{"id":10375,"date":"2018-01-12T21:57:58","date_gmt":"2018-01-12T21:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/?p=10375"},"modified":"2018-01-12T21:57:58","modified_gmt":"2018-01-12T21:57:58","slug":"produtores-culturais-e-alunos-protestam-no-rio-em-defesa-da-casa-do-jongo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/produtores-culturais-e-alunos-protestam-no-rio-em-defesa-da-casa-do-jongo\/","title":{"rendered":"Produtores culturais e alunos protestam no Rio em defesa da Casa do Jongo"},"content":{"rendered":"<p>Lar oficial do jongo no Rio de Janeiro, a sede do tradicional Grupo Cultural Jongo da Serrinha, em Madureira, na zona norte da capital, est\u00e1 de portas fechadas. A Casa do Jongo suspendeu as atividades na semana passada por falta de verbas.<\/p>\n<p>Para cobrar pol\u00edticas p\u00fablicas para a salvaguarda do patrim\u00f4nio imaterial \u2013 tombado pelo Instituto Nacional do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) em 2005 \u2013 e manuten\u00e7\u00e3o das atividades da casa, frequentadores, alunos e apoiadores protestaram hoje (9), na Cinel\u00e2ndia, no centro do Rio.<\/p>\n<p>Inaugurada em 2015, a Casa do Jongo \u00e9 resultado da dedica\u00e7\u00e3o de mestres jongueiros desde o s\u00e9culo 20 para que n\u00e3o haja o desaparecimento da dan\u00e7a. O grupo cultural foi fundado para ampliar as rodas de jongo e profissionalizar atividades, da\u00ed, a necessidade de ter um espa\u00e7o pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Com apoio da prefeitura do Rio que, em 2013, comprou e reformou o im\u00f3vel onde funciona hoje a institui\u00e7\u00e3o, a Casa do Jongo abriu as portas. Este \u00e9 o \u00faltimo n\u00facleo da dan\u00e7a na cidade, heran\u00e7a do Mestre Darcy e Vov\u00f3 Maria e ber\u00e7o da escola de samba Imp\u00e9rio Serrano.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano passado, o local atendia 400 alunos de todas idades, com aulas de percuss\u00e3o, canto, esportes, pr\u00e1ticas culturais, al\u00e9m de servir de ponto de encontro para artistas do bairro. Tr\u00eas mil pessoas circularam ali em 2017.<\/p>\n<p>Financiamento<\/p>\n<p>Com a suspens\u00e3o do edital de fomento aprovado na gest\u00e3o do prefeito anterior, Eduardo Paes, e principal forma de financiamento das atividades da institui\u00e7\u00e3o, os problemas come\u00e7aram. A verba captada com empresas por meio da lei de incentivo fiscal \u00e9 insuficiente para manter as atividades da casa, cujo custo mensal \u00e9 de R$ 40 mil com infraestrutura e pagamento de 23 funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A diretora da casa, Dionne Boy, conta que tentou por um ano apoio da Secretaria Municipal de Cultura, para um aporte direto, nos moldes do investimento concedido a outras institui\u00e7\u00f5es culturais, como a companhia de dan\u00e7a Deborah Colker e o Museu do Amanh\u00e3, por\u00e9m n\u00e3o teve retorno. A diretora questiona os crit\u00e9rios para o investimento e cobra tamb\u00e9m aportes para projetos que trabalham com patrim\u00f4nio imaterial.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o achamos que temos de ser sustentados somente pela prefeitura, mas quais s\u00e3o os crit\u00e9rios [para os repasses diretos]? Isso n\u00e3o est\u00e1 claro\u201d, questionou Dyonne. \u201cEstamos lutando o tempo todo para ter uma pol\u00edtica para o patrim\u00f4nio imaterial da cidade. Grupos que tem 50 anos, 60 anos, como o Filhos de Gandhi, o Jongo da Serrinha, o Trem do Samba, s\u00e3o projetos que s\u00e3o a pr\u00f3pria identidade da cidade do Rio e que est\u00e3o \u00e0 m\u00edngua, fazendo cultura com o pr\u00f3prio bolso, mas que, na crise, s\u00e3o os que mais sofrem, disse.