do pr\u00e9dio de mesmo nome e seus personagens, no estilo Eduardo Coutinho. Ponte City \u00e9 um arranha-c\u00e9u no centro de Joanesburgo, que foi constru\u00eddo para a popula\u00e7\u00e3o branca na \u00e9poca do apartheid (regime de segrega\u00e7\u00e3o racial). Tornou-se, no entanto, s\u00edmbolo de decad\u00eancia na d\u00e9cada de 1980, ap\u00f3s ser invadido por gangues.<\/p>\n<p>Ainda no eixo sobre cidades, Karo Akpokiere faz uma s\u00e1tira ao bombardeio publicit\u00e1rio que invade as metr\u00f3poles e as vidas das pessoas. De Lagos, uma das cidades mais populosas do mundo, o designer gr\u00e1fico apresenta ilustra\u00e7\u00f5es que mesclam o caos urbano de uma megal\u00f3pole com elementos da cultura pop.<\/p>\n<p>Em outro eixo, o corpo como espa\u00e7o de manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, uma marca ancestral, \u00e9 tema das ic\u00f4nicas imagens do nigeriano J. D. Okhai Ojeikere. Ele traz parte de sua mais conhecida obra, Hair Styles, com penteados fotografados ao longo de 40 anos. Cada um deles se assemelha a verdadeiras esculturas. Em muitas culturas africanas, penteados s\u00e3o marcas da religi\u00e3o, posi\u00e7\u00e3o social e at\u00e9 sinalizam jovens em \u00e9poca de se casar. Eles voltaram com for\u00e7a ap\u00f3s a independ\u00eancia dos pa\u00edses. A exibi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade para ver uma boa mostra deles, reunidos em uma parede s\u00f3.<\/p>\n<p>Do senegal\u00eas Omar Victor Diop ser\u00e3o exibidas fotografias que desafiam a vis\u00e3o estereotipada e racista de parte da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a pessoas de pele negra. O Projeto Di\u00e1spora explora retratos de africanos ilustres, alguns ainda na condi\u00e7\u00e3o de escravos, que se tornaram personalidades nos s\u00e9culos passados.<\/p>\n<p>Sob a influ\u00eancia da pintura barroca europeia, Omar Diop retrata a si no lugar desses personagens, fazendo uma cr\u00edtica \u00e0 sociedade, ao incluir elementos como equipamentos esportivos, a exemplo de uma bola de futebol. O artista remete o p\u00fablico a celebridades e atletas de tons de pele negra, do mais claro ao mais escuro, que ainda s\u00e3o alvo de preconceito racial, revelando uma discrimina\u00e7\u00e3o que transcende fama e dinheiro.<\/p>\n<p>De uma outra perspectiva, Kudzanai Chiurai, do Zimb\u00e1bue, traz algumas das imagens mais emblem\u00e1ticas da mostra. Ele brinca com a ideia de voltar ao passado para reescrever o presente. Em suas imagens, o que se v\u00ea s\u00e3o fotos que questionam o papel que, automaticamente, uma parte dos espectadores atribui a pessoas negras, o de subalterno, em especial quando negros est\u00e3o vestidos de maneira tribal. Na s\u00e9rie G\u00eanesis, Chiurai mistura figuras do colonizador e do colonizado de maneira que uma reposta imediata sobre quem \u00e9 quem n\u00e3o seja imediata.<\/p>\n<p>Ainda neste tema, da di\u00e1spora e do tr\u00e1fico de africanos como escravos, pr\u00e1tica respons\u00e1vel pelo sequestro de mais de 12 milh\u00f5es de pessoas, Leonce Raphael Agbodj\u00e9lou, fot\u00f3grafo do Benin, evoca o decreto com o qual a Fran\u00e7a regulou a escravid\u00e3o. O C\u00f3digo Negro, de 1685, determinou que pessoas negras escravizadas n\u00e3o tivessem direitos legais e nem pol\u00edticos por 163 anos. Na obra de mesmo nome, o artista retrata descendentes e seus antepassados nos lugares da escravid\u00e3o. As pe\u00e7as s\u00e3o montadas em formato de tr\u00edptico, que tem origem na Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>Por fim, em 2018, h\u00e1 130 anos da aboli\u00e7\u00e3o no Brasil, o artista carioca Arjan Martins fecha a exposi\u00e7\u00e3o mostrando, em suas pinturas, os navios que cruzaram o Atl\u00e2ntico com africanos enfiados em por\u00f5es e que aportaram com os sobreviventes nas Am\u00e9ricas. A inspira\u00e7\u00e3o dele partiu de uma de experi\u00eancia em Lagos, onde fez uma resid\u00eancia no bairro onde muitos brasileiros libertos se mudaram ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o acontece num momento em que a heran\u00e7a africana volta a estar em evid\u00eancia, principalmente no Rio\u201d, destaca o curador. Parte da sociedade cobra a cria\u00e7\u00e3o de um museu para discutir a di\u00e1spora e a heran\u00e7a africana, al\u00e9m de salvaguardas para o Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos como escravos na Am\u00e9rica Latina. O local foi declarado patrim\u00f4nio da humanidade pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas no ano passado.<\/p>\n<p>Do Rio, a Ex Africa segue para S\u00e3o Paulo, onde chega em abril e para Bras\u00edlia, em agosto. Em Belo Horizonte, em 2017, recebeu 150 mil pessoas.<\/p>\n<p>Dentro da tem\u00e1tica sobre a di\u00e1spora, \u00e9 esperada este ano uma retrospectiva do grafiteiro nova-iorquino Jean-Michel Basquiat, que \u00e9 negro, de origem caribenha, autor de algumas das obras mais caras da atualidade. Em 2017, um de seus quadros bateu recorde, ao ser vendido por US$ 110,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Carolina Pimentel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma exposi\u00e7\u00e3o com os artistas contempor\u00e2neos mais promissores do continente africano desembarca no Rio de Janeiro no pr\u00f3ximo s\u00e1bado (20). Reunindo duas dezenas de nomes que chamam aten\u00e7\u00e3o internacional, mas que s\u00e3o pouco conhecidos no Brasil, al\u00e9m de dois artistas afro-brasileiros, a Ex Africa traz uma mostra dos dilemas e desafios do continente hoje e &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12098,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-12329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12329"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12330,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12329\/revisions\/12330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}