{"id":10546,"date":"2018-01-13T00:29:15","date_gmt":"2018-01-13T00:29:15","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=10546"},"modified":"2018-01-13T00:29:15","modified_gmt":"2018-01-13T00:29:15","slug":"extremistas-do-estado-islamico-tem-celulas-ativas-no-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/extremistas-do-estado-islamico-tem-celulas-ativas-no-afeganistao\/","title":{"rendered":"Extremistas do Estado Isl\u00e2mico t\u00eam c\u00e9lulas ativas no Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O grupo extremista Estado Isl\u00e2mico (EI) estendeu nos \u00faltimos meses a Cabul sua crescente presen\u00e7a no Afeganist\u00e3o, doutrinando afeg\u00e3os de classe m\u00e9dia e contribuindo para transformar a capital em um dos lugares mais perigosos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O EI, que inicialmente se concentrava no leste do Afeganist\u00e3o, reivindicou nos \u00faltimos 18 meses cerca de 20 atentados na capital, cometidos diante dos olhos das autoridades afeg\u00e3s e americanas por c\u00e9lulas locais nas quais havia estudantes, professores e comerciantes.<\/p>\n<p>Esta tend\u00eancia preocupa tanto civis, esgotados ap\u00f3s d\u00e9cadas de guerra, quanto as for\u00e7as de seguran\u00e7a afeg\u00e3s e seus aliados americanos, que j\u00e1 se debatem para tentar conter a ofensiva dos talib\u00e3s.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um grupo instalado em uma zona rural do leste afeg\u00e3o, [tamb\u00e9m] realiza ataques sangrentos, muito vis\u00edveis em plena capital e acho que \u00e9 algo inquietante, afirma o analista Michael Kugelman, do Wilson Center, de Washington.<\/p>\n<p>O bra\u00e7o local do EI, denominado EI Jorasan, surgiu na regi\u00e3o em 2014 e ent\u00e3o era composto em grande parte por ex-combatentes talib\u00e3s e de outros grupos extremistas de Paquist\u00e3o, Afeganist\u00e3o e \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2016, reivindicou seu primeiro atentado em Cabul e desde ent\u00e3o multiplicou seus ataques contra a minoria xiita e as for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Candidatos a execut\u00e1-los n\u00e3o faltam, afirmam os analistas. H\u00e1 d\u00e9cadas o Afeganist\u00e3o tem uma influente corrente extremista, presente em todas as camadas da sociedade, incluindo os jovens urbanos conectados.<\/p>\n<p>Estes partid\u00e1rios vivem sem se esconder na capital, onde trabalham e estudam, e se encontram \u00e0 noite para falar de guerra santa ou planejar ataques em uma cidade que conhecem como a palma da m\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles sabem, por exemplo, detectar medidas de seguran\u00e7a como as que as autoridades tomaram ap\u00f3s o enorme atentado, que deixou mais de 150 mortos em maio.<\/p>\n<p>\u00c9 uma estrutura que se adapta e reage, destaca um diplomata ocidental.<\/p>\n<p>H\u00e1 20 (c\u00e9lulas do EI) ou mais operando na cidade, declarou recentemente \u00e0 AFP uma fonte de seguran\u00e7a afeg\u00e3.<\/p>\n<p>&#8211; Nova onda &#8211;<\/p>\n<p>Segundo Borhan Osman, analista do International Crisis Group, especialista em redes de insurgentes no Afeganist\u00e3o, suas fileiras se abastecem atrav\u00e9s do recrutamento por redes sociais, assim como em mesquitas, escolas e universidades.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dizer que sejam todos pobres: alguns procedem da classe m\u00e9dia alta de Cabul. Alguns t\u00eam diplomas universit\u00e1rios, al\u00e9m do que, em sua maioria, t\u00eam forma\u00e7\u00e3o religiosa, destaca.<\/p>\n<p>Os talib\u00e3s continuam sendo a principal amea\u00e7a para as autoridades afeg\u00e3s, mas o EI tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia nas \u00faltimas semanas matando dezenas de pessoas.<\/p>\n<p>Alguns atentados foram cometidos muito perto das embaixadas estrangeiras ou da sede da miss\u00e3o da Otan.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos lan\u00e7aram em abril sua bomba mais potente, denominada de m\u00e3e de todas as bombas, sobre uma rede de cavernas e t\u00faneis subterr\u00e2neos no leste do pa\u00eds, matando 90 membros do EI. Seguiram-se intensos bombardeios a\u00e9reos.<\/p>\n<p>Mas esta estrat\u00e9gia n\u00e3o conseguiu destruir o EI. Ao contr\u00e1rio, levou muitos insurgentes a se refugiarem em Cabul, onde \u00e9 imposs\u00edvel usar tais armas, afirmam os analistas.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia que se op\u00f5e ao EI gera temores de que o Afeganist\u00e3o se transformar em uma nova base para os extremistas que fogem do Iraque e da S\u00edria.<\/p>\n<p>Mas a natureza exata dos v\u00ednculos entre o EI no Afeganist\u00e3o e no Oriente M\u00e9dio n\u00e3o est\u00e1 clara.<\/p>\n<p>O governo afeg\u00e3o afirma n\u00e3o haver nenhum la\u00e7o, mas os analistas estimam que existe comunica\u00e7\u00e3o como parece ilustrar o recente aparecimento no norte do pa\u00eds de insurgentes franceses ou argelinos, alguns procedentes da S\u00edria.<\/p>\n<p>Seus objetivos parecem pelo menos similares: provocar muito \u00f3dio sunita com rela\u00e7\u00e3o aos xiitas, afirma Vanda Felbab-Brown, membro do Brookings Institution.<\/p>\n<p>No entanto, custar\u00e1 ao EI transformar o Afeganist\u00e3o em uma nova frente de luta inter-religiosa, destaca Kugelman, lembrando que as principais linhas de fissura no pa\u00eds s\u00e3o \u00e9tnicas e n\u00e3o religiosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo extremista Estado Isl\u00e2mico (EI) estendeu nos \u00faltimos meses a Cabul sua crescente presen\u00e7a no Afeganist\u00e3o, doutrinando afeg\u00e3os de classe m\u00e9dia e contribuindo para transformar a capital em um dos lugares mais perigosos do pa\u00eds. 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