<\/p>\n<p>Segundo Dyonne, esses grupos t\u00eam mais dificuldade de captar patroc\u00ednio em compara\u00e7\u00e3o a institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na m\u00eddia como museus e grupos de dan\u00e7a. \u201cEstamos dentro de uma favela, atendendo, especialmente crian\u00e7as, dever\u00edamos ter prioridade\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao repasse direto de recursos para a Casa do Jongo, a secret\u00e1ria municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, disse que n\u00e3o foi poss\u00edvel por causa da queda da arrecada\u00e7\u00e3o na cidade. Ela informa que, por meio da lei de incentivo fiscal, a Casa do Jongo captou, at\u00e9 agora, R$ 120 mil a serem pagos no ano. Sobre os repasses para a companhia de dan\u00e7a Deborah Colker, a secret\u00e1ria argumenta que o grupo \u00e9 refer\u00eancia no pa\u00eds e internacionlmente e desenvolve um trabalho social &#8211; com apresenta\u00e7\u00e3o gratuita. Ele informou ainda que, no \u00faltimo ano, o apoio da secretaria ao grupo foi reduzido de R$ 2 milh\u00f5es para R$ 400 mil.<\/p>\n<p>Outra alternativa para conseguir recursos oferecida \u00e0 Casa do Jongo, segundo Nilcemar, foram os tr\u00eas editais abertos pela secretaria no ano passado. Um deles destinou R$ 500 mil para iniciativas com \u00eanfase na cultura de matriz africana, distribu\u00eddos em linhas entre R$ 10 mil e R$ 50 mil.<\/p>\n<p>A Casa do Jongo n\u00e3o concorreu aos editais, segundo a diretora Dionne Boy, pois o teto das linhas eram baixos. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos projetos nesses valores. Temos projetos para um ano e n\u00e3o um m\u00eas. E entendemos, al\u00e9m do mais, que valores t\u00e3o baixos precarizam a atividade cultural\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ela, desde o ano passado, mesmo com verbas de incentivo fiscal, os apoiadores do jongo estavam custeando atividades algumas atividades. \u201cEst\u00e1vamos bancando isso com dinheiro do nosso bolso, esses 23 professores n\u00e3o recebem, eles s\u00e3o parceiros que d\u00e3o aulas em outros lugares e fazem trabalho volunt\u00e1rio na Serrinha. A gente, da coordena\u00e7\u00e3o, sete pessoas, estamos igual aos funcion\u00e1rios do estado (com sal\u00e1rios parcelados). Isso \u00e9 um esc\u00e2ndalo para a cidade.<\/p>\n<p>Cultura afro-brasileira<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da diretora e demais produtores culturais da cidade, que lan\u00e7aram uma carta p\u00fablica em defesa da Casa do Jongo durante o protesto, a prefeitura tem deixado de lado manifesta\u00e7\u00f5es e grupos culturais vinculados \u00e0 cultura negra. \u201cH\u00e1 um componente de persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas de matriz africana, \u00e0 cultura popular, sem d\u00favida\u201d, criticou a gestora cultural.<\/p>\n<p>J\u00e1 a secret\u00e1ria Nilcemar Nogueira nega que projetos ligados \u00e0 cultura afro-brasileira estejam sendo relegados na gest\u00e3o do prefeito Marcelo Crivella. Por\u00e9m, reconheceu que iniciativas ligadas \u00e0 mem\u00f3ria afro-brasileira ou ao patrim\u00f4nio imaterial t\u00eam mais dificuldade de se manter, inclusive as vinculadas ao samba.<\/p>\n<p>\u201cHoje n\u00e3o temos uma valoriza\u00e7\u00e3o de nada que venha de matriz africana. Isso \u00e9 uma discuss\u00e3o a ser feita com a sociedade inteira. Porque se a sociedade inteira entendesse essa import\u00e2ncia, n\u00e3o estava acontecendo isso com a Casa do Jongo, nem com o samba, nem com a Folia de Reis. N\u00f3s ainda pensamos de forma apartada\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lar oficial do jongo no Rio de Janeiro, a sede do tradicional Grupo Cultural Jongo da Serrinha, em Madureira, na zona norte da capital, est\u00e1 de portas fechadas. A Casa do Jongo suspendeu as atividades na semana passada por falta de verbas. Para cobrar pol\u00edticas p\u00fablicas para a salvaguarda do patrim\u00f4nio imaterial \u2013 tombado pelo &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10187,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-10375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10375"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10376,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375\/revisions\/10376"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goiasemtempo.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}