{"id":11091,"date":"2018-01-15T20:49:28","date_gmt":"2018-01-15T20:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=11091"},"modified":"2018-01-15T20:50:24","modified_gmt":"2018-01-15T20:50:24","slug":"o-experimento-do-jovem-que-ficou-sem-dormir-por-11-dias-e-25-minutos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/o-experimento-do-jovem-que-ficou-sem-dormir-por-11-dias-e-25-minutos\/","title":{"rendered":"O experimento do jovem que ficou sem dormir por 11 dias e 25 minutos"},"content":{"rendered":"<p>Quanto tempo uma pessoa pode passar sem dormir?<\/p>\n<p>Nos anos 1960, essa era uma pergunta que intrigava os cientistas. E era um desafio muito fascinante para aqueles que buscavam deixar seus nomes no Guinness Book, o livro dos recordes.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1964, Randy Gardner e Bruce McAllister embarcaram nessa aventura. Os jovens estudantes americanos queriam fazer um experimento cient\u00edfico para a escola onde estudavam &#8211; e tinham tamb\u00e9m a ambi\u00e7\u00e3o de, quem sabe, entrar para o Guinness.<\/p>\n<p>Para decidir quem seria &#8216;a cobaia&#8217; no experimento, eles tiraram na moeda &#8211; e Randy foi o escolhido. Ele tinha apenas 17 anos na \u00e9poca.<\/p>\n<p>A meta era superar a marca que at\u00e9 ent\u00e3o um DJ de Honolulu sustentava: ele havia passado 260 horas sem dormir, um pouco menos do que 11 dias completos.<\/p>\n<p>Randy conseguiu super\u00e1-lo por muito pouco: ele ficou 11 dias (o equivalente a 264 horas) e 25 minutos seguidos sem pegar no sono.<\/p>\n<p>Bruce McAllister conta que ele e o amigo eram &#8220;muito criativos&#8221; e queriam fazer parte de um experimento cient\u00edfico relacionado ao sono.<\/p>\n<p>&#8220;Inicialmente, n\u00f3s quer\u00edamos saber qual seria o efeito da falta de sono nas habilidades paranormais. Mas nos demos conta que n\u00e3o havia maneira de fazer isso e optamos por estudar os efeitos da falta de sono nas habilidades cognitivas, nas habilidades para jogar basquete ou qualquer outra coisa que viesse na nossa cabe\u00e7a&#8221;, relembra Bruce.<\/p>\n<p>O jovem ficou acordado monitorando o comportamento do companheiro, mas, ap\u00f3s a terceira noite, precisou descansar e pediu a outro amigo, Joe Marciano, que se juntasse ao grupo e assumisse a fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O experimento aconteceu na casa dos pais de Bruce, em San Diego, nos Estados Unidos.<\/p>\n<h3>Supervis\u00e3o cient\u00edfica<\/h3>\n<p>William Dement, hoje professor em\u00e9rito da Universidade de Stanford, na Calif\u00f3rnia, tamb\u00e9m se uniu ao grupo. Em 1964, ele era um cientista que come\u00e7ava a pesquisar um campo razoavelmente novo: a ci\u00eancia do sono.<\/p>\n<p>O professor havia lido em um jornal em San Diego sobre a hist\u00f3ria dos dois jovens que queriam bater esse recorde e os procurou.<\/p>\n<p>Dement conta que os jovens se sentiram aliviados quando ele come\u00e7ou a fazer parte do grupo, j\u00e1 que, com ele, teriam a supervis\u00e3o de um professor.<\/p>\n<p>&#8220;Eles estavam preocupados com aquilo, tinham medo de que pudesse causar danos \u00e0 sa\u00fade&#8221;, explica. &#8220;A pergunta que ainda n\u00e3o foi respondido \u00e9 se algu\u00e9m pode morrer se passar muito tempo sem dormir.&#8221;<\/p>\n<p>Em um experimento feito com gatos, os animais morreram ap\u00f3s terem ficado 15 dias sem dormir. A diferen\u00e7a \u00e9 que nesse caso eles foram mantidos acordados com produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<h3>Momentos cr\u00edticos<\/h3>\n<p>A noite era sempre um momento muito cr\u00edtico para eles, porque n\u00e3o havia coisas para fazer. Durante o dia, eles jogavam basquete e se mantinham ativos.<\/p>\n<p>Os jovens experimentavam as diferen\u00e7as no paladar, no olfato e no ouvido. &#8220;Logo come\u00e7amos a perceber as mudan\u00e7as: suas habilidades cognitivas, incluindo as sensoriais, come\u00e7aram a ser afetadas. Mas a habilidade para jogar basquete melhorou&#8221;, conta Bruce. Eles tamb\u00e9m sentiram altera\u00e7\u00f5es no humor de Randy, que se irritava mais facilmente. O jovem tamb\u00e9m teve algumas alucina\u00e7\u00f5es durante o per\u00edodo.<\/p>\n<p>Uma vez registrado o recorde, Randy passou 14 horas seguidas dormindo. Com o decorrer dos dias, seus padr\u00f5es de sono voltaram ao normal. Inicialmente, ele n\u00e3o apresentou nenhum problema, mas depois de um tempo passou a sofrer de ins\u00f4nia.<\/p>\n<p>Bruce explica que o projeto deixou algumas li\u00e7\u00f5es para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Um hospital do Arizona enviou um computador que detectou que partes do c\u00e9rebro de Randy haviam sido &#8220;sequestradas&#8221;. Em outras palavras, isso significava que partes do c\u00e9rebro dele descansavam e eram repostas enquanto ele estava acordado.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dos dois acabou fazendo bastante sucesso e repercutiu bastante na imprensa na \u00e9poca. O nome deles ficou para sempre na hist\u00f3ria do Guinness, j\u00e1 que depois disso a empresa parou de registrar novas tentativas de bater esse recorde por conta dos riscos \u00e0 sa\u00fade de quem se propusesse a isso.<\/p>\n<p>No entanto, em 2007, um brit\u00e2nico alega ter ultrapassado esse n\u00famero ficando acordado por 11 dias e 11 noites consecutivas.<\/p>\n<p>Tony Wright, de 42 anos, alega ter conseguido o feito e diz que combateu o cansa\u00e7o bebendo ch\u00e1, jogando sinuca, consumindo uma dieta rica em alimentos crus e mantendo um di\u00e1rio. Ele permaneceu o tempo todo em um bar na cidade de Penzance monitorado por c\u00e2meras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto tempo uma pessoa pode passar sem dormir? Nos anos 1960, essa era uma pergunta que intrigava os cientistas. E era um desafio muito fascinante para aqueles que buscavam deixar seus nomes no Guinness Book, o livro dos recordes. 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