{"id":11649,"date":"2018-01-17T17:35:56","date_gmt":"2018-01-17T17:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=11649"},"modified":"2018-01-17T17:35:56","modified_gmt":"2018-01-17T17:35:56","slug":"mais-da-metade-dos-imigrantes-venezuelanos-no-brasil-recebem-menos-de-um-salario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/mais-da-metade-dos-imigrantes-venezuelanos-no-brasil-recebem-menos-de-um-salario\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos imigrantes venezuelanos no Brasil recebem menos de um sal\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Quase 80% dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas que migraram para o Brasil t\u00eam ensino m\u00e9dio completo, mas, dos que trabalham, mais da metade recebem menos de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, segundo dados da pesquisa Perfil Sociodemogr\u00e1fico e Laboral dos Imigrantes Venezuelanos, coordenada pelo Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o (CNIg), com apoio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur).<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas que migraram para o Brasil, 78% t\u00eam ensino m\u00e9dio completo e 32% fizeram ensino superior ou uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Dessa popula\u00e7\u00e3o, 60%  exerce alguma atividade remunerada, sendo que 28% est\u00e1 formalmente empregada. Dos trabalhadores, 51% recebem menos de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, 44% ganham entre um e dois sal\u00e1rios e  5% ultrapassa essa faixa. Os principais ramos que empregam essas pessoas s\u00e3o: com\u00e9rcio (37%), servi\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o (21%) e constru\u00e7\u00e3o civil (13%). Do total, 52% trabalham mais de 40 horas por semana.<\/p>\n<p>A pesquisa<\/p>\n<p>A iniciativa de analisar o perfil dos imigrantes venezuelanos derivou do crescimento vertiginoso da presen\u00e7a desse grupo em territ\u00f3rio brasileiro, sobretudo no estado de Roraima, nos \u00faltimos anos. Ao todo, estima-se que mais de 16 mil venezuelanos migraram recentemente para o Brasil, sendo que mais de 8 mil atravessaram a fronteira apenas no ano de 2017. \u201cA pesquisa subsidiar\u00e1, com absoluta certeza, as a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas migrat\u00f3rias relacionadas a esse fluxo vindo da Venezuela\u201d, disse o presidente do CNIg, Hugo Gallo.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado hoje (12), na sede do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE), o estudo foi viabilizado pelo Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es Internacionais (OBMigra) e pela C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo, da Universidade Federal de Roraima (CSVM\/UFRR). Para a an\u00e1lise, os venezuelanos foram divididos em dois grupos: os ind\u00edgenas Warao e os n\u00e3o ind\u00edgenas. Os waraos foram pesquisados por meio de estudo etnogr\u00e1fico nas cidades de Boa Vista e Pacaraima. J\u00e1 650 venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas, com 18 ou mais anos de idade, espalhados em 33 bairros de Boa Vista, responderam question\u00e1rios.<\/p>\n<p>A partir disso, os pesquisadores constataram que 77% dos n\u00e3o ind\u00edgenas sa\u00edram do pa\u00eds de origem devido \u00e0 crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica. A perspectiva \u00e9 de que boa parte desse grupo permane\u00e7a no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos. Dos entrevistados, 25% afirmaram que pretendem voltar \u00e0 Venezuela, deste grupo, 27% n\u00e3o sabe quando retornar\u00e1 e um grupo ainda maior (47%) n\u00e3o pretende retornar \u201ct\u00e3o cedo\u201d. A viol\u00eancia \u00e9 apontada como principal empecilho para o regresso: 52% teme atos praticados pelo governo da Venezuela e 16% por criminosos.<\/p>\n<p>Maioria homens<\/p>\n<p>Tanto ind\u00edgenas quanto n\u00e3o ind\u00edgenas migrantes s\u00e3o majoritariamente do sexo masculino. No caso dos n\u00e3o ind\u00edgenas, 72% t\u00eam entre 20 e 39 anos e 54% s\u00e3o solteiros, sendo que 71% dessas pessoas moram em locais alugados, muitas vezes compartilhando o im\u00f3vel com dois ou at\u00e9 quatro venezuelanos.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o com os brasileiros \u00e9 dificultada pela barreira lingu\u00edstica. Em geral, os venezuelanos em Roraima t\u00eam pouco conhecimento do portugu\u00eas e muitos n\u00e3o estudam o idioma. A dist\u00e2ncia \u00e9 ampliada pelo preconceito. Um ter\u00e7o dos entrevistados afirmou ter sido v\u00edtima de preconceito fora do ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>Positivo para o Brasil<\/p>\n<p>Professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e coordenador do OBMigra, Leonardo Cavalcante defende que o fluxo migrat\u00f3rio deve ser visto como positivo para o Brasil, dado que, ao chegarem ao pa\u00eds, essas pessoas, \u201cque est\u00e3o na fase ativa\u201d, contribuem com conhecimentos diversos.<\/p>\n<p>Para que essa pot\u00eancia seja efetivada, Cavalcante avalia que s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas para ampliar a inser\u00e7\u00e3o dos venezuelanos na sociedade brasileira, como ensino de portugu\u00eas e aproxima\u00e7\u00e3o com empresas que tenham capacita\u00e7\u00e3o para receb\u00ea-los e que atuem em ramos pr\u00f3ximos aos que eles ocupavam no pa\u00eds em que nasceram.<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a opini\u00e3o do oficial da Acnur, Paulo S\u00e9rgio de Almeida. Ao passo que reconhece que o fluxo consiste em \u201cum grande desafio para o Brasil\u201d, dada a diversidade de perfis dos venezuelanos e das condi\u00e7\u00f5es que os levaram a emigrar, bem como a concentra\u00e7\u00e3o deles em um s\u00f3 estado, ele sustenta que \u201cmigrantes e refugiados trazem enorme contribui\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, enriquecendo a diversidade cultural\u201d e ampliando o potencial de \u201cdesenvolvimento econ\u00f4mico e social\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 80% dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas que migraram para o Brasil t\u00eam ensino m\u00e9dio completo, mas, dos que trabalham, mais da metade recebem menos de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, segundo dados da pesquisa Perfil Sociodemogr\u00e1fico e Laboral dos Imigrantes Venezuelanos, coordenada pelo Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o (CNIg), com apoio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11455,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11649"}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11649"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11649\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11650,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11649\/revisions\/11650"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}